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JPMorgan vê oportunidade em títulos dos EUA e pede cautela com ações de IA

Publicado 28/10/2026 • 20:32 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Estrategista Marina Valentini avalia que a alta dos rendimentos abriu uma oportunidade nos títulos americanos de dois a cinco anos.
  • Para a JPMorgan Asset, o avanço da inteligência artificial favorece empresas de chips, equipamentos e energia, mas exige seletividade.
  • Inflação, déficit fiscal e emissão de dívidas por gigantes de tecnologia podem manter os juros longos dos EUA em níveis elevados.

A elevação dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos abriu uma oportunidade de investimento na renda fixa americana, especialmente nos papéis com vencimento entre dois e cinco anos, avaliou Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset, em entrevista nesta quarta-feira (28) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para ela, o movimento recente de queda das taxas indica que a fase mais difícil para esses ativos pode ter passado.

“Depois desse movimento forte nos yields, achamos que o pior já ficou para trás e agora podemos ver um alívio nos yields daqui para frente”, afirmou. A estrategista explicou que a mudança nas expectativas para o Federal Reserve (Fed) fez os rendimentos subirem cerca de 100 pontos-base ao longo do ano, pressionando o desempenho dos títulos.

A especialista disse que o mercado deixou de projetar três cortes de juros no início do ano e passou a considerar novas elevações, inclusive na última reunião de 2026. Ainda assim, considera que a renda fixa americana oferece uma alternativa de diversificação para o investidor brasileiro em meio à turbulência política doméstica.

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IA exige mais seletividade na Bolsa americana

Na renda variável, Valentini vê suporte para as ações dos Estados Unidos na expansão dos lucros corporativos. Segundo a estrategista, a expectativa é de crescimento de 32% nos lucros do S&P 500 neste ano, apesar das incertezas geopolíticas e das dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial.

“Acho que agora já é um pouco mais difícil. Não é só apostar na Bolsa americana como um todo. Vamos ter que ser mais seletivos aqui”, disse. Além das companhias ligadas à inteligência artificial, ela citou os setores financeiro, industrial e de energia como formas de equilibrar a exposição às ações americanas.

A executiva afirmou que as grandes provedoras de computação em nuvem devem investir US$ 800 bilhões (R$ 4,30 trilhões) neste ano em infraestrutura de IA. Segundo as projeções mencionadas na entrevista, os desembolsos podem chegar a US$ 1 trilhão (R$ 5,38 trilhões) em 2027 e novamente em 2028. Com a pressão sobre o caixa dessas empresas, o mercado passou a favorecer fabricantes de semicondutores, equipamentos e fornecedores de energia.

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“O mercado está diferenciando muito mais entre os ganhadores e os perdedores dessa narrativa de inteligência artificial”, avaliou. Para 2027, ela apontou como principal questão a capacidade de as empresas transformarem a adoção da tecnologia em ganhos efetivos de produtividade e margens. Segundo Valentini, cerca de 24% das empresas americanas já adotaram IA.

Juros longos ainda enfrentam riscos fiscais

Questionada sobre os títulos do Tesouro americano de dez anos, Valentini atribuiu a alta dos rendimentos a uma combinação de expectativas de aperto monetário, inflação de energia, mudanças na demanda por Treasuries e maior emissão de dívidas pelas empresas de tecnologia. Ela mencionou que a taxa chegou a 5,3% e depois recuou para perto de 5% em outubro.

“Não é um ciclo superagressivo de alta de juros. É um miniciclo aqui de aperto de política monetária”, explicou. A estrategista destacou a inflação americana de 3,7% em setembro e a possibilidade de o índice encerrar o ano próximo de 4%, em meio à pressão dos preços do petróleo e de derivados.

Outro fator é a mudança no perfil dos compradores de títulos americanos: investidores europeus e japoneses encontram agora remuneração maior em seus mercados domésticos. Ao mesmo tempo, a expansão das emissões de dívida corporativa ligada à IA pode disputar recursos com os papéis públicos de prazo mais longo.

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“As pressões fiscais para os Estados Unidos continuam sendo uma pauta-chave para os mercados”, ressaltou. Valentini citou um déficit próximo de US$ 2 trilhões (R$ 10,76 trilhões) e a possibilidade de a dívida pública subir de 100% para 120% do PIB na próxima década, cenário que exige maior prêmio de risco dos investidores.

Apesar do recuo recente dos rendimentos, a estrategista afirmou que os juros de dez anos podem permanecer elevados caso a situação fiscal americana volte ao centro das preocupações. “A gente acha que já está aqui num movimento mais normalizado, mas tem sempre o risco de ele se manter ancorado até mais alto se as pressões fiscais voltarem ao foco dos mercados”, concluiu.

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