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Eleições de meio de mandato nos EUA acontecem sob temor de que Trump conteste resultados
Publicado 03/11/2026 • 09:22 | Atualizado há 1 hora
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KEY POINTS
Foto: Clash Report
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já questionou a segurança do processo eleitoral e gera preocupação sobre uma possível contestação dos resultados das eleições de meio de mandato.
Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, em meio à preocupação de autoridades eleitorais com a possibilidade de o presidente Donald Trump contestar os resultados caso o Partido Republicano sofra derrotas.
A votação vai renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e pouco mais de um terço do Senado, além de definir governadores e autoridades locais. O resultado determinará o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.
O receio de uma nova disputa sobre a legitimidade das eleições também aparece entre os eleitores. Uma pesquisa do Washington Post, em parceria com o instituto Ipsos e a emissora ABC News, mostrou que sete em cada dez americanos acreditam que Trump não aceitará os resultados caso os republicanos percam.
Leia também: Entenda como funcionam as eleições desta terça nos EUA e o que está em jogo para Trump
A Geórgia está entre os estados que adotaram medidas para enfrentar possíveis questionamentos. Nas eleições presidenciais de 2020, Trump perdeu no estado para Joe Biden por cerca de 11 mil votos e pressionou autoridades locais para tentar reverter o resultado.
Na ocasião, o presidente telefonou ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, também republicano, e pediu que ele encontrasse votos suficientes para alterar o resultado. Raffensperger recusou e passou a enfrentar críticas e ameaças de integrantes do próprio partido.
Agora, o secretário afirma que o estado está preparado para verificar os resultados das eleições e responder a possíveis acusações de irregularidades.
“Concluiremos esta eleição realizando 20 auditorias de limitação de risco e uma análise estatística para verificar os resultados”, afirmou Raffensperger. “Dessa forma, podemos provar aos eleitores que o vencedor realmente venceu.”
O estado também utiliza cédulas de papel, exige documentos de identificação com foto e realiza verificações para confirmar a cidadania dos eleitores.
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Siga o Times | CNBCAlém da Geórgia, autoridades eleitorais de estados como Ohio, Alasca e Kansas estão se preparando para eventuais disputas sobre os resultados.
Mesários recebem orientações sobre como proceder caso agentes do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) apareçam nos locais de votação. Secretários de Estado também têm consultado advogados sobre possíveis questionamentos judiciais.
Nos Estados Unidos, a organização das eleições é responsabilidade de cada estado. O governo Trump, porém, tem buscado ampliar a participação federal no processo, incluindo pedidos de acesso a listas de eleitores e tentativas de alterar regras para a votação pelo correio.
Trump também voltou a questionar a confiabilidade das máquinas de votação e do voto por correspondência, sem apresentar provas de fraudes generalizadas.
No Alasca, o Departamento de Justiça abriu um processo relacionado à disputa pelo Senado, alegando que a presença de dois candidatos com nomes semelhantes poderia confundir os eleitores. As alegações foram rejeitadas pelas autoridades locais.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que eventuais resultados apertados podem provocar novas contestações judiciais e questionamentos sobre a contagem dos votos.
Richard Hasen, professor de Direito Constitucional da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), considera possível que Trump tente utilizar órgãos federais para interferir na apuração e na certificação dos resultados estaduais.
“Ele pode contestar os resultados e, talvez, tentar utilizar o Departamento de Justiça para interferir na contagem estadual dos votos e na certificação dos resultados”, afirma.
A preocupação ocorre seis anos após as eleições presidenciais de 2020. Na ocasião, Trump foi derrotado por Joe Biden, mas continuou questionando o resultado mesmo depois da confirmação pelas autoridades eleitorais e pela Justiça.
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