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Brasil defenderá multilateralismo e buscará ampliar protagonismo do Sul Global no G7

Publicado 15/06/2026 • 12:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A participação brasileira no G7 deve reforçar a defesa do multilateralismo e da reforma da governança internacional, segundo especialista.
  • O Brasil deve usar o encontro para ampliar o protagonismo dos países do Sul Global e defender um comércio internacional mais equilibrado.
  • Um eventual encontro entre Lula e Donald Trump pode ajudar a reduzir incertezas nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

A participação do Brasil na Cúpula do G7 será uma oportunidade para reforçar a defesa do multilateralismo e da reforma da governança internacional, na avaliação da professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan. Segundo ela, mesmo sem poder decisório no encontro, o país deve aproveitar o espaço para ampliar o protagonismo dos países do Sul Global em meio às disputas comerciais, à transição energética e à reorganização geopolítica global.

A participação brasileira ocorre em um momento de tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos, negociações entre o Mercosul e a União Europeia e discussões sobre temas estratégicos como inteligência artificial, minerais críticos e segurança energética.

Para Bressan, a principal mensagem da diplomacia brasileira será a defesa de mecanismos multilaterais de cooperação. “O Brasil vai continuar defendendo o multilateralismo e a reforma da governança internacional pensando em fortalecer o multilateralismo. Isso daria melhor protagonismo aos países do Sul Global”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (15).

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Na avaliação da especialista, essa posição também representa uma resposta ao aumento das barreiras comerciais adotadas por diversas economias. “O Brasil deve continuar defendendo um comércio justo, multilateral, para garantir maior equidade na participação da economia internacional”, ressaltou.

Desafios com a Europa

Entre os temas que devem ganhar espaço nas discussões está a relação entre o Mercosul e a União Europeia, especialmente diante das exigências europeias relacionadas à produção de proteína animal brasileira.

Segundo Bressan, essas condições já eram esperadas desde a negociação do acordo comercial entre os blocos. “Os países europeus exigem basicamente o monitoramento em tempo real da produção de proteína animal no Brasil. Nós não temos ainda condições de oferecer esse tipo de exigência aos europeus”, explicou.

Para a professora, o Brasil precisará avançar para atender parte dessas demandas. “O Brasil também assume a necessidade de conseguir reagir corretamente às exigências europeias. É um mercado consumidor muito exigente e que prioriza muito o meio ambiente”, destacou.

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Apesar dos obstáculos, ela considera que a adaptação às exigências será inevitável para ampliar o acesso ao mercado europeu. “Nós vamos ter que ter um esforço para nos adaptar a todas essas demandas”, acrescentou.

Possível encontro com Trump

Outro tema que acompanha a participação brasileira no G7 é a possibilidade de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para a especialista, as tarifas impostas pelos Estados Unidos desde 2025 têm dificultado o planejamento das exportações brasileiras. “Os Estados Unidos continuam sendo um grande parceiro não apenas ao Brasil, mas à economia internacional, ao mundo todo. O Brasil encontra uma grande dificuldade de ter inclusive um planejamento econômico para exportação”, afirmou.

Na avaliação de Bressan, uma conversa entre os dois líderes poderia contribuir para reduzir incertezas e fortalecer a previsibilidade das relações comerciais. “É importante, se houver um encontro, que o Brasil consiga revogar essas barreiras tarifárias, mas sobretudo ganhar certa estabilidade na relação com os Estados Unidos”, ressaltou.

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Busca por estabilidade

A professora também destacou que a previsibilidade continua sendo um dos principais pilares das relações internacionais e da economia global. “O mundo tenta desde os anos 90, desde o fim da Guerra Fria, contornar a instabilidade com a criação das organizações internacionais que determinam regras e dão previsibilidade de comportamento recíproco”, explicou.

Segundo ela, tratados, acordos multilaterais e organismos internacionais foram criados justamente para reduzir incertezas e oferecer maior segurança aos países nas relações diplomáticas e econômicas.

Ao comentar os objetivos brasileiros diante do atual cenário global, Bressan concluiu: “É isso que o Brasil precisa agora, ou seja, ter estabilidade. A conversa com Donald Trump iria acontecer nesse sentido, nessa defesa”.

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