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Caos no STF, Superquarta, Eleições e Bolsa Família: o peso em cima do Ibovespa leva à primeira semana negativa após um mês de ganhos

Publicado 18/09/2026 • 22:40 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa caiu 1,06% na semana e encerrou quatro períodos consecutivos de valorização; dólar avançou 0,37%, a R$ 5,1442.
  • Tensão institucional no STF, decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e novas dúvidas fiscais elevaram a cautela ao longo dos pregões.
  • Reta final da eleição ampliou a sensibilidade dos ativos a Brasília, com pesquisas apertadas e o reajuste do Bolsa Família no centro do debate político e fiscal.

Depois de quatro semanas consecutivas de alta, o Ibovespa encontrou nesta semana uma combinação de riscos. O principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 1,06% entre segunda e sexta-feira e encerrou o período aos 185.229,17 pontos. O dólar avançou 0,37%, para R$ 5,1442.

Ao longo dos cinco pregões, o mercado precisou recalibrar a percepção sobre segurança institucional, trajetória dos juros, contas públicas e uma eleição presidencial que entra na reta final sem reduzir a incerteza sobre os rumos da política econômica.

STF adiciona risco institucional ao preço dos ativos

Um dos principais pesos domésticos veio do Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão extraordinária de terça-feira (15), convocada para discutir procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e investigações ligadas ao Banco Master terminou sem resolução e foi marcada por bate-boca entre ministros. O julgamento foi suspenso depois de pedido de vista de Flávio Dino.

Para o mercado, episódios desse tipo importam porque previsibilidade jurídica entra diretamente no cálculo de risco.

Investidores de longo prazo precisam estimar não apenas inflação, juros e crescimento, mas também a estabilidade das regras e a capacidade das instituições de resolver conflitos de forma previsível. Quando essa percepção piora, o efeito pode aparecer em maior prêmio de risco, menor disposição para aumentar posições e preferência por ativos considerados mais seguros.

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Superquarta reduz vantagem relativa dos juros brasileiros

Na quarta-feira (16), o foco passou para a política monetária. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. No Brasil, horas depois, o Banco Central cortou a Selic de 14% para 13,75%. Nesse dia, o Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,51%.

As decisões reduziram, ainda que gradualmente, a diferença entre as taxas dos dois países, o que ajuda a compensar o risco de investir no Brasil. Juros locais muito superiores aos americanos tendem a aumentar a atratividade relativa de ativos denominados em reais. Quando essa distância diminui, fatores domésticos como risco fiscal, eleição e segurança jurídica passam a ter peso ainda maior na decisão de alocação.

Reajuste do Bolsa Família abre nova preocupação fiscal

Na quinta-feira (17), o governo anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. A despesa adicional é estimada em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.

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A reação apareceu rapidamente nos preços. O Ibovespa chegou a sair de 186.885,23 pontos para 183.242,37 pontos dentro do mesmo pregão, enquanto o dólar alcançou R$ 5,1768. Depois, os movimentos foram revertidos, e a bolsa terminou em alta de 0,24%, com o dólar em queda de 0,23%.

O anúncio acrescentou duas dúvidas simultâneas.

A primeira é fiscal. O mercado passou a incorporar o custo permanente do novo patamar do benefício e o espaço que a despesa ocupará nas contas do próximo ano.

A segunda é política. O reajuste foi anunciado a 17 dias do primeiro turno e rapidamente entrou no confronto entre governo e oposição, inclusive com questionamentos na Justiça Eleitoral.

Leia também: Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 44%, em empate técnico no 2º turno

Eleição mantém mercado sensível

A proximidade do primeiro turno mantém os ativos brasileiros mais sensíveis a qualquer notícia política, fiscal ou institucional. A menos de três semanas da votação, investidores seguem tentando antecipar o impacto do resultado eleitoral sobre a política econômica, a trajetória da dívida e a condução das contas públicas.

A nova rodada da pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, não adicionou surpresa no cenário eleitoral. Lula apareceu com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma eventual disputa de segundo turno, exatamente os mesmos percentuais da pesquisa anterior e dentro da margem de erro de dois pontos.

A estabilidade ajudou a limitar parte da pressão que vinha do chamado trade eleitoral. Em vez de provocar uma nova reprecificação dos ativos, o levantamento reforçou um quadro já conhecido pelo mercado.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa caiu 0,41%, aos 185.229,17 pontos, consolidando a primeira semana negativa depois de quatro consecutivas de valorização. O dólar terminou a R$ 5,1442. Commodities também pressionaram o índice no último pregão, mas o resultado semanal refletiu um ambiente mais amplo de cautela.

No fim, a semana funcionou como um teste mais duro para o apetite por risco. A reação dos investidores mostrou que, com o Ibovespa em patamar elevado, o mercado entrou em uma fase de maior seletividade, em que novas altas passam a depender mais de confirmação nos fundamentos do que apenas de fluxo e expectativa.

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