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Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, vê receita crescer 39% e aumenta o guidance após cobertura do Medicare; ações sobem 2,5%
Publicado 30/10/2026 • 09:08 | Atualizado há 32 minutos
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Publicado 30/10/2026 • 09:08 | Atualizado há 32 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Vendas do Mounjaro disparam; especialista alerta para riscos e efeitos colaterais
A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, abriu a sexta-feira (30) com as ações em alta de 2,5% no pré-mercado, um dia depois de elevar pela terceira vez a projeção de receita de 2026 e fechar no maior valor da história. Os papéis acumulam valorização de 64% em 12 meses.
Na quinta-feira (29), a ação subiu 6,6% e encerrou o pregão a US$ 1.373,70. No ano, o ganho chega a 19,3%.
A companhia passou a prever receita entre US$ 91 bilhões e US$ 92 bilhões neste ano, contra a faixa anterior de US$ 85 bilhões a US$ 87 bilhões. No início de 2026, a estimativa era de US$ 80 bilhões a US$ 83 bilhões, e os analistas esperavam US$ 88,8 bilhões.
Já o lucro ajustado por ação previsto ficou entre US$ 35 e US$ 36, abaixo da faixa anterior de US$ 35,50 a US$ 36,50. A revisão reflete cobranças de US$ 4,57 por ação com aquisições, que superaram o aumento de US$ 4,07 na projeção do lucro de base.
No terceiro trimestre, a receita somou US$ 24,4 bilhões, alta de 39% sobre um ano antes e acima dos US$ 22,6 bilhões estimados pela FactSet. O lucro ajustado por ação chegou a US$ 7,48, contra US$ 5,68 previstos.
O Mounjaro, nome da medicação com tirzepatida no Brasil, que nos Estados Unidos também é vendida como Zepbound para obesidade, faturou cerca de US$ 16,1 bilhões no trimestre somando as duas marcas, alta de 59% sobre os US$ 10,1 bilhões de um ano antes. O resultado ficou acima das estimativas de analistas.
Nos Estados Unidos, o Mounjaro rendeu US$ 5 bilhões, avanço de 41%. Fora do país, a receita subiu 93%, para US$ 5,7 bilhões, com ganho de volume em parte compensado pela queda de preços após a inclusão do remédio na lista nacional de reembolso da China.
Por sua vez, o volume total de vendas da Lilly subiu 53%, e os preços realizados caíram 15%. A receita do período incluiu cerca de US$ 900 milhões em efeitos favoráveis, entre eles US$ 410 milhões em marcos de vendas do Jardiance, sem novos pagamentos previstos, e ajustes em estimativas de abatimentos e descontos.
Leia também: Fabricante do Mounjaro, Eli Lilly divulga balanço nesta quinta-feira (29); veja o que esperar dos resultados
Desde 1º de julho, o Medicare, plano de saúde público americano para idosos, cobre remédios para perda de peso pela primeira vez desde a década de 1990. Segundo a empresa, 1,1 milhão de idosos receberam prescrição de análogos de GLP-1 desde então.
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Siga o Times | CNBCCerca de 500 mil pacientes usam o Foundayo ou o Zepbound pelo programa Bridge, e sete em cada dez prescrições do programa são de remédios da Lilly. Akash Tewari, analista do Jefferies, estima que o Bridge possa render US$ 4 bilhões à companhia até o fim do ano.
Ilya Yuffa, presidente da Lilly Global Markets, já havia apontado o programa como o fator que mais ampliou o acesso, com adesão inicial favorável. O Jefferies calcula que a Lilly detenha cerca de 64% do mercado americano de remédios para obesidade.
O Foundayo, comprimido para perda de peso lançado em abril, vendeu US$ 184 milhões e ficou abaixo das estimativas. No trimestre anterior, o primeiro de vendas, a receita havia sido de US$ 98 milhões.
O remédio perde em volume de prescrições para o comprimido de Wegovy, da Novo Nordisk, que chegou ao mercado alguns meses antes. Para Evan David Seigerman, analista do BMO Capital Markets, o Foundayo segue atrás, mas a força do restante da operação comercial reduz a preocupação.
O lucro líquido contábil somou US$ 6,5 bilhões, alta de 16% e acima dos US$ 5,1 bilhões estimados pela FactSet. O resultado absorveu uma cobrança de US$ 4,2 bilhões com pesquisa e desenvolvimento em andamento, ligada à compra da AtaiBeckley, desenvolvedora de terapias psicodélicas para depressão, e da Curevo, de vacinas.
Após o fim do trimestre, a Lilly concluiu a compra da Merida Biosciences, voltada a doenças autoimunes e alérgicas.
Na obesidade, a Lilly prevê pedir o registro da retatrutida, injeção semanal que atua em três receptores hormonais, no primeiro trimestre do próximo ano. Em estudo direto contra a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, a retatrutida reduziu a hemoglobina glicada em 2,2% ao longo de 80 semanas, contra 1,8% do rival.
O momento pesa a favor da empresa, porque a semaglutida perde a exclusividade nos Estados Unidos em 2031. Já o Trulicity, antecessor do Mounjaro, perde a patente em 2028.
Em oncologia, o diretor financeiro, Lucas Montarce, disse que a empresa tem “potencial para lançar um produto por ano” na área nos próximos anos. No trimestre, a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o Inluriyo, em combinação com o Verzenio, para câncer de mama avançado, e ampliou a indicação do Jaypirca para leucemia linfocítica crônica.
O recorde anterior de fechamento era de US$ 1.306,69, registrado em 22 de outubro. Segundo o MarketWatch, a alta no ano vem do domínio no mercado de remédios para obesidade e da busca de investidores de tecnologia por retornos mais estáveis em saúde.
Trung Huynh, analista do RBC Capital Markets, avalia que o ganho de volume mais do que compensou a pressão sobre os preços, e que a nova revisão da projeção mostra confiança na durabilidade do negócio de obesidade e diabetes.
O ETF State Street Health Care Select Sector SPDR (XLV) fechou em alta de 2,4% na quinta-feira, com apoio da Lilly e da Merck, que subiu 3,8% após balanço acima do esperado.
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