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Novo tarifaço deve aumentar busca por Green Card e acelerar internacionalização de empresas brasileiras

Publicado 03/06/2026 • 20:17 | Atualizado há 10 minutos

KEY POINTS

  • Busca por vistos ligados a investimentos, como o EB-5 (Green Card por investimento), tende a ganhar força entre empresários.
  • Especialista avalia que barreiras comerciais historicamente incentivam companhias a produzir localmente nos mercados consumidores.
  • Embora a medida busque proteger a indústria americana, o aumento de custos pode atingir empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos, que dependem de insumos importados do Brasil.
Bandeira dos Estado Unidos esquerda e do Brasil a direita

Freepik

Bandeiras do Brasil e EUA

A proposta do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros pode impulsionar a procura por vistos de residência voltados a investidores e acelerar a instalação de operações de empresas brasileiras em território americano. Isso porque, diante dos destemperos diplomáticos, o empresariado nacional deve priorizar a estabilidade de seus negócios em mercados consumidores estabelecidos em meio ao vaivém geopolítico.

Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em direito internacional e sócio do escritório LeeToledo PLLC, a medida tem um potencial catalisador de estratégias de internacionalização já adotadas por parte do empresariado nacional.

Para ele, empresários que atualmente exportam para os Estados Unidos podem passar a considerar a abertura de unidades locais como forma de preservar competitividade e reduzir os impactos das novas barreiras comerciais.

“O empresário que hoje exporta para os Estados Unidos pode começar a avaliar se faz mais sentido investir diretamente no mercado americano”, afirma Toledo. “Dependendo do setor, a abertura de uma operação local pode neutralizar impactos tarifários e ainda abrir portas para processos migratórios legais.”

Entre as alternativas está o visto EB-5, programa que permite a obtenção do Green Card mediante investimentos produtivos a partir de US$ 800 mil em áreas consideradas prioritárias e a geração de pelo menos dez empregos em tempo integral. O especialista também aponta possíveis ganhos de relevância para modalidades como o L-1, destinado à transferência de executivos entre empresas do mesmo grupo econômico, e o E-2, disponível para brasileiros com dupla cidadania em países que mantêm acordos comerciais com os Estados Unidos.

Apesar do acirramento da fiscalização, a medida não deve impor critérios novos à imigração, mas complexificar os já existentes. Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados, o país pode ser taxado, sancionado ou tarifado, porém a lei migratória é diferente.

“O Brasil já vem sofrendo restrições migratórias há algum tempo, mas não é algo relacionado às tarifas. Essas são questões que atingem única e exclusivamente importações”, explica Canutto.

Para além do alfândega

A iniciativa está alinhada à agenda protecionista do presidente Donald Trump, que tem defendido o uso de barreiras tarifárias para fortalecer a indústria nacional e estimular a produção dentro dos Estados Unidos. Para Toledo, a eventual taxação representa mais do que uma disputa comercial entre os dois países.

“Quando as tarifas aumentam, muitas empresas percebem que exportar deixa de ser a alternativa mais eficiente”, diz. “Historicamente, barreiras comerciais levam empresários a buscar presença física no mercado consumidor para evitar custos adicionais e manter a competitividade.”

Na avaliação do advogado, o cenário guarda semelhanças com o observado durante a guerra comercial entre Estados Unidos e China, quando diversas empresas decidiram transferir parte de suas operações para o mercado americano em vez de continuar exportando.

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“A história mostra que muitas empresas deixam de exportar e passam a produzir localmente quando enfrentam barreiras comerciais”, afirma. “Foi exatamente isso que aconteceu com inúmeras companhias durante as disputas comerciais entre Estados Unidos e China.”

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