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Ibovespa despenca 18,1% na semana após reeleição de Lula; dólar dispara 9% e fecha a R$ 5,44

Publicado 30/10/2026 • 18:09 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos, com volume financeiro de R$ 31,6 bilhões. Na semana, a queda acumulada chegou a 18,12%.
  • Dólar à vista avançou 1,05%, a R$ 5,4443, acumulando valorização de 9,04% na semana e 5,20% em outubro.
  • Falta de sinalizações sobre a política fiscal e o próximo ministro da Fazenda mantém a pressão sobre os ativos brasileiros.

O Ibovespa fechou em queda de 0,75% nesta sexta-feira (30), aos 167.921,80 pontos, encerrando uma semana de fortes perdas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O principal índice da bolsa brasileira acumulou desvalorização de 18,12% na semana, seu pior desempenho semanal desde março de 2020, enquanto o dólar disparou 9,04% no mesmo período, em meio às preocupações com a política fiscal e à falta de definições sobre a equipe econômica do próximo governo.

O dólar à vista avançou 1,05% nesta sexta-feira, a R$ 5,4443, ampliando a valorização registrada desde o resultado das eleições presidenciais. A moeda americana acumulou alta de 5,20% em outubro, embora ainda registre queda de 0,81% no ano.

O Ibovespa oscilou entre a mínima de 167.007,57 pontos e a máxima de 169.184,60 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 31,6 bilhões. No mês, a bolsa acumulou queda de 9,88%, mas ainda apresenta valorização de 4,22% em 2026.

No câmbio, a moeda americana foi negociada entre R$ 5,3882 e R$ 5,4621 durante a sessão.

Leia também: Petróleo fecha em alta com incertezas sobre negociações entre Estados Unidos e Irã

A semana foi marcada por uma forte revisão das expectativas dos investidores após a vitória de Lula no segundo turno, realizado no domingo (25). Na segunda-feira (26), o Ibovespa despencou 13,88% e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de perdas acentuadas. Desde então, a bolsa não conseguiu interromper a sequência de quedas, acumulando cinco pregões consecutivos de baixa.

Ibovespa acumula perdas com incerteza fiscal após eleições

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, afirmou que o principal fator de pressão sobre o mercado brasileiro continua sendo a falta de definições sobre a condução da política econômica no próximo mandato de Lula.

Segundo o especialista, investidores aguardam a indicação de quem comandará o Ministério da Fazenda e possíveis sinalizações do governo sobre o controle das despesas públicas e a trajetória da dívida brasileira.

Martins destacou que, embora a queda desta sexta-feira tenha sido menos intensa do que a registrada nos primeiros pregões após a eleição, o desempenho acumulado da semana revela a dimensão da reação negativa do mercado ao resultado das urnas.

O analista também comentou as declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que afirmou na quinta-feira (29) que a proposta de ajuste fiscal defendida por parte dos agentes econômicos não fazia parte do programa vencedor nas eleições.

Na avaliação de Martins, a ausência de compromissos claros sobre contenção de despesas mantém os investidores cautelosos, especialmente diante do impacto que uma possível deterioração fiscal pode provocar sobre os juros e a inflação.

O especialista ressaltou que a questão fiscal não deve ser analisada apenas como uma disputa política, mas também como um desafio relacionado à sustentabilidade das contas públicas e à capacidade de financiamento das políticas governamentais.

Escolha do ministro da Fazenda segue no foco

Martins avaliou que a indicação de um nome com experiência na área econômica e capacidade de transmitir confiança ao mercado poderia ajudar a interromper a sequência de quedas dos ativos brasileiros.

Entre os nomes em discussão estão o do governador do Piauí, Rafael Fonteles, o do vice-presidente Geraldo Alckmin e o do economista Mansueto Almeida.

Segundo Martins, Fonteles reúne experiência na administração das finanças estaduais e passagem pelo mercado financeiro, características que poderiam favorecer sua recepção entre investidores.

O analista também destacou que Mansueto Almeida seria visto por parte do mercado como um nome associado à disciplina fiscal.

Por outro lado, Martins avaliou que a eventual recondução de Fernando Haddad ao Ministério da Fazenda poderia enfrentar uma reação mais negativa dos investidores.

Para o especialista, porém, a escolha do ministro precisará ser acompanhada de medidas concretas para reduzir as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas.

Petrobras e Vale ajudam a limitar perdas da bolsa

Apesar do desempenho negativo do Ibovespa, as empresas ligadas a commodities ajudaram a conter parte das perdas nesta sexta-feira.

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Martins destacou que a Petrobras foi beneficiada pela valorização do petróleo no mercado internacional, em um contexto de novas tensões no Oriente Médio e preocupações com o abastecimento global da commodity.

A Vale também contribuiu para limitar a queda do índice, após a divulgação de resultados trimestrais e comentários da administração da companhia sobre a possibilidade de recompra de ações.

Segundo o analista, empresas exportadoras e produtoras de commodities podem apresentar maior resistência às turbulências domésticas, já que parte de suas receitas está vinculada ao dólar e aos preços internacionais de seus produtos.

Por outro lado, companhias mais dependentes do consumo interno e do crédito, como varejistas, construtoras e empresas dos setores de educação e saúde, seguem mais expostas às incertezas sobre a trajetória dos juros brasileiros.

Martins explicou que a perspectiva de manutenção da Selic em níveis elevados por mais tempo tende a pressionar empresas endividadas, dificultando o financiamento de suas operações e investimentos.

Dólar dispara na semana e se descola do exterior

Enquanto o real voltou a perder valor frente ao dólar, a moeda americana apresentou leve recuo em relação às principais divisas internacionais nesta sexta-feira.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,14%, aos 101,894 pontos.

O euro recuava 0,07%, a US$ 1,1168, enquanto a libra avançava 0,15%, cotada a US$ 1,3395.

No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para dezembro subia 1,10% às 17h08, negociado a R$ 5,4750.

A valorização expressiva da moeda americana no Brasil ao longo da semana refletiu principalmente a redução da exposição dos investidores aos ativos domésticos após o resultado eleitoral, diante das dúvidas sobre a política fiscal do próximo governo.

O ambiente internacional também contribuiu para aumentar a cautela. Declarações de integrantes do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, reforçaram preocupações com a inflação persistente e a possibilidade de novas altas de juros americanos nos próximos meses.

Juros mais elevados nos Estados Unidos tendem a reduzir o interesse por investimentos em mercados emergentes, como o Brasil, ao aumentar a atratividade dos títulos americanos.

Leia também: Ouro despenca 3,3% e atinge menor cotação desde setembro de 2025

Queda das empresas de tecnologia aumenta pressão no exterior

O cenário internacional também foi marcado por perdas expressivas nas bolsas americanas, especialmente entre empresas de tecnologia, após resultados corporativos que frustraram as expectativas dos investidores.

Durante a entrevista, Martins destacou a pressão sobre as ações de companhias como Alphabet, Amazon e Intel, em um momento de maior questionamento sobre os investimentos bilionários em inteligência artificial.

Segundo o especialista, o mercado passou a exigir sinais mais concretos de retorno financeiro dos gastos elevados com infraestrutura, chips e centros de processamento de dados.

A preocupação ganhou força diante da possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos, o que encarece o financiamento das empresas e pode reduzir o interesse dos investidores por ações de crescimento.

Martins afirmou que a combinação entre incertezas domésticas e um ambiente externo desfavorável exige maior cautela na avaliação dos ativos, especialmente entre empresas mais dependentes de financiamento.

No Brasil, a próxima semana terá como foco a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e possíveis anúncios do governo sobre a equipe econômica.

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