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Ibovespa ameaça perder 170 mil pontos e analista vê mais queda pela frente
Publicado 04/06/2026 • 13:07 | Atualizado há 24 minutos
Publicado 04/06/2026 • 13:07 | Atualizado há 24 minutos
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O Ibovespa fechou com queda superior a 2% na última sessão e chegou a ameaçar o suporte dos 170 mil pontos. Para Gabriel Molo, analista da Daicoval Corretora, o movimento ainda não terminou. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (4), ele afirmou que a bolsa brasileira deve continuar cedendo nos próximos dias.
“O Ibovespa deve continuar caindo, justamente por causa desse cenário que a gente está conversando. Como houve uma reprecificação muito forte dos juros pelo Banco Central, a bolsa sofreu bastante e deve sofrer mais”, disse Molo.
O fio que puxa essa pressão é conhecido. Com o petróleo mantendo patamares elevados e os bancos centrais sinalizando cautela com novos cortes de juros, os investidores estão migrando capital da renda variável para a renda fixa, onde os retornos voltaram a se tornar atrativos.
O movimento de saída da bolsa reflete uma lógica de reprecificação global. Com a taxa Selic em patamar elevado e a perspectiva de que os juros fiquem parados por mais tempo do que o mercado esperava, a renda fixa voltou a competir de forma direta com as ações.
Molo observa que esse fluxo já está em curso. “Os investidores estão retirando dinheiro da renda variável e migrando para renda fixa”, afirmou o analista, acrescentando que o cenário é agravado pela possibilidade de o Fed americano também segurar os juros por mais tempo, o que estimula a saída de capital dos mercados emergentes em direção aos Estados Unidos.
O payroll americano, cujo resultado será divulgado nesta sexta-feira (5), pode amplificar esse movimento. Se os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos vierem acima do esperado, a pressão sobre o dólar e sobre a bolsa brasileira tende a aumentar.
Apesar do tom de cautela, Molo vê o recuo atual como uma janela para o investidor com horizonte mais longo. O argumento é que a reprecificação dos ativos não afeta os fundamentos das empresas listadas na bolsa.
“Do ponto de vista do investidor, vejo como uma grande oportunidade, porque esse cenário é momentâneo. Para quem pensa no longo prazo, é um bom ponto de compra”, afirmou.
A ressalva, porém, é clara. O analista acredita que o Ibovespa ainda tem espaço para cair antes de encontrar um piso mais firme. Entrar antes desse momento pode significar carregar perdas adicionais no curto prazo, ainda que o horizonte de recuperação seja favorável para quem tiver paciência.
Outro vetor de pressão sobre o Ibovespa vem do lado doméstico. O governo anunciou recentemente um bloqueio de R$ 8,3 bilhões no orçamento dos ministérios, em tentativa de sinalizar comprometimento com as contas públicas.
Para Molo, a sinalização é positiva, mas insuficiente. “O governo precisa fazer muito mais. A situação fiscal do Brasil é o nosso calcanhar de Aquiles”, disse o analista, alertando que a relação dívida/PIB caminha para perto de 100% e que o problema exige um plano concreto e contínuo, não apenas medidas pontuais.
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Seguir no GoogleA desconfiança do mercado em relação ao compromisso fiscal do governo segue como pano de fundo para a volatilidade da bolsa, independentemente do comportamento das commodities e dos juros externos.
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