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Ibovespa fecha em baixa de 0,64% com incerteza global sobre a guerra
Publicado 27/03/2026 • 17:36 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 27/03/2026 • 17:36 | Atualizado há 4 meses
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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em baixa de 0,64%, aos 181.557 pontos nesta sexta-feira (27), com aversão ao risco dos investidores diante das incertezas do conflito no Irã.
O índice oscilou entre 180.976,16 e 183.350,70 pontos durante a sessão. O volume negociado foi de R$ 26,3 bilhões.
A guerra completou 28 dias no mercado em meio a uma escalada militar e diplomática que ainda parece longe de um desfecho.
Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, destaca que as incertezas sobre a guerra e a expectativa de juros maiores por mais tempo, penalizaram bastante empresas de varejo na bolsa, o suficiente para opacar a alta das exportadoras de commodity.
“No mês, o Ibovespa também está no patamar de queda de quase 4%. Isso tem acontecido muito devido à guerra, que acaba gerando incerteza, e com isso saindo capital da nossa bolsa, seja do gringo, seja do próprio brasileiro institucional aqui que acaba tirando um pouco de capital do mercado local e direciona um pouco mais para renda fixa até que o cenário se torne um pouco mais claro, mais tranquilo e previsível pela frente com relação a essa parte”, avalia.
Coelho reforça, contudo, que o investidor estrangeiro ainda acredita que esse efeito é momentâneo e que o impasse entre Estados Unidos e Irã não deve ser tão duradouro.
“O mercado como um todo tem uma expectativa de que isso acabe logo. E com isso a tese em geral de o Brasil estar barato ser um potencial e bom de alocação na carteira com bom potencial de retorno ainda é válida para o gringo, por isso o fluxo veio”, comenta.
Entre as maiores altas do dia, destaque para Marfrig (MBRF3), que lidera os ganhos com salto de 6,07%, cotada a R$ 21,83. Seguida de Assaí (ASAI3) e Prio (PRIO) que avançaram 5,85% e 3%, respectivamente. Os dados são do TradeMap.
| Empresa | Código | Variação no dia (%) | Fechamento (R$/ação) |
| Marfrig | MBRF3 | 6.07 | R$ 21.83 |
| Assaí | ASAI3 | 5.85 | R$ 8.69 |
| Prio | PRIO3 | 3.00 | R$ 70.82 |
| Petrobras | PETR4 | 2.90 | R$ 49.41 |
| PetroRecôncavo | RECV3 | 2.11 | R$ 13.58 |
| Petrobras | PETR3 | 1.74 | R$ 54.30 |
| SLC Agrícola | SLCE3 | 1.47 | R$ 18.64 |
| Vamos | VAMO3 | 0.53 | R$ 3.77 |
| CPFL Energia | CPFE3 | 0.41 | R$ 46.85 |
| Cemig | CMIG4 | 0.16 | R$ 12.32 |
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Siga o Times | CNBCFonte: TradeMap
Já entre as três maiores quedas do índice, Braskem (BRKM5) foi a maior baixa, recuando 10,84% e fechando cotada a R$ 9,05%. Caíram também os papéis da Cyrela (CYRE3; CYRE4), desvalorizando 6,56% e 5,54%.
Na lista de baixas, figuraram também Cury (CURY3), Hypera (HYPE3) e Magalu (MGLU3), que recuaram 4,56%, 4,24% e 4,15%, respectivamente.
Segundo David Martins, diretor de investimentos da Brazil Wealth, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o cenário externo tem sido o principal vetor de volatilidade para os ativos domésticos e internacionais: “O que tem feito preço no mercado financeiro está totalmente ligado ao cenário externo e à guerra Estados Unidos-Irã. Isso tem impactado diretamente os juros e a perspectiva de uma maior inflação, trazendo uma dinâmica de aversão ao risco quando se prolonga a expectativa do conflito”, analisou.
A indefinição sobre o prazo das negociações diplomáticas entre Donald Trump e o governo iraniano mantém os investidores em alerta máximo. “Trump ampliou o prazo por mais 5 dias, até 6 de abril, dizendo que as conversas avançaram, mas o Irã menciona que não há avanço. Há um receio de uma invasão terrestre dos Estados Unidos no Irã e, por essa imprevisibilidade, os investidores desmontam posições em ativos de risco”, afirmou.
O reflexo direto dessa tensão é sentido na política monetária, com o mercado já precificando uma manutenção, ou até alta, das taxas de juros nas principais economias. “Vimos no Brasil um corte de apenas 25 base points, onde eram esperados 50. Nos Estados Unidos, a perspectiva mudou de corte para manutenção, e alguns economistas já falam em aumento de juros na próxima reunião devido à pressão inflacionária do petróleo”, destacou.
O setor de tecnologia, representado pela queda de 2,15% da Nasdaq, é um dos mais penalizados pelo custo do capital elevado. “As empresas de tecnologia dependem muito de recursos emprestados e, quando o juro tem perspectiva de alta, o resultado é pressionado. Isso faz com que investidores busquem papéis mais previsíveis, como Petrobras, enquanto varejo e construção civil sofrem com as taxas elevadas”.
No cenário corporativo local, a divulgação de balanços também pesou negativamente, com destaque para a queda acentuada de quase 10% de uma petroquímica. “No dia de hoje, já temos o investidor com aversão a risco e um resultado negativo que frustrou o mercado, como o da Braskem. Isso traz uma pressão adicional e uma queda mais acentuada no papel em meio a essa dinâmica de fechamento de safra de balanços”.
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