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EXCLUSIVO CNBC: Commodities ganham força como proteção diante de riscos com dólar e juros, diz diretor da Morgan Stanley

Publicado 21/08/2026 • 19:43 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Lucros corporativos seguem fortes e sustentam a tendência de alta do mercado, apesar dos riscos com petróleo, juros e dívida americana.
  • Custos maiores para financiar a expansão da inteligência artificial exigem mais cautela com empresas ligadas ao setor, segundo executivo.
  • Ouro, prata, cobre e energia ganham espaço nas carteiras como forma de diversificação e proteção diante das preocupações com o dólar.

A força dos lucros corporativos ainda sustenta a tendência de alta do mercado, mas o avanço dos juros, as preocupações com a dívida dos Estados Unidos e os custos crescentes para financiar investimentos em inteligência artificial aumentam a necessidade de diversificação, segundo Jim Lacamp, diretor executivo do Morgan Stanley. Em entrevista nesta sexta-feira (21) à CNBC Internacional, ele apontou as commodities como uma alternativa para investidores protegerem suas carteiras diante desse cenário.

Lacamp classificou o momento como um “mercado de touro agitado”, no qual os obstáculos permanecem, mas ainda não foram suficientes para interromper a tendência positiva. “A forma de engordar o touro é com lucros. Os resultados financeiros foram simplesmente fantásticos”, afirmou.

O executivo destacou que 88% das companhias superaram as metas de receita e que houve crescimento dos ganhos e das projeções em diferentes setores. “Foi uma temporada de lucros muito, muito saudável e temos um mercado que enfrenta alguns problemas, mas, de modo geral, as tendências ainda estão em vigor”, avaliou.

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Lucros ainda sustentam mercado

Entre os riscos, Lacamp chamou atenção para os preços do petróleo, que podem permanecer elevados por mais tempo do que o mercado espera. Segundo ele, apesar do aumento na contagem de sondas nos Estados Unidos, a produção americana apresenta queda na quantidade de barris, enquanto boa parte dos recursos de exploração mais fácil já foi aproveitada.

Os juros representam outro ponto de atenção, mas, para o executivo, a trajetória dos resultados empresariais continua sendo um importante fator de sustentação. “Seria altamente incomum para um mercado entrar em qualquer tipo de território de baixa, com os lucros em alta, especialmente aumentos de dois dígitos”, ressaltou.

No curto prazo, porém, Lacamp vê um risco adicional no calendário. “Historicamente, setembro é o nosso pior mês do ano. É o único mês negativo do ano e, em um ano de meio de mandato, é particularmente difícil”, disse. Por isso, acrescentou, “é possível que tenhamos um mês de bastante volatilidade pela frente”.

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Dívida e juros entram no radar

As condições do mercado de dívida dos Estados Unidos também preocupam o executivo. Lacamp citou o volume da dívida americana, de US$ 41 trilhões (R$ 211,15 trilhões), ao questionar se o cenário pode exigir a manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo.

As taxas maiores começam ainda a afetar o financiamento da infraestrutura necessária para a expansão da inteligência artificial, um dos principais motores dos lucros corporativos. “Essas companhias estão sendo obrigadas a pagar cada vez mais para financiar a expansão da IA. E esse tem sido um grande motor para os lucros”, explicou.

O risco, segundo Lacamp, está em uma eventual escalada desses custos. “Se em algum momento essas taxas ficarem proibitivas, teremos um problema”, alertou.

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Commodities entram como proteção

É nesse ambiente que o executivo vê espaço para uma maior exposição às commodities. “Eu realmente adoro as commodities aqui”, afirmou Lacamp, relacionando o desempenho do ouro e do Bitcoin às preocupações com o mercado de títulos do Tesouro e seus possíveis reflexos sobre o dólar.

Para ele, o momento representa “uma boa oportunidade para os investidores agora observarem o setor de commodities”. Lacamp citou cobre, ouro, prata, energia e o índice de commodities entre os ativos que estão apresentando movimento relevante.

A vantagem não estaria apenas no potencial de valorização, mas também na diversificação. “Os investidores podem incluí-los em suas carteiras e obter uma correlação menor do que se fossem apenas ações tradicionais”, explicou. “Não é apenas uma estratégia econômica atual, mas também uma forma de proteger um pouco sua carteira.”

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Segundo o executivo, a própria valorização desses ativos funciona como um sinal sobre a percepção dos investidores. “O fato de estarem se movimentando da maneira como estão demonstra que há preocupações com o dólar”, destacou.

IA exige cautela com financiamento

Lacamp também avaliou os riscos para empresas relacionadas à inteligência artificial diante da mudança nas condições de financiamento. Embora veja sinais positivos e a retomada do interesse comprador em algumas ações, ele considera necessário acompanhar de perto o aumento dos custos.

“Quando você vê os custos de financiamento subirem no complexo, você simplesmente precisa ser muito mais cauteloso”, afirmou. Segundo ele, existe o risco de chegar um momento em que as empresas concluam que determinados projetos deixam de ser economicamente viáveis diante dos preços e das taxas de juros.

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Por enquanto, Lacamp não considera que esse ponto tenha sido alcançado. “Neste momento, eu acho que estamos bem. Mais uma vez vemos interesse comprador em muitos desses nomes, mas é algo que precisamos monitorar de perto”, concluiu.

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