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Mercado vê impacto limitado de novo tarifaço sobre ambiente de negócios nacional
Publicado 02/06/2026 • 22:01 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/06/2026 • 22:01 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Ibovespa fecha em alta
Nesta terça-feira (2), o Ibovespa demonstrou a natureza imprevisível do mercado financeiro: apesar do anúncio da barreira comercial americana de 25% aos produtos brasileiros, o índice saltou 1,71% e interrompeu a sangria de cinco sessões consecutivas e sete semanas acumuladas de perdas – a pior sequência desde 2004.
A alta reflete a avaliação de investidores de que os efeitos econômicos da medida devem ser mais limitados do que o inicialmente temido. Especialistas ouvidos pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, afirmam que o problema é muito menor que o previsto, e tende a ter efeitos marginais.
A leitura predominante no mercado é que a sobretaxa atingirá apenas uma parcela restrita da pauta exportadora brasileira. Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, cerca de 25% dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos devem ser alcançados pela medida.
“Uma boa parte da nossa pauta exportadora para os Estados Unidos, sobretudo aquelas que têm importância econômica ou estratégica, como terras raras e aeronaves, ficou de fora”, afirmou.
Para Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, o mercado trabalha com a expectativa de que entre 80% e 95% do comércio bilateral permaneça protegido por exceções ou tratamentos diferenciados.
Produtos como café, aço, aeronaves, peças aeronáuticas e farmacêuticos concentram boa parte das exportações brasileiras para o mercado americano e tendem a permanecer fora do alcance das tarifas. Para Horta, os 25% devem incidir principalmente sobre mercadorias que competem diretamente com produtores americanos, mas que possuem participação reduzida no comércio entre os dois países.
Outro fator que contribuiu para a reação positiva da bolsa foi a avaliação de que ainda existe espaço para negociação. Brasil e Estados Unidos mantêm um canal diplomático aberto até 15 de julho, prazo considerado suficiente por parte dos investidores para eventuais ajustes na proposta original, ampliação de exceções ou até mesmo extinção das tarifas.
Além disso, parte do mercado considera que as empresas brasileiras estão mais preparadas para enfrentar restrições comerciais do que estavam no ano passado. Segundo Perri, a experiência adquirida após as primeiras barreiras impostas pelos americanos levou muitas companhias a diversificarem mercados e reduzirem a dependência dos Estados Unidos. “No ano passado a gente foi capaz de diversificar nossa pauta exportadora e ter um bom saldo comercial, lembrando que tivemos durante a maior parte do ano tarifas sobre as nossas exportações”, afirmou.
A avaliação de Jackson Campos, especialista em comércio exterior, reforça essa percepção. Segundo ele, muitas empresas ampliaram vendas para outros mercados após as primeiras medidas protecionistas americanas, movimento favorecido pela abertura de novas frentes comerciais. “As empresas passaram a exportar para outros lugares. Hoje, de modo geral, as empresas brasileiras estão mais diversificadas do que estavam há um ano”, disse.
Isso não significa, porém, que o mercado esteja ignorando completamente os riscos. Perri avalia que os setores mais vulneráveis continuam sendo aqueles com forte exposição aos Estados Unidos e sem cobertura das exceções previstas. Entre eles estão segmentos industriais, químicos, manufaturados, açúcar, etanol e algumas cadeias do agronegócio processado.
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Seguir no GoogleNa visão dos analistas, entretanto, o principal efeito da medida não está necessariamente no comércio exterior. Para Perri, o impacto mais relevante ocorre por meio da percepção de risco. “O principal impacto aqui no Brasil é via prêmio de risco”, disse o economista. Segundo ele, a medida aumenta as incertezas relacionadas ao ambiente regulatório, à relação diplomática entre os países e à possibilidade de novas tensões comerciais no futuro.
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