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SAF do Santos: proposta prevê R$ 2 bilhões em aportes e pode mudar o controle do clube
Publicado 26/10/2026 • 15:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 26/10/2026 • 15:35 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Santos pode passar por uma das maiores transformações de sua história administrativa. Os associados do clube votarão em 8 de novembro uma reforma estatutária que pode abrir caminho para a entrada de investidores e permitir que uma futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF) assuma até 80% do capital social. O modelo financeiro discutido prevê R$ 2 bilhões em recursos: R$ 1 bilhão para o pagamento de dívidas e outros R$ 1 bilhão para investimentos na operação do futebol.
Em entrevista ao Times Brasil | CNBC, Eduardo Carlezzo, advogado especialista em direito desportivo, afirmou que a transformação em SAF pode representar uma alternativa para enfrentar a crise financeira do clube. Segundo ele, um relatório da Agência Nacional de Fair Play Financeiro apontou uma dívida próxima de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 640 milhões seriam compromissos de curto prazo.
Para Carlezzo, o cenário torna difícil manter os pagamentos em dia e cumprir obrigações relacionadas à contratação de jogadores e às transferências de atletas. Nesse contexto, a entrada de um investidor qualificado poderia ajudar a reorganizar as contas e criar condições para um crescimento sustentável.
No início do ano, o Santos anunciou um acordo de exclusividade com a SDC Sports LLC, plataforma global de investimentos interessada no clube. De acordo com Carlezzo, caso uma oferta formal seja apresentada e aprovada pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral dos Associados, a mudança na estrutura de gestão poderá ser significativa.
Com a aquisição de 80% do capital social, a empresa investidora passaria a controlar as operações de futebol do Santos. Na avaliação do advogado, a tendência observada em outras SAFs é que dirigentes ligados à política do clube associativo percam influência sobre as decisões da operação, que passa a ser administrada sob uma estrutura empresarial.
A mudança, portanto, não se limitaria à entrada de dinheiro. O modelo também poderia alterar a forma como o futebol é administrado, com novas diretrizes de gestão, planejamento financeiro e tomada de decisões.
Carlezzo ressalvou que os valores divulgados pela imprensa ainda precisam ser confirmados em uma eventual proposta formal. Considerando, porém, o cenário de R$ 1 bilhão para quitar dívidas e R$ 1 bilhão para investimentos, o advogado avalia que a operação teria potencial para transformar a situação financeira e estrutural do clube.
O pagamento das dívidas poderia representar um marco para o Santos, especialmente diante de casos de SAFs em que o endividamento continuou crescendo mesmo após a entrada de investidores. Já os recursos destinados à operação poderiam financiar melhorias estruturais consideradas necessárias para o futuro da equipe.
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Siga o Times | CNBCEntre as prioridades citadas por Carlezzo estão a construção de um novo estádio, a reforma do centro de treinamento profissional e a criação de um centro de treinamento para as categorias de base. Segundo o especialista, a concretização desses projetos deixaria um legado importante para o clube.
Apesar do volume de recursos previsto, o advogado destacou que os resultados não seriam necessariamente imediatos. A aplicação dos investimentos dependeria dos compromissos assumidos pelo investidor e do tempo necessário para executar os projetos e consolidar o novo modelo de gestão.
Uma eventual operação bem-sucedida no Santos também poderia influenciar o debate sobre a transformação de outros clubes brasileiros em SAFs. Durante a entrevista, Carlezzo avaliou que os resultados da entrada de um investidor no clube paulista poderiam estimular torcedores e dirigentes de outras equipes a considerar alternativas semelhantes.
Corinthians e São Paulo foram citados na conversa como exemplos de clubes que enfrentam desafios de gestão financeira e poderiam observar os resultados da experiência santista. O advogado ponderou, no entanto, que o sucesso de uma SAF não deve ser medido apenas pela assinatura de um contrato ou pela chegada de recursos.
Para ele, é necessário avaliar a capacidade real do investidor de aportar dinheiro, cumprir os compromissos assumidos e produzir resultados ao longo do tempo. A consolidação do modelo depende de um período de maturação, e não apenas do anúncio da operação.
Carlezzo também ressaltou a importância de atrair investidores com credibilidade e capacidade financeira comprovada. Na avaliação do especialista, experiências negativas no futebol brasileiro reforçam a necessidade de avaliar cuidadosamente quem assume o controle de um clube e quais garantias oferece para cumprir o plano de investimentos.
A possível SAF do Santos, portanto, envolve mais do que a tentativa de resolver uma crise de endividamento. A operação poderá redefinir o controle do futebol do clube, financiar melhorias de infraestrutura e servir de referência para outras equipes, desde que os recursos e compromissos previstos se concretizem.
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