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Rali do mercado depende de ajuste fiscal crível após eleição, diz Sérgio Vale

Publicado 08/10/2026 • 21:56 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Economista-chefe da MB Associados diz que alta dos ativos pode continuar até o segundo turno, sustentada pela expectativa de mudança na política fiscal.
  • Vale afirma que um ajuste relevante terá de enfrentar crescimento dos gastos obrigatórios e não pode se limitar a cortes de ministérios ou cargos.
  • Para o economista, falta de um plano fiscal consistente após a eleição pode provocar forte correção nos mercados.

A valorização dos ativos brasileiros pode continuar até o segundo turno, mas a sustentação do movimento depois da eleição dependerá da apresentação de um plano fiscal crível e de medidas capazes de conter o crescimento dos gastos obrigatórios. A análise é de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Vale, o mercado passou a precificar uma probabilidade maior de ajuste fiscal após o resultado do primeiro turno. O economista ponderou, porém, que ainda faltam informações sobre as medidas, a equipe econômica e a capacidade de implementação de um eventual novo governo.

“O mercado está vivendo a expectativa do que vem pela frente depois da eleição”, afirmou.

Para Vale, o movimento positivo pode continuar enquanto investidores aguardam o segundo turno, mas precisará ser confirmado posteriormente.

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“A gente vai precisar confirmar isso depois com a escolha dos nomes dos ministros, o que vai ser de fato o plano econômico. Essa parte importante ainda está faltando”, disse.

Ajuste terá de enfrentar gastos obrigatórios

Na avaliação do economista, não há espaço para um ajuste baseado apenas em cortes pontuais de despesas discricionárias.

“Quando a gente fala de ajuste fiscal hoje no Brasil, não tem muita mágica, não tem muito para onde correr”, afirmou.

Vale disse que uma estratégia consistente precisaria alterar a trajetória de despesas obrigatórias nos próximos anos.

Entre os pontos mencionados por ele estão a regra de reajuste do salário mínimo aplicada à Previdência, os pisos de saúde e educação, além de despesas como seguro-desemprego e abono salarial.

“O salário mínimo na Previdência tem que crescer pela inflação, não com crescimento real. Pisos constitucionais de saúde, educação, seguro-desemprego, abono precisam também entrar na conta do crescimento do gasto”, disse.

Ele também defendeu uma trajetória de crescimento real das despesas inferior à permitida atualmente pelo arcabouço fiscal.

Mercado pode reagir mal a ajuste considerado insuficiente

Vale afirmou que uma eventual estratégia concentrada em redução de ministérios, cargos ou outras medidas de impacto fiscal limitado poderia frustrar as expectativas dos investidores.

“Se ele for por essa ótica, por essa onda, o mercado vai começar a ficar preocupado”, afirmou ao comentar um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

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Segundo o economista, a reação dependerá também da autonomia dada à futura equipe econômica.

“Se ele impedir o ministro de fazer isso ou insistir em medidas que são sem sentido econômico, aí a gente pode ver de fato o mercado estressar, e pode estressar bastante”, disse.

Economia deve desacelerar em 2027

Vale também chamou atenção para um cenário de crescimento mais fraco no próximo ano.

Segundo ele, os efeitos dos juros elevados já começam a aparecer na atividade, enquanto parte do impulso fiscal observado em 2026 deverá ser retirada.

“Quando você tira as duas políticas econômicas, monetária e fiscal, no sentido de desacelerar a economia, como a gente está caminhando para 2027, o PIB vai crescer menos”, afirmou.

O economista trabalha com crescimento próximo de 1% em 2027, abaixo da expansão esperada para este ano.

Para Vale, esse ambiente limita a possibilidade de a Bolsa manter uma trajetória de alta apenas com base nas expectativas eleitorais.

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“Isso vai depender de um belo ajuste fiscal sendo encaminhado e de como a economia vai se comportar no ano que vem”, disse.

Selic pode cair, mas juros devem continuar altos

O economista também avaliou que um ajuste fiscal minimamente consistente poderia abrir espaço para redução adicional dos juros, mas sem uma queda abrupta.

Vale citou a persistência de pressões inflacionárias e o nível elevado das taxas nos Estados Unidos como fatores que limitam o espaço para cortes.

“Os juros vão cair, vão. Aí não dá para esperar que vai ter uma queda significativa”, afirmou.

Na estimativa do economista, a Selic pode chegar a uma faixa entre 11,5% e 12% no primeiro semestre de 2027, desde que o cenário fiscal caminhe na direção esperada pelo mercado.

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