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Mercado revê apostas após semestre de reviravoltas geopolíticas
Publicado 30/06/2026 • 23:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 30/06/2026 • 23:35 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A economia brasileira fecha o primeiro semestre de 2026 sob o signo da reviravolta, com o mercado revendo drasticamente as expectativas traçadas no início do ano após os conflitos geopolíticos deflagrados em 28 de fevereiro. Em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, faz uma leitura que do período e das perspectivas que devem guiar investidores e empresas no segundo semestre.
Até o final de fevereiro, o horizonte para os investimentos no Brasil era claramente favorável: o mercado projetava um Ibovespa rompendo os 200 mil pontos já em março, com o dólar cotado próximo de R$ 4,90. Esse cenário mudou de forma abrupta após a eclosão dos conflitos internacionais.
“Houve a questão da inflação, os juros que prevíamos nesse final de ano, mais próximo de 13, agora tá mais próximo de 14. Mudou bastante o cenário. Quando a gente olha para investimentos, o que ficou muito claro é que investidores globais passaram a reduzir o financiamento de investimentos de risco, principalmente em países emergentes”, afirmou o economista.
O Ibovespa permaneceu por semanas abaixo dos 170 mil pontos, o real perdeu valor e os juros futuros dispararam. Para Agostini, esse movimento reflete a incerteza generalizada sobre os desdobramentos do conflito na política monetária global.
O economista-chefe da Austin Rating, afirma que a atividade econômica resiste, mas mercado de trabalho aquecido preocupa o Banco Central. Apesar da volatilidade nos mercados financeiros, os fundamentos da economia real seguem surpreendendo positivamente.
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Siga o Times | CNBC“Vimos um número ainda muito positivo de crescimento econômico do PIB. A taxa de desemprego é uma das menores da história do Brasil. Ainda que houve desaceleração do ritmo de atividade no mercado de trabalho, continua ainda ter uma geração positiva de emprego”, disse o Agostini, creditando o impulsionamento à política de expansão fiscal do governo.
O cenário-base aponta para valorização moderada das ações brasileiras ao longo do semestre, mesmo com a valorização registrada em março parecendo distante, o economista afirma que a meta dos 200 mil pontos permanece no horizonte, condicionada à manutenção do ambiente atual e à continuidade da trajetória de queda de juros no Brasil — uma combinação que, se sustentada, pode oferecer uma alavancagem mais consistente aos ativos de renda variável do país.
Agostini reforça que o período que se inicia agora traz desafios adicionais relevantes: além da inflação e dos juros, a questão fiscal e o calendário eleitoral devem dominar as atenções do mercado. “Esse é um grande ponto importante, porque é como nós vamos avaliar e os investidores também, qual será a perspectiva pro próximo presidente em termos de apresentar propostas para tirar o país dessa situação fiscal”, afirmou.
Fechando a análise, o economista-chefe afirma que o dólar encerrou o semestre com queda de quase 6% frente ao real, resultado que perde sustentação diante da saída expressiva de investidores estrangeiros registrada em maio e junho. A projeção para o segundo semestre é de possível reversão dessa tendência.
“A perspectiva daqui para frente é que caso a taxa de juro nos Estados Unidos suba em setembro, no Brasil, o real pode perder valor, ou seja, se desvalorizar frente ao dólar, justamente porque há uma continuidade de saída de fluxo desse capital para o exterior, principalmente para títulos do tesouro norte-americano”, finalizou.
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