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França está “colocando a casa em ordem” e pode reduzir déficit a 3% em três anos, diz presidente do BC à CNBC
Publicado 15/10/2026 • 09:41 | Atualizado há 41 minutos
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Publicado 15/10/2026 • 09:41 | Atualizado há 41 minutos
KEY POINTS
Boubloub / Wikimedia Commons / CC0
Edifício do Banco da França na Praça da Bastilha, em Paris. O presidente da instituição, Emmanuel Moulin, afirmou que o país pode reduzir o déficit público para 3% do PIB até 2029.
A França está “colocando a casa em ordem” e tem condições de reduzir significativamente seu elevado déficit público, apesar da turbulência política enfrentada pelo país, afirmou o presidente do banco central francês.
O país está atualmente submetido ao procedimento por déficit excessivo da União Europeia. O bloco recomenda que Paris reduza o déficit público para perto de 3% do PIB, em relação a 5,1% no ano passado.
As preocupações do mercado de que a instabilidade política possa dificultar o controle das contas públicas pressionaram os títulos franceses neste ano, somando-se aos efeitos globais da guerra entre Estados Unidos e Irã e aos temores de inflação decorrentes do conflito.
Em entrevista a JP Ong, da CNBC, durante as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bangkok, o presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, afirmou não acreditar que o aumento dos custos de financiamento do governo nos últimos meses esteja relacionado a uma mudança no quadro fiscal do país.
“É realmente uma questão de incerteza política e de saber se o Orçamento será aprovado com um déficit de 5%, que é a meta do governo”, afirmou. “E acho que, para tranquilizar os mercados, é importante que haja um Orçamento aprovado e que ele cumpra a meta de déficit de 5%.”
Moulin lembrou que governos franceses conseguiram, no passado, consolidar as contas públicas e reduzir de forma significativa seus déficits. Segundo ele, porém, fazer os ajustes necessários hoje é mais difícil porque o custo do serviço da dívida pública francesa aumentou muito.
“São cerca de 10 bilhões de euros a mais por ano, então precisamos levar isso em conta no esforço de consolidação fiscal”, afirmou Moulin. “Mas acredito que seja possível voltar a um déficit de 3% em 2029, que é a meta do governo.”
Leia também: Diretora-geral do FMI pede que França “coloque a casa em ordem” em meio a dívida, protestos e alta dos juros
Questionado nesta quinta-feira se o governo francês conseguiria atingir essa meta sem impor um período de austeridade, Moulin disse não acreditar que essa seja a estratégia adotada.
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Siga o Times | CNBC“Eu contestaria a ideia de que isso seja austeridade. Isso não é austeridade. É apenas colocar a casa em ordem”, afirmou.
Na semana passada, durante as reuniões do FMI, a diretora-geral da instituição, Kristalina Georgieva, disse à CNBC que sua mensagem à França era justamente “colocar a casa em ordem”.
Os rendimentos dos títulos públicos franceses, conhecidos como OATs, atingiram neste ano os maiores níveis em várias décadas, em meio ao aumento das preocupações com a situação fiscal do país. O movimento alimentou temores de uma possível crise da dívida soberana, com efeitos sobre o restante da zona do euro.
As negociações do Orçamento, porém, têm se tornado uma fonte recorrente de turbulência política nos últimos anos. Depois de não conseguir chegar a um acordo nas negociações do ano passado, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recorreu, em fevereiro, a um mecanismo de emergência para aprovar o Orçamento deste ano sem votação parlamentar.
Governos anteriores chegaram a cair quando os impasses sobre gastos se agravaram. O próprio Lecornu renunciou menos de um mês depois de assumir o cargo, em meio a divisões sobre o Orçamento, mas foi reconduzido ao posto pelo presidente Emmanuel Macron poucos dias depois.
Os esforços do governo para controlar o déficit também são dificultados pelos protestos estudantis em todo o país, que se espalharam a partir de Paris desde o fim de setembro. Estudantes do ensino médio foram às ruas, bloquearam escolas e entraram em confronto com a polícia em protesto contra jornadas escolares longas, falta de professores e a deterioração das instalações de ensino.
O governo francês já prometeu contratar 3.000 professores adicionais numa tentativa de conter os protestos.
Os investidores também acompanham a eleição presidencial francesa prevista para a próxima primavera. Marine Le Pen, candidata de direita e atual líder nas pesquisas, afirmou no início deste mês que poderia reduzir o déficit para menos de 3% em até 18 meses após uma eventual vitória, embora críticos tenham questionado a viabilidade das economias propostas.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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