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Megafundos dominam capital de risco e mudam estratégia dos investidores

Publicado 15/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Megafundos responderam por 72% do valor investido em venture capital no primeiro semestre.
  • Cinco fundos concentraram 73% de todo o capital novo destinado ao setor em 2026.
  • Especialistas apontam oportunidades, mas alertam para riscos de concentração.

À medida que o capital se torna mais concentrado nos mercados privados, os megafundos de venture capital (VC) passaram a dominar tanto a captação de recursos quanto os investimentos, segundo novos dados.

Os megafundos de VC – aqueles com mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,09 bilhões) em ativos – responderam por 72% de todo o valor investido em negócios nos primeiros seis meses de 2026, de acordo com a PitchBook. No mesmo período de 2025, essa participação era de apenas 25%. Gestores estreantes responderam por apenas 10%.

Os megafundos também estão concentrando a maior parte da captação de recursos. Grandes gestoras levantaram US$ 50 bilhões (R$ 254,5 bilhões) no primeiro semestre, ante US$ 8 bilhões (R$ 40,72 bilhões) no mesmo período do ano passado. Ao todo, 73% de todo o novo capital comprometido com venture capital em 2026 foi destinado a apenas cinco megafundos, segundo a PitchBook.

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Concentração cresce

O crescente poder dos grandes fundos de venture capital faz parte de uma mudança mais ampla, em que poucos vencedores concentram a maior parte dos recursos nos mercados privados e nos investimentos alternativos. Como a inteligência artificial exige volumes inéditos de capital, as gestoras com os maiores balanços têm melhor acesso a startups e empresas em expansão. Elas também foram as maiores beneficiadas pela recente onda de grandes IPOs, como o da SpaceX, o que fortalece ainda mais sua capacidade de captar recursos e cria um ciclo que favorece quem já possui grande escala.

Para os investidores, essa nova dinâmica baseada na concentração criou oportunidades e desafios. Com as maiores gestoras claramente na liderança, escolher um fundo de venture capital tornou-se mais simples. Ao mesmo tempo, conseguir acesso aos grandes fundos – e pagar suas elevadas taxas – tornou-se mais difícil até mesmo para alguns grandes escritórios familiares e investidores de patrimônio ultraelevado.

“Há cinco anos, muitos de nós discutíamos como enxergar um fundo de venture capital de US$ 1 bilhão (R$ 5,09 bilhões). Hoje, esse pode ser o valor investido por uma única gestora em uma única rodada de uma única empresa”, afirmou Theresa Hajer, chefe de pesquisa de venture capital nos Estados Unidos da Cambridge Associates.

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De forma geral, 2026 tem sido um ano de forte recuperação para o venture capital, segmento que havia perdido espaço entre os investimentos alternativos. A escassez de IPOs após 2022 deixou muitos fundos com desempenho fraco e poucas oportunidades de liquidez. Com isso, investidores reduziram os aportes em novos fundos de VC.

O retorno dos IPOs em 2026 e a corrida pelos investimentos em inteligência artificial impulsionaram a recuperação do setor. Ainda assim, esse movimento é liderado por um pequeno grupo de empresas gigantes levantando recursos e por um número igualmente reduzido de fundos responsáveis por esses aportes.

A OpenAI captou, no primeiro trimestre, US$ 122 bilhões (R$ 620,98 bilhões) com uma avaliação de mercado de US$ 852 bilhões (R$ 4,34 trilhões). A Anthropic levantou recentemente US$ 65 bilhões (R$ 330,85 bilhões) com avaliação de US$ 965 bilhões (R$ 4,91 trilhões).

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Grandes apostas

A SpaceX abriu capital em junho, estreando com avaliação de US$ 2 trilhões (R$ 10,18 trilhões) e criando o maior evento de liquidez já registrado nos mercados públicos e privados. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI já protocolaram documentos preliminares junto à SEC para abrir capital com avaliações que também podem alcançar US$ 1 trilhão (R$ 5,09 trilhões). Atualmente, existem mais de 800 unicórnios – empresas privadas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,09 bilhões) – segundo a PitchBook.

Embora a corrida pela inteligência artificial e os IPOs tenham impulsionado uma forte entrada e saída de recursos dos fundos de venture capital, ambos os movimentos estão muito mais concentrados do que em ciclos anteriores. Muitos dos investidores institucionais que ingressaram no setor durante o boom de 2021 e 2022 “desde então deixaram o mercado”, segundo o relatório semestral da PitchBook.

Eles estão sendo substituídos por fundos soberanos e outros grandes investidores capazes de comprometer volumes elevados de capital. O resultado é mais dinheiro vindo de menos investidores, direcionado para menos fundos, que por sua vez investem valores maiores em um número menor de empresas.

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Além da capacidade de emitir cheques maiores, os megafundos também possuem mais flexibilidade para investir tanto em rodadas iniciais quanto em fases mais avançadas das empresas. Já os fundos menores normalmente ficam restritos a uma única estratégia.

Entre 2024 e 2025, a Andreessen Horowitz investiu em mais de 300 rodadas seed e Série A, segundo a PitchBook. Apenas no primeiro semestre de 2026, a gestora participou de 74 rodadas seed, Série A e Série B. General Catalyst, Lightspeed Venture Partners e Sequoia Capital responderam, juntas, por outras 104 operações no período.

No lado da captação, a Thrive Capital concluiu seu fundo Thrive X, de US$ 10 bilhões (R$ 50,9 bilhões); a Sequoia Capital levantou um fundo de US$ 7 bilhões (R$ 35,63 bilhões) voltado para IA em estágio avançado; a Andreessen Horowitz fechou um fundo de crescimento de US$ 6,75 bilhões (R$ 34,36 bilhões); e a Founders Fund, de Peter Thiel, concluiu o Growth IV, de US$ 6 bilhões (R$ 30,54 bilhões), o maior de sua história.

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Cada vez mais, os fundos de venture capital também permanecem por mais tempo como acionistas das empresas investidas.

Diversificação continua importante

Hajer afirmou que um dos principais fatores por trás dessa concentração é o sucesso de gestoras que investiram cedo em empresas como SpaceX e OpenAI, acompanhando sua valorização ao longo do tempo.

“Grande parte da escala dessas plataformas veio dos fundos de crescimento, que continuaram financiando essas empresas e impulsionaram essa concentração”, afirmou.

Segundo ela, investidores que buscam desempenho acima da média precisam manter alguma exposição ao venture capital, e alguns dos megafundos “estão muito bem posicionados para oferecer esse acesso.”

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Por outro lado, ela ressalta que é preciso avaliar cuidadosamente o perfil de risco, os planos de sucessão e as estratégias de saída de cada gestora. Também recomenda priorizar fundos que investiram cedo nas empresas desejadas, em vez daqueles que entraram apenas nas rodadas mais avançadas.

“As pessoas esquecem que a SpaceX levou 20 anos para chegar até aqui. Esses fundos começaram investindo em estágio inicial e acompanharam a valorização dessas empresas ao longo do tempo”, afirmou Hajer.

Embora possa parecer tentador concentrar todo o investimento em venture capital nos megafundos, ela defende que a diversificação continua sendo fundamental no longo prazo. Além da inteligência artificial, investidores também deveriam buscar exposição a setores como biotecnologia e saúde.

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“Ainda existem grandes oportunidades em outros setores. É preciso pensar nos próximos cinco ou dez anos”, concluiu.

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