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Crise no STF testa Bolsa na volta do feriado; novos capítulos podem aumentar percepção de incerteza do mercado
Publicado 07/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) será um dos testes para o mercado brasileiro na volta do feriado da Independência. A bolsa brasileira retoma as negociações nesta terça-feira (8) após uma semana de forte valorização e terá de incorporar um novo capítulo da disputa aberta na Corte pelos desdobramentos do caso Master.
No domingo (6), André Mendonça liberou para julgamento no plenário o caso envolvendo o relatório da Polícia Federal que identificou Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro em mensagens encontradas no celular do fundador do Banco Master. A decisão sobre quando o tema será efetivamente julgado cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.
O movimento ocorre após uma semana em que a crise se aprofundou, mas ainda sem provocar deterioração generalizada dos ativos brasileiros. Na sexta-feira (4), o Ibovespa fechou aos 185.147 pontos e acumulou alta de 5,4% na semana. O dólar encerrou a sexta-feira perto de R$ 5,13 e recuou aproximadamente 1,3% em cinco dias.
Na avaliação de Luccas Saqueto, economista da GO Associados, o mercado ainda não incorporou um prêmio de risco significativo relacionado à crise porque, até agora, não identifica elementos concretos de ruptura institucional.
Segundo o economista, apesar da gravidade do conflito no Supremo, a insegurança institucional permanece em uma esfera de incerteza que ele considera predominantemente especulativa.
“Eu diria que essa é talvez a crise mais grave que a gente acompanha recentemente, principalmente no Poder Judiciário, mas ainda não há sinais e elementos concretos de uma ruptura institucional”, disse, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Leia também: Crise no STF é a maior desde redemocratização, diz especialista sobre Master
A decisão de Mendonça abre caminho para que os ministros do Supremo tenham de discutir coletivamente a polêmica envolvendo Moraes e Vorcaro.
O relatório da PF reúne informações extraídas do celular do ex-banqueiro e mensagens enviadas a um número identificado pelos investigadores como pertencente a Moraes. Como parte das comunicações foi enviada em formato de visualização única, as respostas atribuídas ao ministro não puderam ser recuperadas em vários episódios.
A divulgação do material provocou reação de Moraes, que passou a questionar a forma como as diligências foram conduzidas e encaminhou a Fachin documentos sobre a atuação de Mendonça.
Fachin decidiu concentrar as duas frentes em um procedimento sob a presidência do STF. O ministro determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem esclarecimentos por escrito sobre a condução das investigações.
Na sexta-feira, Fachin também retirou do inquérito das fake news a decisão e os relatórios encaminhados por Moraes contra Mendonça e determinou que o material fosse incorporado ao novo procedimento.
Até o fechamento de sexta-feira, a turbulência no STF havia sido absorvida sem uma fuga generalizada de ativos brasileiros. Parte da leitura do mercado estava ligada aos possíveis reflexos políticos e eleitorais da crise, enquanto fatores como a queda dos juros futuros ajudavam a sustentar ações domésticas.
Para Saqueto, até agora, o principal canal pelo qual a crise chegou aos preços dos ativos foi eleitoral.
“O que foi precificado de toda essa crise são os possíveis desdobramentos eleitorais desse conflito”, afirmou.
Na última semana, a maior proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas contribuiu para uma reprecificação dos ativos brasileiros, acompanhada de queda dos juros futuros e valorização de setores mais sensíveis ao custo do crédito.
“O mercado vai ficar cada vez mais sensível a esse resultado eleitoral”, disse Saqueto.
O economista elenca eleição, geopolítica, juros nos Estados Unidos e situação fiscal brasileira entre os principais fatores capazes de mexer com os ativos nas próximas semanas.
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Siga o Times | CNBCA liberação do caso por Mendonça para julgamento no plenário adiciona uma nova etapa à disputa, uma vez que novos pronunciamentos, documentos ou decisões podem aumentar a percepção de incerteza institucional.
“Essa semana vai ser importante para os investidores olharem com maior atenção como vão ser os desdobramentos desse conflito no Judiciário e dessas questões envolvendo o Banco Master”, afirmou Saqueto.
Segundo ele, uma mudança de patamar ocorreria se o mercado passasse a enxergar riscos mais concretos para a segurança jurídica e o funcionamento das instituições.
“O mercado financeiro lida com a precificação do risco. Quanto maior o risco, quanto maior a incerteza, maior a volatilidade”, disse.
Na sexta-feira (11), o IBGE divulga o IPCA de agosto, uma das principais referências para as expectativas sobre juros no Brasil.
A Análise Econômica projeta deflação de aproximadamente 0,30% no mês, influenciada principalmente pela redução temporária das tarifas de energia elétrica e pelo comportamento mais favorável dos preços de alimentos, vestuário e combustíveis.
Se a estimativa se confirmar, a inflação acumulada em 12 meses cairia de 4,44% para cerca de 4,24%.
Na avaliação da consultoria, um resultado nessa direção ajudaria a sustentar a perspectiva de novo corte da Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária.
Parte da queda esperada para agosto vem do bônus de Itaipu nas contas de energia e deverá ser devolvida em setembro com a normalização das tarifas. Por isso, além do número cheio, o mercado deverá observar a composição da inflação e o comportamento dos preços menos sujeitos a efeitos temporários.
A Análise Econômica projeta crescimento de 0,1% do setor de serviços em julho, mas aponta risco de resultado mais fraco diante da queda da confiança empresarial, do PMI de serviços abaixo de 50 pontos e de sinais de desaceleração do mercado de trabalho.
Uma atividade mais fraca, acompanhada de inflação mais comportada, tende a reforçar a discussão sobre espaço para redução dos juros.
Leia também: Crise do STF: Autoridades envolvidas no escândalo Master ficam lado a lado no 7 de Setembro
Os investidores também acompanham nesta semana novos dados de inflação dos Estados Unidos, antes da próxima decisão de juros do Federal Reserve.
Saqueto afirmou que a política monetária americana continua cercada de incerteza e que as expectativas do mercado mudaram repetidamente nas últimas semanas. “Na política monetária recente, o esperado é o inesperado”, disse.
Segundo ele, a principal discussão agora é se o Fed manterá a taxa no patamar atual ou promoverá um novo aperto de 0,25 ponto percentual.
O economista destacou que o banco central americano enfrenta forças em direções distintas: de um lado, inflação ainda pressionada e riscos geopolíticos; de outro, a necessidade de acompanhar a evolução do mercado de trabalho dentro de seu duplo mandato.
“Na política monetária é muito ruim quando a gente tem esses cenários de muita incerteza. O ideal para o condutor da política monetária, que lida com expectativas futuras, é que tenha certa previsibilidade. O problema é que o mundo atual é muito imprevisível”, afirmou.
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