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Rumor de mercado liga QI Tech a carteira de R$ 500 milhões da Reag e do Banco Master

Publicado 22/06/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Fontes de mercado apontam QI Tech como candidata a carteira de R$ 500 milhões ligada à Reag
  • Créditos consignados do Banco Master estariam na origem do fundo oferecido no mercado secundário
  • QI Tech nega negociação enquanto CBSF DTVM, ex Reag Trust, segue em liquidação pelo Banco Central
Entrada de escritório moderno com parede cinza texturizada exibindo o logotipo preto da QI TECH.

Divulgação: QI Tech

Fontes de mercado apontam QI Tech como candidata a carteira de R$ 500 milhões ligada à Reag

Uma carteira de fundos de investimento em direitos creditórios avaliada em cerca de R$ 500 milhões colocou o nome da QI Tech em apurações do mercado financeiro. Segundo uma informação publicada pelo Relatório Reservado, a fintech aparece como principal candidata a comprar o portfólio, hoje nas mãos da Arandu Investimentos, novo nome da antiga Reag, alvo da Polícia Federal por atuar junto ao crime organizado.

A própria QI Tech nega qualquer negociação em andamento. Mas a recorrência do nome da empresa em reportagens de mercado, somada à origem dos créditos que compõem essa carteira, mantém o tema sob observação de analistas do setor de crédito estruturado.

Leia também: QI Tech perde na Justiça em processo de responsabilidade por pirâmide financeira

🔍 FIDC é a sigla para Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, veículo que reúne recebíveis como duplicatas, parcelas de empréstimos ou contratos de consignado, e os transforma em cotas vendidas a investidores.

A carteira em questão é majoritariamente composta por FIDCs. Conforme apurações relatadas por veículos de mercado, ela teria sido oferecida a possíveis compradores como parte do plano de desinvestimento da Arandu, gestora que assumiu o controle da antiga Reag Investimentos após a renúncia do fundador João Carlos Mansur, em setembro de 2025.

A Reag havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto daquele ano, que apontou o uso de fundos administrados pela gestora para ocultar recursos ligados a um esquema de adulteração de combustíveis. A reorganização societária que resultou na criação da Arandu é apresentada por executivos da própria casa como tentativa de isolar a operação financeira do desgaste reputacional.

Conforme apurou a Polícia Federal, fundos administrados pela Reag, entre eles o Location FIP e o Locar FIP, foram usados para ocultar recursos de um esquema de adulteração de combustíveis com metanol, comandado por Mohamad Hussein Mourad (Primo) e Roberto Augusto Leme (Beto Louco), à frente das distribuidoras Aster e Copape. A investigação associa esse esquema à facção criminosa Primeiro Comando da Capital, e aponta que a gestora chegou a receber mais de R$ 54 milhões vinculados diretamente a empresas do grupo investigado.

Créditos consignados do Master na origem do fundo

Fontes de mercado consultadas indicam que parte relevante dos créditos que compõem a carteira de R$ 500 milhões tem origem em operações de consignado do Banco Master. A informação ainda não foi confirmada por documento oficial protocolado na CVM ou no Banco Central.

Se confirmada, a ligação reforçaria o alcance da crise que atingiu o banco comandado por Daniel Vorcaro. O Banco Master é investigado na Operação Compliance Zero, que também apura supostas fraudes envolvendo fundos administrados pela Reag e transações entre veículos da própria gestora usadas para inflar artificialmente o valor de ativos do banqueiro.

Analistas ouvidos avaliam que a QI Tech teria racional de negócio para esse tipo de aquisição. A empresa ampliou sua presença em administração e custódia de fundos depois de comprar a Singulare Corretora, negócio concluído em novembro de 2024 com aval do Banco Central. A Singulare é apontada como uma das maiores administradoras independentes de FIDCs do país, o que explicaria por que o nome da fintech aparece em rumores ligados a esse tipo de portfólio.

A lógica do rumor encontra respaldo em três fatores documentados. O primeiro é a escala que a QI Tech ganhou em custódia de FIDCs após a compra da Singulare. O segundo é o caixa disponível desde a rodada de US$ 199 milhões liderada pela General Atlantic em outubro de 2023, somada à extensão que levou a empresa ao status de unicórnio em abril de 2024. O terceiro é o próprio modelo de negócio da fintech, voltado à expansão por meio de infraestrutura de crédito e administração de fundos de terceiros.

Liquidação da CBSF deixa fundos sem rumo

A estrutura que administrava boa parte dos fundos da antiga Reag passou por reorganização acelerada antes de ser liquidada. A Reag Trust DTVM foi rebatizada como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, e o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial em 15 de janeiro de 2026, citando violações graves às normas prudenciais.

A liquidação deixou um conjunto de fundos sem administrador definitivo, o que abre espaço para que outras instituições assumam a custódia de parte dessas estruturas, segundo apuração de mercado. Até a publicação desta reportagem, não há fato relevante protocolado confirmando qual instituição assumirá a administração da carteira ligada ao Master.

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Precedente judicial amplia risco para a fintech

A cautela da QI Tech em relação a ativos ligados a investigações em curso encontra respaldo em decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Em processo relacionado ao colapso do grupo Canis Majoris, suspeito de operar pirâmide financeira, a 22ª Câmara de Direito Privado manteve bloqueio de recursos da QI Tech.

O tribunal aplicou esse entendimento ao avaliar que a fintech, ao fornecer infraestrutura de pagamentos para o grupo investigado, integrou a cadeia que viabilizou o repasse de recursos às vítimas do esquema. A decisão é citada por advogados consultados por publicações especializadas como sinal de que provedores de BaaS no Brasil enfrentam risco crescente de responsabilização por operações de terceiros, ainda que atuem apenas como prestadores de infraestrutura regulada.

Em nota enviada ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a QI Tech informou que não avaliou, nem negociou a aquisição deste fundo.

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