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Saída de estrangeiros da B3 bate recorde no trimestre desde 2024
Publicado 10/07/2026 • 21:00 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 10/07/2026 • 21:00 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O investidor estrangeiro retirou R$ 19,5 bilhões líquidos da B3 no segundo trimestre de 2026, desconsiderando operações de IPOs e follow-ons. Foi a segunda maior saída trimestral desde 2022, atrás apenas do primeiro trimestre de 2024, quando a retirada chegou a R$ 22,9 bilhões.
O dado, levantado pela Elos Ayta Consultoria, mostra uma mudança brusca de humor em relação ao mercado brasileiro. Depois de sustentar recordes do Ibovespa no início do ano, o capital internacional reduziu exposição entre abril e junho, em meio ao aumento da aversão ao risco global, tensões geopolíticas, alta do petróleo e dúvidas sobre juros nos Estados Unidos e contas públicas no Brasil.
Mesmo com a saída forte no segundo trimestre, o semestre ainda fechou no positivo. Entre janeiro e junho, os estrangeiros aportaram R$ 33,8 bilhões líquidos na B3, sem considerar ofertas públicas de ações. Com IPOs e follow-ons, o saldo sobe para R$ 36,7 bilhões.
Leia também: Cade recomenda condenação da B3 por interoperabilidade; entenda a acusação
O saldo positivo do semestre foi praticamente todo construído no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, a entrada líquida de recursos estrangeiros somou R$ 53,3 bilhões, um dos maiores ingressos trimestrais da série acompanhada pela Elos Ayta desde 2022.
Na avaliação da consultoria, o movimento foi impulsionado por ações negociadas a múltiplos descontados, expectativa de queda da Selic, busca global por mercados emergentes e combinação de juros elevados, câmbio competitivo e preços considerados atrativos.
A partir de abril, o fluxo virou. O segundo trimestre terminou com retirada líquida de R$ 19,5 bilhões, sem IPOs e follow-ons. Incluindo ofertas públicas, a saída foi de R$ 17,1 bilhões, também o pior desempenho desde o início de 2024.
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Siga o Times | CNBCA Elos Ayta atribui a reversão ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Oriente Médio, à valorização do petróleo e à revisão das expectativas para a política monetária americana. Com isso, o mercado reduziu apostas em cortes mais rápidos de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
No Brasil, discussões fiscais, dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e revisão das expectativas para a queda da Selic também aumentaram a volatilidade e estimularam a realização de lucros após a valorização do início do ano.
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Desde janeiro de 2022, apenas dois semestres tiveram saída líquida de recursos estrangeiros, sem considerar IPOs e follow-ons: o primeiro semestre de 2024, com retirada de R$ 40,1 bilhões, e o segundo semestre de 2025, com saldo negativo de R$ 980 milhões.
Para a Elos Ayta, os números reforçam o peso do investidor estrangeiro na formação de tendência da bolsa brasileira. Quando esse fluxo entra, cresce a liquidez e melhora a precificação dos ativos. Quando sai, o ajuste costuma ser rápido e aumenta a volatilidade.
Para os próximos meses, a consultoria avalia que o comportamento do capital internacional dependerá da evolução das tensões geopolíticas, da trajetória dos juros nos Estados Unidos e da capacidade do Brasil de reduzir incertezas fiscais.
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