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Ibovespa fecha em alta de 1,25% e esbarra nos 180 mil pontos com alívio externo e puxado por Petrobras
Publicado 16/03/2026 • 17:10 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 16/03/2026 • 17:10 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
O Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira (16) em alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos, após oscilar entre a mínima de 177.656,24 pontos e a máxima de 181.254,85 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,4 bilhões.
O principal índice da bolsa brasileira recuperou parte das perdas recentes em um pregão marcado por melhora do apetite por risco, acompanhando o avanço das bolsas em Nova York e o enfraquecimento do dólar no exterior. O movimento ocorreu em meio a sinais de possível alívio geopolítico no Oriente Médio e ao recuo do petróleo, embora a commodity ainda siga em patamar elevado.
A sessão teve semelhança com o movimento visto no início da semana passada, quando uma acomodação dos preços do Brent ajudou a aliviar, ainda que de forma parcial, os prêmios de risco nos mercados emergentes.
O índice também foi puxado pelo desempenho da Petrobras (PETR4; PETR3) que subiu 2,04% e 1,50% respectivamente. Os bancos também contribuíram com o desempenho: Itaú (ITUB4) saltou 1,42%, cotado a R$ 43, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) avançou 0,38%, negociado a R$ 23,90.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, afirmou que o mercado reagiu a um novo discurso de Donald Trump em tom mais brando sobre a guerra com o Irã, repetindo um padrão recente de melhora dos ativos de risco. Segundo ele, porém, o movimento ainda inspira cautela.
Na avaliação do especialista, o mercado pode estar “querendo se enganar”, já que a semana concentra eventos relevantes, como as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto o petróleo segue acima de US$ 100 por barril e continua representando um risco inflacionário importante para a economia global.
Sant’Anna observou ainda que a bolsa brasileira ignorou sinais domésticos mais duros, como a piora das projeções do Boletim Focus para inflação e juros. Segundo ele, a queda da curva local foi um contrassenso em um dia de noticiário ainda frágil no exterior e de maior cautela no cenário monetário.
Leia também: Ibovespa: após rali, quedas sucessivas de março afetam ganhos de 2026
Rafael Pastorello, portfolio manager do Banco Sofisa, também vê o movimento desta segunda como um alívio pontual, sem sinalizar mudança estrutural no cenário.
“O alívio parcial observado no fechamento do Ibovespa e no mercado de câmbio nesta sessão guarda semelhança com o movimento registrado na segunda-feira da semana passada, quando a melhora do sentimento dos investidores — tanto no ambiente doméstico quanto no externo — esteve fortemente associada à correção dos preços do petróleo Brent”, afirmou.
Segundo ele, a queda da commodity ajudou a reduzir marginalmente os prêmios de risco, especialmente em mercados emergentes, favorecendo ativos locais mais sensíveis ao fluxo internacional.
Apesar disso, Pastorello pondera que o ambiente segue altamente volátil. “A sustentabilidade do movimento recente segue condicionada à evolução do conflito no Oriente Médio e aos seus potenciais impactos sobre preços de energia e expectativas inflacionárias globais”, disse.
Ao longo da semana, acrescenta o gestor, o foco dos investidores deve migrar para a chamada Superquarta, com as decisões e, principalmente, os comunicados dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. A expectativa predominante é de um tom mais cauteloso, diante do elevado grau de incerteza externa.
Gabriel Brondi, sócio da The Link Investimentos, também destacou que o mercado reagiu positivamente à sinalização de possível distensão no conflito no Oriente Médio e à queda do petróleo.
“Investidores reagiram bem, buscando compra em ativos de risco. A gente vê os índices americanos subindo em torno de 1% e o Brasil acompanhando, com Vale, Petrobras e bancos performando bem”, afirmou.
Segundo ele, a queda do petróleo para abaixo de US$ 100 também ajudou a aliviar parte das pressões sobre os mercados.
“A gente viu o petróleo sendo negociado abaixo de US$ 100, o que é positivo. Também tivemos uma queda nas taxas de juros locais, o que ajudou o sentimento do mercado”, disse.
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Siga o Times | CNBCBrondi ressaltou, porém, que o cenário segue incerto e fortemente dependente do noticiário externo.
“O mercado agora segue guiado pelo exterior. Se tivermos notícias negativas sobre o conflito durante a madrugada, podemos acordar com o mercado mais estressado amanhã”, afirmou.
Na avaliação do gestor, as decisões de juros desta semana permanecem no radar dos investidores, especialmente a reunião do Copom.
“O mercado hoje precifica majoritariamente um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas ainda há muita incerteza. A sinalização do Copom sobre inflação e cenário externo deve ser o ponto mais importante”, disse.
Maiores altas do Ibovespa
| Empresa | Código | Variação no dia (%) | Fechamento (R$/ação) |
|---|---|---|---|
| CSN | CSNA3 | 5,42 | 6,03 |
| Magalu | MGLU3 | 5,35 | 9,84 |
| Embraer | EMBJ3 | 4,20 | 76,96 |
| Brava Energia | BRAV3 | 4,08 | 18,64 |
| Direcional | DIRR3 | 3,55 | 13,99 |
| C&A Modas | CEAB3 | 3,51 | 11,51 |
| Prio | PRIO3 | 3,46 | 59,80 |
| Localiza | RENT4 | 2,95 | 42,88 |
| Braskem | BRKM5 | 2,91 | 11,68 |
O campo positivo foi liderado por ações cíclicas e sensíveis à atividade doméstica, segundo dados do TradeMap. A CSN teve a maior alta do índice, com avanço de 5,42%, seguida por Magalu, que subiu 5,35%. Também se destacaram Embraer, Brava Energia e Direcional, em um pregão de recuperação mais disseminada entre papéis de consumo, construção, aviação e energia.
Maiores baixas do Ibovespa
| Empresa | Código | Variação no dia (%) | Fechamento (R$/ação) |
|---|---|---|---|
| Porto Seguro | PSSA3 | -4,00 | 47,34 |
| RaiaDrogasil | RADL3 | -0,93 | 23,36 |
| Ultrapar | UGPA3 | -0,69 | 25,94 |
| Weg | WEGE3 | -0,52 | 45,97 |
| BB Seguridade | BBSE3 | -0,49 | 34,88 |
| Suzano | SUZB3 | -0,47 | 53,15 |
| Marfrig | MBRF3 | -0,41 | 16,83 |
| Natura | NATU3 | -0,35 | 8,63 |
Do lado negativo, segundo o TradeMap, as perdas foram mais moderadas. Porto Seguro liderou as baixas, com recuo de 4,00%, enquanto nomes mais defensivos, como RaiaDrogasil, Ultrapar, Weg e BB Seguridade, também fecharam no vermelho.
Leia também: Guerra, juros e bolsa: a Super Quarta que pode definir o rumo do Ibovespa
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,63%, cotado a R$ 5,2298 para venda, após oscilar entre R$ 5,2255 e R$ 5,2821. A moeda americana devolveu boa parte da alta recente, em meio ao enfraquecimento global do dólar, ao recuo do petróleo e a duas atuações do Tesouro no mercado de títulos, que ajudaram a aliviar a curva de juros no Brasil.
Na avaliação de Felipe Sant’Anna, o mercado ainda opera em terreno frágil. Apesar da alta do Ibovespa e da melhora dos ativos globais, o pano de fundo permanece desafiador, com o petróleo acima de US$ 100, tensões no Oriente Médio ainda sem solução definitiva e incerteza sobre o rumo dos juros.
Para Rafael Pastorello, o alívio desta segunda-feira deve ser lido com cautela. Segundo ele, o comportamento dos mercados segue altamente dependente do noticiário geopolítico e dos desdobramentos da política monetária. Nesse contexto, a direção dos ativos nos próximos dias deve depender da evolução do conflito e do tom adotado por Fed e Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) em seus comunicados.
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