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De eletrodomésticos a grandes bancos: Copa do Mundo mexe com ações no Brasil e no exterior
Publicado 18/05/2026 • 22:50 | Atualizado há 7 minutos
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Publicado 18/05/2026 • 22:50 | Atualizado há 7 minutos
KEY POINTS
Bolsa de valores
Pixabay
Com a convocação dos 26 jogadores de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 anunciada nesta segunda-feira (18), o torneio já é tratado pelo mercado financeiro como tese de investimento. Relatórios de Santander e XP mapearam ações no Brasil e no exterior que podem se beneficiar (ou não) com o Mundial.
No Brasil, a expectativa é que o evento mexa com o varejo de forma desigual. A Copa tende a antecipar compras de camisas, televisores, eletrodomésticos, bebidas e itens para churrasco, mas também pode esvaziar lojas físicas durante os jogos, especialmente no segmento de moda.
Segundo relatório do Santander, os meses de Copa nas últimas cinco edições tiveram crescimento anual mais fraco do que o desempenho do varejo no ano cheio.
“Consideramos esse padrão como evidência de que a Copa do Mundo tende a impactar negativamente o desempenho geral das vendas no varejo”, escrevem os analistas.
A explicação está na mudança de comportamento do consumidor. O brasileiro compra mais em janelas específicas (antes das partidas), mas reduz a circulação nas lojas durante os jogos. O efeito pesa mais sobre categorias que dependem de fluxo contínuo ao longo do dia.
Leia também: Quanto cada jogador pode receber se o Brasil levar o hexa?
O principal destaque positivo do Santander é o Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro. O banco estima que a Copa do Mundo pode adicionar 4% à receita da varejista esportiva em 2026, acima da contribuição de 3% observada em 2022.
Segundo o relatório, a companhia já teria encomendado cerca de 850 mil camisas da Seleção Brasileira para o torneio.
Bens duráveis também aparecem entre os segmentos que podem ganhar. Para o Santander, a Copa funciona como uma espécie de “Black Friday adicional” para televisores e eletrodomésticos, com cerca de um mês extra de vendas.
Nesse grupo, entram Casas Bahia (BHIA3) e Mercado Livre (MELI34). A parceria entre as duas marcas é citada como um vetor adicional, por ampliar a exposição às vendas online de bens duráveis.
Outro nome citado é a Vulcabras (VULC3), que opera a marca Mizuno no Brasil. A tese está ligada ao crescimento das chuteiras da marca japonesa entre jogadores profissionais.
Supermercados aparecem em uma posição mais defensiva. Assaí (ASAI3), Grupo Mateus (GMAT3) e Pão de Açúcar (PCAR3) podem ser beneficiados pela demanda por bebidas, carnes, snacks e itens de churrasco, mas o efeito tende a ser mais limitado do que em artigos esportivos e bens duráveis.
Do outro lado da carteira, o Santander coloca em alerta as varejistas de moda.
Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Guararapes (GUAR3) e Azzas (AZZA3) tendem a sofrer com a queda de fluxo nas lojas físicas em dias de jogos.
O impacto, segundo o banco, deve ser sentido principalmente entre o segundo e o terceiro trimestres de 2026, período em que a Copa será disputada.
| Empresa | Ticker | Leitura | Tese |
|---|---|---|---|
| Grupo SBF/Centauro | SBFG3 | Ganha | Santander estima contribuição incremental de 4% na receita em 2026; empresa teria encomendado cerca de 850 mil camisas da Seleção |
| Mercado Livre | MELI34 | Ganha | Pode ganhar participação em bens duráveis, com impulso de TVs e parceria com Casas Bahia |
| Casas Bahia | BHIA3 | Ganha | Copa funciona como uma “Black Friday adicional” para TVs e eletrodomésticos |
| Vulcabras/Mizuno | VULC3 | Ganha | Mizuno cresce entre jogadores profissionais; Vulcabras opera a marca no Brasil |
| Assaí | ASAI3 | Impacto limitado/defensivo | Demanda por bebidas, carnes e itens de churrasco pode compensar parte da queda de fluxo |
| Grupo Mateus | GMAT3 | Impacto limitado/defensivo | Demanda por bebidas, carnes e itens de churrasco pode compensar parte da queda de fluxo |
| Pão de Açúcar | PCAR3 | Impacto limitado/defensivo | Demanda por bebidas, carnes e itens de churrasco pode compensar parte da queda de fluxo |
| Lojas Renner | LREN3 | Fica sob pressão | Queda de fluxo em lojas físicas em dias de jogos |
| C&A | CEAB3 | Fica sob pressão | Queda de fluxo em lojas físicas em dias de jogos |
| Guararapes/Riachuelo | GUAR3 | Fica sob pressão | Queda de fluxo em lojas físicas em dias de jogos |
| Azzas | AZZA3 | Fica sob pressão | Queda de fluxo em lojas físicas em dias de jogos |
Já a XP olha para o Mundial pelo ângulo do impacto na economia americana e nas empresas globais expostas ao consumo.
Como a edição de 2026 será sediada principalmente nos Estados Unidos, a corretora vê o evento como impulsionador de turismo, transporte, hospedagem, alimentação, mídia, bebidas, tecnologia de pagamento e eletrônicos.
Segundo a XP, um estudo conjunto da Fifa e da Organização Mundial do Comércio estima impacto de US$ 17,2 bilhões no PIB americano, US$ 40,9 bilhões no PIB global, 185 mil empregos nos Estados Unidos e 824 mil no mundo.
A corretora também cita projeção da Fifa de quase 5,5 milhões de espectadores no total e impacto econômico de até US$ 30 bilhões no turismo norte-americano.
Leia também: Copa do Mundo 2026: clubes receberão US$ 355 milhões da FIFA; saiba o motivo
Na carteira global, a XP mapeia empresas expostas ao torneio em diferentes frentes.
Entre patrocinadoras oficiais e marcas associadas, aparecem Coca-Cola (KO), Visa (V), Nike (NKE), Adidas (ADDYY), McDonald’s (MCD) e Bank of America (BAC).
A Visa é parceira oficial da Fifa desde 2007 e, segundo a XP, terá exclusividade nos pagamentos em estádios e eventos oficiais do torneio. A Adidas é parceira da entidade desde 1970 e tem contrato estendido até 2030. Já a Nike, embora não seja patrocinadora oficial da Copa, veste algumas das principais seleções.
Em turismo e hospedagem, a XP cita Airbnb (ABNB) e Booking Holdings (BKNG). O Airbnb firmou parceria oficial com a Fifa e projeta mais de 380 mil hóspedes durante o torneio, com impacto econômico de US$ 3,6 bilhões nas cidades-sede.
No transporte, aparecem American Airlines (AAL), fornecedora oficial de transporte aéreo na América do Norte, Delta Airlines (DAL) e Uber (UBER).
A frente de mídia inclui Fox Corporation (FOXA) , dona dos direitos de transmissão em inglês nos Estados Unidos, e Comcast (CMCSA), que controla a transmissão em espanhol pela Telemundo. Em eletrônicos, Best Buy (BBY) e Sony (SONY) entram pela expectativa de alta nas vendas de televisores antes do torneio.
| Empresa | Ticker | Setor | Tese |
|---|---|---|---|
| Coca-Cola | KO | Bebidas | Patrocinadora oficial de bebidas não alcoólicas |
| Visa | V | Pagamentos | Parceira oficial da Fifa desde 2007; segundo a XP, terá exclusividade nos pagamentos em estádios e eventos oficiais |
| Nike | NKE | Vestuário | Patrocina seleções relevantes e tem forte presença entre jogadores |
| Adidas | ADDYY | Vestuário | Parceira oficial desde 1970; fornecedora da bola oficial |
| McDonald’s | MCD | Alimentação | Patrocinador da Fifa desde 1994 |
| Bank of America | BAC | Financeiro | Novo patrocinador oficial da Copa de 2026 |
| Airbnb | ABNB | Hospedagem | Plataforma oficial de hospedagem; projeta mais de 380 mil hóspedes durante o torneio |
| Booking Holdings | BKNG | Turismo | Exposição a reservas via Booking.com, Priceline e Agoda |
| American Airlines | AAL | Aérea | Fornecedora oficial de transporte aéreo na América do Norte |
| Delta Airlines | DAL | Aérea | Hubs em cidades-sede e exposição ao aumento de viagens |
| Uber | UBER | Mobilidade | Potencial de picos de demanda em eventos massivos |
| AB InBev | BUD | Bebidas | Budweiser é cerveja oficial da Copa até 2026 |
| Diageo | DEO | Bebidas | Supporter oficial de destilados nas Américas |
| Fox Corporation | FOXA | Mídia | Direitos de transmissão em inglês nos EUA |
| Comcast | CMCSA | Mídia | Controla Telemundo e Peacock, com audiência hispano-americana |
| Best Buy | BBY | Eletrônicos | Pode se beneficiar do pico de vendas de TVs antes do torneio |
| Sony Group | SONY | Eletrônicos | Exposição a TVs, áudio e câmeras |
No Brasil, o pano de fundo macroeconômico ainda joga contra teses mais cíclicas de varejo.
Mesmo após dois cortes consecutivos do Copom, a Selic está em 14,50% ao ano, acima dos 13,75% registrados na Copa de 2022 e bem acima dos 6,5% de 2018.
Com a renda fixa pagando juros elevados, o custo de oportunidade para comprar ações de varejo segue alto. Por isso, a exposição ao tema Copa do Mundo pode parecer mais atraente pela ponta global, em dólar, do que pela doméstica, mais sujeita à concorrência do CDI.
Para o varejo brasileiro, a tese é seletiva: ganha quem captura o pico de consumo antes dos jogos. Quem depende de fluxo constante nas lojas físicas pode ficar para trás, mesmo se a Seleção avançar até a final, em 19 de julho.
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