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Brasil, UE, Quênia e Canadá escrevem manifesto em defesa do multilateralismo antes da ONU

Publicado 20/09/2026 • 18:19 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Manifesto foi assinado por Lula, António Costa, William Ruto e Mark Carney.
  • O P4M pretende reunir países de diferentes regiões em torno da reforma de instituições como a ONU.
  • O documento cita conflitos, gastos militares, IA, mudanças climáticas e riscos às cadeias globais como desafios ao sistema multilateral.
ONU.

ONU.

A poucos dias do início da Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um manifesto conjunto com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em defesa do multilateralismo e da reforma das instituições internacionais. O texto foi publicado neste domingo (20) pelo Financial Times.

O documento afirma que o mundo vive um “paradoxo”: enquanto economias e sociedades estão mais interdependentes, a ordem internacional se tornou mais fragmentada e polarizada. Os líderes citam o avanço do comércio global e da conectividade digital como exemplos dessa integração, ao mesmo tempo em que apontam o aumento das tensões geopolíticas.

Segundo o manifesto, 2025 registrou 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o maior número desde 1946, enquanto os gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões. O texto também menciona o aumento da desigualdade e o uso de relações econômicas como instrumentos de pressão e coerção.

Os signatários defendem que a cooperação multilateral é necessária para enfrentar desafios que ultrapassam fronteiras nacionais, como a emergência climática, o avanço da inteligência artificial, o risco de novas pandemias, choques financeiros e conflitos capazes de provocar deslocamentos em massa.

O documento também cita a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento a interrupções em corredores estratégicos de navegação, como o Estreito de Ormuz.

“Parceiros para o Multilateralismo”

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Como parte da iniciativa, Lula, Costa, Ruto e Carney anunciaram a criação do “Partners for Multilateralism” (P4M), ou “Parceiros para o Multilateralismo”. Segundo o manifesto, a proposta não pretende formar um novo bloco exclusivo nem criar uma nova estrutura burocrática internacional.

A iniciativa foi apresentada como uma plataforma flexível e aberta para reunir países de diferentes regiões em torno da reforma das instituições multilaterais. O grupo pretende apoiar mudanças na ONU e em outras organizações internacionais para torná-las, segundo os signatários, mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis.

O manifesto também defende a preservação dos princípios de direito internacional e cooperação previstos na Carta das Nações Unidas. A proposta é apresentada pelos líderes como uma tentativa de responder às mudanças na ordem internacional sem substituir as instituições existentes.

“À medida que lidamos com uma ordem mundial que está se transformando rapidamente, convocamos outros líderes internacionais a se juntarem a nós na escolha da cooperação em vez da fragmentação, da lei em vez do poder e da responsabilidade compartilhada em vez da divisão”, afirma o documento.

A defesa de uma reforma das instituições multilaterais também está presente na política externa brasileira. Em discursos anteriores, Lula já defendeu mudanças na estrutura da ONU e maior representatividade de regiões como América Latina e África nos principais fóruns internacionais.

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