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Assembleia Geral da ONU: em discurso, presidente palestino cobra ação internacional contra Israel e defende solução de dois Estados

Publicado 24/09/2026 • 12:45 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • Abbas acusou Israel de conduzir uma “guerra genocida” em Gaza e de adotar políticas que, segundo ele, pressionam palestinos a deixar seus territórios.
  • O presidente palestino voltou a defender a solução de dois Estados e afirmou que um Estado palestino deve coexistir com Israel em condições de segurança e paz.
  • Abbas também criticou os Estados Unidos por restringirem a participação da delegação palestina na ONU e defendeu o uso de instituições internacionais como via pacífica para reivindicar direitos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, acusou Israel de conduzir uma “guerra genocida” na Faixa de Gaza e afirmou que as políticas israelenses também ameaçam a permanência dos palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, ele voltou a defender a criação de um Estado palestino ao lado de Israel como caminho para encerrar o conflito.

Ao tratar da situação em Gaza, Abbas afirmou que a população palestina está submetida a “assassinatos, fome e deslocamento forçado” e disse que a ofensiva israelense provocou uma “catástrofe humanitária sem precedentes”.

Segundo ele, a destruição atingiu “bairros, cidades, campos, instituições, escolas, universidades, hospitais, mesquitas e igrejas”, além de comprometer serviços essenciais e afetar diferentes gerações de palestinos.

Abbas participou da Assembleia Geral de forma virtual após ser impedido de entrar nos Estados Unidos, país-sede da ONU. Washington negou o visto ao presidente palestino pelo segundo ano consecutivo, alegando que a Organização para a Libertação da Palestina não cumpriu reformas assumidas e manteve ações consideradas prejudiciais às perspectivas de paz.

No discurso, Abbas criticou a decisão e afirmou que barrar a delegação palestina do encontro representa uma violação das obrigações dos Estados Unidos como país anfitrião das Nações Unidas.

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Líder palestino denuncia risco de deslocamento

Abbas também criticou a atuação de Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Segundo o presidente palestino, a região enfrenta fragmentação territorial, expansão de assentamentos e medidas que classificou como baseadas em “discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo de Estado”.

Em um dos trechos mais duros do pronunciamento, ele afirmou que as ações israelenses representam “um esquema de colonialismo” destinado a tornar “ainda mais difícil a vida dos palestinos na sua terra natal” e a forçá-los a sair.

“Não permitam que aconteça outra ‘Nakba’, outros massacres que ocorreram em 1948”, declarou Abbas, em referência ao deslocamento em massa de palestinos durante a criação do Estado de Israel.

Abbas cobra reação internacional

O presidente palestino questionou a postura de governos estrangeiros diante do conflito e pediu uma atuação mais incisiva da comunidade internacional.

Abbas disse ainda que a comunidade internacional deve agir para “proteger o povo palestino”, garantir sua permanência no território e trabalhar pelo fim da ocupação israelense.

Solução de dois Estados volta ao centro do discurso

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Apesar das acusações contra Israel, Abbas reafirmou a defesa de uma saída negociada baseada na existência de dois Estados.

“Nossa visão de paz é clara”, disse. Segundo ele, a proposta prevê “um povo palestino” permanecendo em seu território, decidindo seu próprio futuro e vivendo em um Estado palestino “ao lado do Estado de Israel”.

Abbas afirmou ainda que busca “segurança e paz para todos” e rejeitou ataques contra civis. “Nós rejeitamos o terrorismo e o extremismo em todas as suas formas”, declarou. Ele também disse defender “uma cultura de paz, diálogo e coexistência”.

O líder palestino acrescentou que sua proposta é a criação de “um Estado democrático palestino” que respeite a lei e os direitos humanos e que seja “não militarizado”, vivendo em segurança ao lado de Israel.

Presidente palestino rejeita deslocamento

Ao abordar o futuro político dos territórios palestinos, Abbas afirmou que sua população não aceitará ser removida de suas terras.

“O povo palestino não aceitará deslocamento, não aceitará deslocamento e não desaparecerá”, disse.

Segundo ele, nem a ocupação militar, nem a expansão de assentamentos ou a anexação de territórios podem produzir segurança duradoura. “Nenhuma segurança pode ser construída sobre a ocupação de outro povo e a negação de seus direitos legítimos”, afirmou.

Abbas também defendeu um processo político que não se limite a administrar o conflito, mas que leve ao fim da ocupação e assegure “liberdade e autodeterminação para os palestinos”, além de “segurança e paz para os israelenses e para os países da região”.

Críticas aos Estados Unidos

O presidente palestino também criticou as restrições impostas por Washington à participação de sua delegação em Nova York.

Abbas afirmou que os palestinos não deveriam ser punidos por recorrer às Nações Unidas, à Corte Internacional de Justiça e ao Tribunal Penal Internacional. Segundo ele, a “escolha de invocar a lei internacional e as instituições é uma escolha pacífica e civilizada e não para combater a paz”.

Ele classificou como uma violação a negativa de acesso da delegação palestina à sede das Nações Unidas e pediu que o governo americano “levante essas sanções e restrições, volte ao diálogo e ao respeito mútuo”.

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