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Minerva, JBS e MBRF: quem pode ganhar mais com a suspensão da tarifa sobre carne bovina nos EUA

Publicado 23/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Minerva tem a exposição mais direta à oportunidade, com 56,6% da receita bruta do segundo trimestre vinda de exportações e 12% das vendas externas destinadas aos Estados Unidos.
  • JBS e MBRF também podem se beneficiar, mas o efeito tende a ser menos linear porque ambas possuem grandes operações de carne bovina dentro do mercado americano.
  • Brasil parte de uma posição forte na disputa por esse volume, após liderar as importações americanas de carne bovina no primeiro semestre de 2026.

Trump anunciou na sexta-feira (21) que pretende reduzir por 90 dias as tarifas aplicadas a esse volume de carne importada. O objetivo é aumentar a oferta e tentar conter os preços ao consumidor americano.

A medida não reserva o volume ao Brasil, mas o país chega à nova rodada em posição relevante para disputar parte dessa demanda.

No primeiro semestre de 2026, o Brasil foi o maior fornecedor externo de carne bovina aos Estados Unidos, com 716,9 milhões de libras, aproximadamente 325 mil toneladas. A Austrália apareceu logo atrás, com 699,5 milhões de libras. No total, os americanos importaram quase 3,3 bilhões de libras no período.

Para os investidores, a questão agora é como essa abertura pode afetar Minerva (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3). Os três grupos têm capacidade de acessar o mercado americano, mas com exposições bem diferentes.

Leia também: JBS bate recorde de receita, com US$ 23,9 bilhões, e vê melhora de rentabilidade nas operações

Minerva tem exposição mais direta

Entre as três companhias, a Minerva apresenta a ligação mais direta com uma eventual expansão das compras americanas.

No segundo trimestre, 56,6% da receita bruta da companhia veio de exportações, equivalentes a R$ 8,5 bilhões. Considerando as principais operações de carne bovina e ovina, a parcela exportada superou 60% da receita.

Os Estados Unidos já são um dos principais destinos da companhia. No trimestre, responderam por 12% da receita de exportação da Minerva, enquanto a China representou 18%.

A própria empresa destacou no balanço que a oferta restrita de gado nos Estados Unidos vinha pressionando a produção americana e criando oportunidades para exportadores da América do Sul.

Além disso, a Minerva opera uma plataforma essencialmente voltada à produção na América do Sul, além de ativos de ovinos na Austrália e no Chile. Por isso, uma eventual expansão das compras americanas de carne sul-americana tende a ter efeito mais direto sobre a atividade exportadora da companhia.

JBS tem negócios dos dois lados da fronteira

Para a JBS, a leitura é mais complexa. De um lado, a operação brasileira vem registrando exportações fortes. A JBS Brasil teve receita líquida de US$ 4,6 bilhões no segundo trimestre, alta de 28%, e a companhia atribuiu parte do desempenho ao aumento de volumes e preços nas vendas externas.

Do outro, a JBS é uma das maiores processadoras de carne bovina dentro dos próprios Estados Unidos.

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A JBS Beef North America faturou US$ 7,8 bilhões no segundo trimestre, mas registrou Ebitda ajustado negativo de US$ 78,3 milhões em IFRS. A unidade vem enfrentando preços elevados do gado americano e margens pressionadas pela oferta restrita de animais.

Isso cria exposições diferentes dentro do mesmo grupo. Uma abertura maior para produtos importados pode criar oportunidades para os negócios exportadores, enquanto o efeito sobre as operações americanas depende de como a oferta adicional afetará custos, preços e margens no mercado local.

A diversificação da JBS também dilui o peso de uma mudança específica no mercado de carne bovina. Além do segmento de bovinos, o grupo possui operações globais de aves, suínos e alimentos preparados.

MBRF também combina exportação e operação americana

Na América do Sul, a operação de carne bovina da MBRF registrou receita líquida de R$ 6,39 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 26,4% em um ano. A expansão foi apoiada, entre outros fatores, pela demanda externa.

Mas a companhia também controla uma operação de grande porte nos Estados Unidos por meio da National Beef, divisão de bovinos que teve receita de US$ 3,75 bilhões no trimestre, alta de 14,9%. O volume vendido cresceu 2%, apesar da menor disponibilidade de gado, mas a rentabilidade continuou pressionada pelo custo dos animais.

Assim como na JBS, uma eventual expansão das exportações sul-americanas pode beneficiar uma parte do negócio, enquanto o impacto consolidado depende também do comportamento da operação americana.

Leia também: Caminhão da JBS ultrapassa a marca de mais de 500 mil km rodados apenas com biodiesel

Brasil já ocupa espaço relevante nos EUA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a produção doméstica cairá 4% em 2026, para 24,967 bilhões de libras, em meio à oferta restrita de animais para abate. Ao mesmo tempo, a previsão para as importações foi elevada para 6,132 bilhões de libras, alta de 14% sobre 2025.

O rebanho de vacas de corte também continua apertado. Em julho, os Estados Unidos tinham 28,5 milhões de vacas destinadas à produção de carne, queda de cerca de 1% em um ano, enquanto a estimativa para a safra de bezerros recuou 2%.

Segundo o USDA, boa parte da carne brasileira destinada aos Estados Unidos é formada por cortes e aparas magras usados pela indústria americana na fabricação de carne moída. Esses produtos são misturados à carne com maior teor de gordura produzida localmente, justamente o segmento atingido pelo anúncio de Trump.

O Brasil exportou 3,50 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, considerando todas as categorias, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). As 300 mil toneladas mencionadas por Trump equivalem a cerca de 8,6% de todo esse volume. Isso ajuda a dimensionar o tamanho potencial da abertura.

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