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Ibovespa cai 1,70% e dólar sobe a R$ 5,04 sob pressão de tarifas americanas e conflito EUA-Irã

Publicado 03/06/2026 • 10:41 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa cai 1,70%, aos 171.319 pontos, pressionado por nova tarifa americana de 12,5% ao Brasil por trabalho escravo
  • Dólar sobe 0,70% e é negociado a R$ 5,04 em meio à escalada do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio
  • Petróleo Brent avança 1,63%, a US$ 97,43, impulsionado por novos ataques militares e risco de abastecimento global
Ibovespa

Foto: Getty Images

O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (3), pressionado por uma combinação de fatores externos que pesa sobre os mercados globais. Às 10h23, o principal índice da Bolsa recuava 1,70%, aos 171.319 pontos, enquanto o dólar avançava 0,70%, negociado a R$ 5,04.

Dois vetores dominam o pregão. De um lado, os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, desta vez no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado. De outro, a escalada militar entre Washington e Teerã adiciona volatilidade aos mercados e empurra o petróleo para cima.

Leia também: EUA propõem nova tarifa de 12,5% ao Brasil em investigação sobre trabalho forçado; 60 países são taxados

Tarifas sobre o Brasil se acumulam

A nova alíquota de 12,5% se somaria aos 25% já anunciados pelos americanos um dia antes, após a conclusão de investigação sobre “práticas incoerentes” do Brasil com os Estados Unidos. A medida atinge ainda a União Europeia e outros 58 países, acusados de falha na aplicação de proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

O anúncio, embora já esperado pelo setor produtivo, reforça o clima de incerteza comercial e pressiona o Ibovespa. Diante da pressão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza nesta quarta-feira (3) uma reunião ministerial no Palácio do Planalto.

Irã e EUA trocam ataques

O conflito entre Washington e Teerã ganhou novos contornos na madrugada desta quarta. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter lançado uma ofensiva contra uma base americana no Bahrein. O Comando Central dos Estados Unidos informou que forças americanas rechaçaram mísseis balísticos e drones iranianos e realizaram ataques de autodefesa na ilha de Qeshm. O Kuwait também acionou seus sistemas de defesa aérea para interceptar alvos hostis.

O episódio deteriorou a percepção sobre as negociações de paz. “O aumento das hostilidades reduziu significativamente a percepção de que Irã e Estados Unidos possam alcançar um acordo ou memorando de entendimento nos próximos meses”, afirmou Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da Stonex.

Petróleo sobe e Petrobras evita queda maior do Ibovespa

Com o acirramento do conflito, o petróleo disparou. O contrato futuro do Brent com vencimento em agosto de 2026 avançava 1,63%, a US$ 97,43 o barril. O WTI subia na mesma proporção, a US$ 95,74.

O movimento favorece as ações da Petrobras, que sustentam ganhos mesmo com o recuo da Bolsa. Os papéis ordinários (PETR3) subiam 0,22% e os preferenciais (PETR4) avançavam 0,29%.

Wall Street também sente o impacto

Nos Estados Unidos, os futuros do Dow Jones recuavam 232 pontos, ou 0,5%, pressionados pela alta do petróleo e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries. O yield do título de dez anos se aproximava de 4,5% e o de 30 anos flertava com 5%, em movimento amplificado pelo relatório ADP de maio, que apontou criação de 122 mil vagas no setor privado acima do esperado.

Na véspera, as bolsas americanas haviam registrado novos fechamentos em alta. O S&P 500 superou os 7.600 pontos pela primeira vez, enquanto o Dow Jones avançou 228 pontos.

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Agenda do dia

Na agenda doméstica, o mercado acompanha os dados de produção industrial de abril e os índices de gerentes de compras (PMIs) de serviços e composto da S&P Global. Também entram no radar o fluxo cambial estrangeiro e a balança comercial de maio, indicadores que podem influenciar as expectativas para o câmbio e o crescimento.

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