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Banco do Japão alerta para inflação acima da meta e indica novas altas de juros

Publicado 19/06/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo Himino, afirmou nesta sexta-feira (19) que a inflação pode superar a meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária.
  • Ele também alertou para os riscos de uma demora excessiva na elevação dos juros, sinalizando que o banco central segue disposto a continuar apertando a política monetária para conter a pressão sobre os preços.
  • A inflação permaneceu estável em maio na comparação com abril, poucos dias após o banco central japonês elevar os juros ao maior nível em 31 anos devido aos impactos da guerra no Oriente Médio.
Banco do Japão é a principal autoridade monetária do país.

Banco do Japão é a principal autoridade monetária do país.

Wikimedia Commons

O vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo Himino, afirmou nesta sexta-feira (19) que a inflação pode superar a meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária. Ele também alertou para os riscos de uma demora excessiva na elevação dos juros, sinalizando que o banco central segue disposto a continuar apertando a política monetária para conter a pressão sobre os preços.

A inflação permaneceu estável em maio na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo governo, poucos dias após o banco central japonês elevar os juros ao maior nível em 31 anos devido aos impactos da guerra no Oriente Médio.

O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi adotou medidas para proteger os consumidores do forte aumento dos preços do petróleo provocado pelo conflito de três meses, por meio de subsídios para combustíveis e energia.

Leia também: Banco do Japão eleva taxas de juros ao nível mais alto em 30 anos

O avanço anual dos preços ao consumidor “núcleo” no Japão — quarta maior economia do mundo e que exclui alimentos frescos — foi de 1,4% no mês passado, em linha com as expectativas do mercado.

Excluindo também os preços de energia, o índice ficou em 1,8%, abaixo dos 1,9% registrados anteriormente e também de acordo com as previsões dos analistas.

Sem ajustes, a inflação subiu levemente para 1,5%, ante 1,4%, também em linha com as projeções.

O Banco do Japão (BoJ) elevou sua taxa básica de juros na terça-feira em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível desde 1995 e a primeira alta desde dezembro.

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz para encerrar o conflito de três meses e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o transporte de petróleo e gás.

No entanto, a retomada completa do fluxo de navios pelo estreito aos níveis anteriores ao conflito deve levar um tempo considerável.

O Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros na semana passada depois que a guerra pressionou os preços do petróleo e de outros produtos globalmente.

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve as taxas de juros inalteradas na quarta-feira.

Mas, com a inflação americana no maior nível em três anos, aumentam as expectativas de que os juros possam subir ainda neste ano, apesar da pressão do presidente Donald Trump por cortes.

O banco central da Austrália, que elevou os custos de empréstimos três vezes neste ano, também manteve as taxas estáveis nesta semana, assim como o Banco da Inglaterra. A Indonésia elevou os juros três vezes em quatro semanas.

Antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, o Japão dependia do Oriente Médio para cerca de 90% de suas importações de petróleo bruto.

Leia também: Dirigente do Banco do Japão diz que alta de juros segue ‘na mesa’, mas pede cautela

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Os subsídios do governo ajudaram a manter a inflação núcleo abaixo da meta de 2% estabelecida pelo BoJ.

Mas o Banco do Japão alertou na terça-feira que existe o risco de a inflação acelerar acima do objetivo, à medida que empresas repassam aos consumidores custos mais altos de matérias-primas.

Marcel Thieliant, da Capital Economics, afirmou que “ainda não há sinais claros de que os custos mais elevados de energia estejam elevando os preços de outros bens e serviços”.

“Mas isso é apenas uma questão de tempo”, disse ele em uma nota, prevendo que a inflação excluindo alimentos frescos e energia possa chegar a cerca de 3,5% no primeiro semestre do próximo ano.

O iene também sofreu forte pressão nas últimas semanas, devido ao aumento dos preços do petróleo e à diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Japão, elevando ainda mais a já elevada conta de importações do país, que possui poucos recursos naturais.

O governo de Takaichi gastou cerca de 11,7 trilhões de ienes (US$ 72 bilhões) no mês passado para sustentar a moeda japonesa, que permanece próxima de 160 ienes por dólar.

Leia mais: Decisão do Banco do Japão pode levar juros ao maior patamar em 30 anos

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