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Vela cresce no Brasil após a pandemia, mas indústria náutica ainda enfrenta limitações

Publicado 16/10/2026 • 13:45 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A prática da vela ganhou novos adeptos após a pandemia, segundo Bayard Neto, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano.
  • A regata Santos-Rio chega à 76ª edição e movimenta a cadeia náutica, que inclui profissionais de manutenção, fabricação de velas e mecânica.
  • Neto estima em cerca de R$ 500 mil o custo de uma embarcação competitiva e aponta limitações da indústria nacional como entrave ao crescimento do esporte.

A prática da vela tem atraído novos adeptos no Brasil desde a pandemia, impulsionada pela busca por atividades que aproximam as pessoas da natureza. Apesar do potencial de crescimento, o desenvolvimento da modalidade ainda enfrenta limitações na indústria náutica nacional e no acesso a equipamentos. A avaliação é de Bayard Neto, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Neto, a vela combina esforço físico, estratégia, leitura das condições meteorológicas e trabalho em equipe. Para quem deseja começar, o primeiro investimento é dedicação e tempo. Escolas e centros de treinamento oferecem formação inicial em diferentes modalidades, incluindo a vela de monotipo e a vela de oceano.

Um dos principais eventos do calendário nacional é a regata Santos-Rio, que chega à 76ª edição. Com percurso de aproximadamente 230 milhas náuticas entre as cidades de Santos e Rio de Janeiro, a competição exige planejamento de rota, análise dos ventos e decisões rápidas das tripulações. A prova tem largada prevista para 22 de outubro.

Além do desafio esportivo, a regata contribui para o desenvolvimento técnico dos velejadores. Para Neto, a modalidade também favorece habilidades como resiliência, capacidade de trabalhar em equipe e tomada de decisões sob pressão.

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Cadeia náutica e custos

A vela também movimenta uma cadeia de profissionais ligados à manutenção e à operação das embarcações. De acordo com Neto, cada barco colocado na água gera aproximadamente três empregos diretos, envolvendo atividades como capotaria, fabricação de velas, pintura, mecânica e ferragens. Ele ressalta, porém, que a associação não dispõe de números exatos sobre o impacto econômico total das competições.

O custo para manter uma equipe varia conforme o tamanho e o tipo de embarcação. Neto estima que um barco em nível competitivo possa custar cerca de R$ 500 mil. Já a participação de tripulantes em equipes formadas por amigos pode ocorrer de maneira mais informal, com despesas compartilhadas entre os integrantes.

Na avaliação do comodoro, o Brasil reúne condições naturais favoráveis e tradição esportiva, com velejadores campeões mundiais e olímpicos. O desenvolvimento dos equipamentos, entretanto, ainda é um obstáculo. Neto aponta limitações econômicas e restrições de mercado como fatores que dificultam o acesso a embarcações e materiais e defende o fortalecimento da indústria náutica nacional.

Após a regata Santos-Rio, a programação citada por Neto inclui o Campeonato Brasileiro durante o circuito Rio, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, na Baía de Guanabara.

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