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Alta do petróleo pode prolongar juros altos e pressionar ativos brasileiros
Publicado 18/08/2026 • 19:38 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/08/2026 • 19:38 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A persistência da alta do petróleo pode ampliar as pressões inflacionárias e manter os juros elevados por mais tempo no Brasil e no exterior, com efeitos negativos sobre ativos de risco e atividade econômica. A avaliação é de Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper e economista da Anefac.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Inhasz afirmou que a indefinição sobre as tensões entre Estados Unidos e Irã mantém o mercado atento ao risco de novos aumentos da commodity e aos reflexos sobre preços.
“O primeiro canal é a pressão inflacionária. Se a gente continua com essa situação que não se resolve, esses riscos continuam muito evidentes e os preços da commodity, no caso do petróleo, subindo, a gente pode ver pressões inflacionárias”, afirmou.
Segundo a economista, o impacto pode ultrapassar os combustíveis e chegar a diferentes segmentos da economia. A consequência seria uma revisão para cima das expectativas de inflação e, posteriormente, dos juros.
“Essa expectativa em preços pressiona também juros mais altos mundo afora”, disse.
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Inhasz afirmou que a percepção de uma política monetária mais restritiva por um período prolongado tende a elevar os prêmios exigidos pelos investidores.
Nesse cenário, o movimento natural é uma busca maior por segurança e uma redução da exposição a ativos de maior risco, especialmente em mercados emergentes.
“O que pode começar a acontecer é, primeiro, um movimento de alta generalizada de prêmios de risco, todo mundo querendo prêmios maiores, entendendo que os juros lá na frente realmente vão aumentar”, afirmou.
Para o Brasil, essa mudança pode se refletir em pressão sobre ações, câmbio e juros futuros.
“A gente pode ver ainda uma pressão cada vez maior no preço dos ativos aqui no Brasil e, claro, para o nosso caso, uma persistência de uma taxa de juros elevada por mais tempo”, disse.
Segundo Inhasz, o ambiente internacional encontra uma economia brasileira que já enfrenta incertezas próprias.
Ela citou o risco fiscal e as dúvidas sobre a trajetória dos juros como fatores que aumentam a cautela do investidor.
“A gente tem na bolsa brasileira hoje um cenário que mistura tanto os efeitos domésticos quanto efeitos que vêm fora da fronteira”, afirmou.
A economista disse que juros elevados reduzem a atratividade relativa do investimento produtivo e do mercado acionário, já que as empresas precisam entregar retornos maiores para compensar o risco.
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Siga o Times | CNBC“Juros mais altos ou perspectivas para juros mais altos fazem com que muitas vezes o setor produtivo perca essa atratividade. Então muita gente acaba saindo desse setor buscando segurança”, disse.
Outro efeito de uma política monetária restritiva por mais tempo seria uma desaceleração adicional da economia brasileira.
Segundo Inhasz, indicadores recentes já mostram perda de dinamismo da atividade.
“Isso acaba se desdobrando numa redução ainda maior do dinamismo econômico, dinamismo esse que já estamos vendo ficar cada vez com menos fôlego”, afirmou.
Na avaliação da economista, uma nova rodada de pressão inflacionária provocada pelo petróleo poderia dificultar uma redução mais rápida dos juros justamente quando a atividade começa a desacelerar.
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Inhasz também analisou a elevação recente dos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo de economias desenvolvidas.
O movimento ocorre em meio a discussões sobre endividamento público elevado, grandes investimentos em inteligência artificial e tecnologia e novas pressões inflacionárias provocadas pela energia.
Para a economista, ainda não há elementos suficientes para afirmar que começou uma trajetória persistente de alta das taxas longas globais.
“Não acho que hoje, no curto prazo, esses elementos consigam sustentar uma alta persistente das taxas de juros mundo afora”, afirmou.
Ela ponderou, porém, que existem riscos estruturais capazes de manter essa pressão no radar.
“Eu, particularmente, vejo vários riscos e vários canais que podem acabar alimentando esse cenário que hoje já não é tão favorável para as taxas de juros, inclusive dos países desenvolvidos”, disse.
Entre esses fatores, Inhasz citou o nível de endividamento das economias desenvolvidas e as dúvidas sobre a valorização de grandes empresas de tecnologia.
Para o Brasil, uma eventual consolidação de juros globais mais altos representaria uma dificuldade adicional, ao aumentar a concorrência internacional por capital e pressionar as condições financeiras domésticas.
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