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Fed deve manter juros em outubro; veja o que isso significa para os consumidores

Publicado 26/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 18 minutos

KEY POINTS

  • O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deve manter os juros inalterados ao fim da reunião de quarta-feira (28), mas poderá voltar a elevá-los antes do encerramento do ano.
  • Para os consumidores americanos, o custo elevado do crédito deve continuar pressionando o orçamento familiar, em um momento de dificuldades crescentes para arcar com as despesas do dia a dia.
  • As próximas decisões do Fed poderão afetar os juros de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito, com reflexos diretos nas finanças das famílias americanas.

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Federal Reserve System Headquarters, Washington, DC

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deve manter os juros inalterados na reunião desta semana, em um momento em que a alta dos preços da energia dificulta o controle da inflação e aumenta a pressão sobre o orçamento das famílias americanas.

O índice de preços ao consumidor (CPI), uma das principais medidas da inflação nos Estados Unidos, voltou a subir em setembro, elevando a taxa acumulada em 12 meses para 3,7%. A disparada dos preços do petróleo, provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, também pressionou o índice de preços ao produtor (PPI) no mês passado. Na sexta-feira (23), o petróleo Brent atingiu o maior valor em cinco meses, antes de recuar ligeiramente.

Em setembro, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, no primeiro aumento desde 2023. Agora, o mercado vê pouca chance de uma nova alta na reunião desta semana.

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Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os contratos futuros indicavam uma probabilidade inferior a 10% de aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião. Por outro lado, quase 75% dos participantes do mercado esperavam pelo menos uma nova alta até o fim do ano.

“A inflação ainda é o principal problema da economia americana, e há muitos sinais de que ela está se espalhando por mais setores”, afirmou Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union. “Para os consumidores, isso significa que o crédito continuará muito caro no futuro próximo.”

Long, no entanto, considera improvável uma alta dos juros em outubro devido à proximidade das eleições. “Como estamos às vésperas de uma eleição, eles não vão aumentar os juros neste mês”, afirmou.

A reunião do banco central acontece poucos dias antes das eleições legislativas americanas, que definirão a composição do Congresso e poderão alterar o equilíbrio de poder entre os partidos em Washington. A decisão também será o último posicionamento do Fed sobre os rumos da inflação antes de os eleitores irem às urnas.

Historicamente, o banco central americano costuma manter sua trajetória de política monetária mesmo em períodos eleitorais. Nas quatro ocasiões em que elevou os juros perto de eleições legislativas, em 1978, 1982, 2018 e 2022, as decisões estiveram relacionadas à aceleração da inflação, segundo levantamento de Mark Shore, economista e diretor do CME Group.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, tem reafirmado o compromisso de reduzir a inflação à meta de 2% ao ano.

Para Aditya Bhave, economista do Bank of America, uma decisão de manter os juros pode levantar questionamentos sobre a determinação do banco central em combater a alta dos preços.

“Se o Fed mantiver os juros, os mercados poderão questionar sua credibilidade no combate à inflação”, afirmou Bhave em relatório publicado em 23 de outubro.

Como as decisões do Fed afetam o orçamento das famílias

A taxa básica de juros do Fed determina quanto os bancos americanos cobram uns dos outros em empréstimos de curtíssimo prazo. Essa taxa serve de referência para diversas modalidades de crédito e aplicações financeiras oferecidas aos consumidores.

Embora os juros elevados ajudem a conter a inflação, também encarecem o crédito no curto prazo, agravando as dificuldades de muitas famílias para pagar suas despesas.

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As taxas de empréstimos de curto prazo acompanham de perto a prime rate, referência utilizada pelos bancos americanos, que costuma ficar três pontos percentuais acima da taxa básica do Fed. Já os juros de financiamentos de prazo mais longo dependem principalmente das expectativas de inflação e das condições gerais da economia.

“Os juros mais altos nos empréstimos de longo prazo estão pesando mais no orçamento dos consumidores, porque subiram mais do que as taxas de curto prazo”, afirmou Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s.

Segundo ele, esses custos têm prejudicado o refinanciamento de dívidas, a compra de imóveis e as vendas de veículos.

“Os juros de curto prazo também pesam, mas principalmente por encarecerem os cartões de crédito, os empréstimos ao consumidor e as linhas de crédito garantidas por imóveis”, acrescentou.

Cartões de crédito, imóveis e financiamentos

A maioria dos cartões de crédito nos Estados Unidos cobra juros variáveis, que acompanham de perto as decisões do Fed. Por isso, caso o banco central mantenha a taxa básica inalterada, os juros cobrados pelos cartões também deverão permanecer próximos dos níveis atuais.

Segundo a plataforma LendingTree, a taxa média de juros das novas ofertas de cartões de crédito está em 23,96% ao ano.

Já os juros dos financiamentos imobiliários são mais influenciados pelos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pelas perspectivas para a economia.

O rendimento dos títulos públicos de dez anos dos Estados Unidos, referência para diversos empréstimos de longo prazo, tem ficado próximo de 5%. Isso ajuda a manter os juros médios dos financiamentos imobiliários com taxa fixa de 30 anos em torno de 7,4%, segundo o Mortgage News Daily.

Os financiamentos de veículos também são influenciados pela taxa básica do Fed, entre outros fatores. Como o crédito continua caro, muitos consumidores americanos estão recorrendo a empréstimos de valores mais elevados e ampliando os prazos de pagamento para conseguir comprar um carro, segundo a consultoria Edmunds.

No caso dos empréstimos estudantis federais, as taxas de juros são fixas durante toda a vigência do contrato. Para os novos estudantes, porém, os juros já estão mais altos neste ano acadêmico, com base nos resultados do leilão de títulos do Tesouro de dez anos realizado em maio.

Juros elevados também beneficiam quem poupa

Se, por um lado, os juros altos encarecem empréstimos e financiamentos, por outro, podem favorecer os consumidores que mantêm dinheiro aplicado.

A remuneração das contas de poupança e de outros produtos de depósito nos Estados Unidos tende a acompanhar as mudanças na taxa básica do Fed.

Como o banco central mantém os juros em patamares elevados, os poupadores continuam encontrando rendimentos relativamente atrativos em contas de poupança de maior rentabilidade e em outros produtos bancários.

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