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Adoção de SAFs desacelera no Brasil, e falta de investidores qualificados preocupa clubes

Publicado 15/10/2026 • 14:35 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • A adesão às SAFs desacelerou diante dos juros elevados, da falta de investidores qualificados e da resistência de dirigentes à mudança de gestão.
  • A criação de uma SAF não garante recuperação financeira: alguns clubes ainda enfrentam dívidas elevadas ou não receberam os aportes prometidos.
  • Eduardo Carlezzo avalia que regras efetivas de fair play financeiro podem aumentar a confiança dos investidores e incentivar uma gestão mais sustentável no futebol brasileiro.

O avanço das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil perdeu ritmo, apesar do elevado endividamento de diversos clubes e da necessidade de mudanças na gestão. Para Eduardo Carlezzo, advogado especialista em Direito Desportivo, a dificuldade de atrair investidores qualificados e a resistência de dirigentes à perda de poder ajudam a explicar a desaceleração.

Em entrevista ao Times Brasil | CNBC Sports, Carlezzo afirmou que o cenário combina juros elevados, escassez de capital disposto a assumir riscos e estruturas associativas que resistem à adoção de novos modelos de administração. Segundo ele, o Brasil já conta com 142 SAFs mapeadas, mas parte dos projetos enfrenta dificuldades para atrair recursos ou cumprir os investimentos prometidos.

Falta de investidores limita expansão das SAFs

Carlezzo avalia que o custo elevado do dinheiro torna investimentos no futebol menos atraentes quando comparados a alternativas de menor risco, como a renda fixa. Além disso, segundo ele, faltam investidores com experiência, credibilidade e capacidade financeira para assumir as obrigações de uma SAF.

Outro obstáculo está na política interna dos clubes. Conselhos deliberativos e dirigentes podem resistir à transformação por receio de perder poder sobre a administração das equipes.

Para o advogado, o modelo associativo brasileiro apresenta dificuldades históricas para garantir responsabilidade financeira e gestão sustentável. Ele ressalva, porém, que há exceções: Flamengo e Palmeiras conseguiram combinar crescimento de receitas com controle de dívidas sem precisar se transformar em SAFs.

Clubes endividados podem buscar capital externo

Na avaliação de Carlezzo, equipes como Santos, Corinthians e os dois principais clubes de Porto Alegre enfrentam desafios financeiros que podem exigir aportes significativos. Como o crescimento orgânico das receitas nem sempre é suficiente para resolver esses problemas, a entrada de investidores externos pode se tornar necessária.

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O advogado também alerta que a criação de uma SAF, por si só, não garante uma recuperação financeira. Há casos de clubes que adotaram o modelo, mas não receberam os investimentos necessários, o que demonstra a importância de avaliar a capacidade e a credibilidade dos compradores.

Apesar da desaceleração, Carlezzo considera que as SAFs devem continuar ganhando espaço no futebol brasileiro. Ele cita clubes de divisões inferiores que vêm estruturando sociedades para viabilizar a entrada de investidores e ampliar suas condições de competir.

Fair play financeiro pode dar mais segurança aos investidores

Para Carlezzo, a consolidação de regras de fair play financeiro será fundamental para tornar o futebol brasileiro mais previsível. O princípio central é impedir que os clubes gastem sistematicamente mais do que arrecadam, com possibilidade de sanções para quem descumprir as regras.

As punições podem incluir perda de pontos e, em situações previstas pelos regulamentos, até rebaixamento. Segundo o advogado, a aplicação efetiva dessas medidas ainda levará tempo, com uma estimativa de cinco a seis anos para que o sistema esteja plenamente consolidado.

A expectativa é que regras mais claras reduzam a pressão por contratações incompatíveis com a capacidade financeira dos clubes e ajudem a conciliar a busca por resultados esportivos com a sustentabilidade econômica.

Carlezzo avalia que esse ambiente poderá aumentar a confiança dos investidores, que precisam conciliar seus objetivos financeiros com a pressão das torcidas por títulos, contratações e desempenho em campo. Até lá, o desafio será avançar na profissionalização da gestão sem tratar a transformação em SAF como uma solução automática para o endividamento.

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