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Canadá impõe novas tarifas aos EUA e amplia disputa comercial entre os países
Publicado 08/09/2026 • 09:54 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/09/2026 • 09:54 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Donald Trump em encontro com primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney
Mark Schiefelbein/Associated Press/Estadão Conteúdo
O Canadá colocou em vigor nesta terça-feira (08) um novo pacote de tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos, em resposta às sobretaxas adotadas por Washington no fim de agosto. A medida amplia a disputa comercial entre os dois países, que atravessam um período de forte deterioração nas relações econômicas e políticas.
As alíquotas canadenses variam entre 15%, 25% e 50% e atingem aproximadamente US$ 20 bilhões, cerca de R$ 102 bilhões, em mercadorias americanas. A lista inclui produtos de setores como siderurgia, laticínios, eletrônicos e celulose.
Segundo o governo canadense, o volume atingido pelas novas tarifas equivale ao valor das exportações do país submetidas, desde 22 de agosto, a uma sobretaxa de 50% pelos Estados Unidos. Ottawa apresenta a decisão, portanto, como uma resposta proporcional às medidas americanas.
Leia também: Banco do Canadá avalia impacto das tarifas de Trump antes de decidir sobre juros
A tensão aumentou depois que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, interrompeu, em 21 de agosto, as negociações comerciais com a Casa Branca. O chefe de governo afirmou que as condições propostas por Washington prejudicariam interesses econômicos do Canadá e poderiam comprometer setores industriais importantes, especialmente o automotivo.
Outro ponto de divergência envolve regras relacionadas ao uso do francês. Carney afirmou que a proposta americana poderia afetar políticas canadenses destinadas à presença de conteúdo francófono na internet e à utilização de rótulos em inglês e francês nos produtos comercializados no país.
A Casa Branca rejeitou essa interpretação e declarou que a questão linguística não foi estabelecida como condição decisiva para um eventual acordo.
Desde o rompimento das conversas, não houve indicação de uma retomada das negociações. Ao mesmo tempo, integrantes dos dois governos passaram a trocar críticas públicas, levando a disputa comercial também para o campo diplomático.
Na véspera da entrada em vigor das tarifas canadenses, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou restringir as vendas da fabricante canadense de aeronaves Bombardier no mercado americano.
O setor automotivo também passou a enfrentar maior incerteza. Trump ameaçou elevar de 25% para 50%, a partir de 1º de janeiro, as tarifas relacionadas à indústria de veículos, uma área particularmente sensível para a economia canadense e fortemente integrada às cadeias produtivas dos Estados Unidos.
A adoção de novas barreiras pode afetar uma estrutura industrial construída ao longo de décadas entre os dois lados da fronteira, na qual componentes e veículos circulam entre os países durante diferentes etapas da produção.
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Siga o Times | CNBCA crise também foi marcada por declarações de integrantes do governo americano sobre a capacidade militar canadense. Os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e da Defesa, Pete Hegseth, fizeram comentários irônicos sobre as Forças Armadas do país vizinho.
Carney classificou as manifestações como inadequadas e cobrou uma postura mais construtiva de Washington. A troca de declarações reforçou o distanciamento entre os governos em um momento no qual não há previsão de novas conversas comerciais.
Outro episódio que provocou reação no Canadá foi um decreto de Trump para alterar, nos Estados Unidos, a denominação do lago Ontário para “lago América”. O lago integra a fronteira entre os dois países, e a iniciativa gerou protestos entre canadenses.
Apesar da resposta tarifária, a escalada representa um risco relevante para a economia canadense devido à forte dependência do comércio com os Estados Unidos.
Quase 60% dos produtos importados pelo Canadá têm origem no mercado americano. No sentido contrário, aproximadamente 70% das exportações canadenses são destinadas aos Estados Unidos. Essa relação torna empresas dos dois países vulneráveis ao aumento das barreiras comerciais, mas deixa o Canadá especialmente exposto a uma redução prolongada das vendas ao principal parceiro.
Tarifas mais elevadas também podem aumentar custos para empresas que dependem de insumos importados e pressionar preços ao consumidor, além de provocar mudanças nas cadeias de fornecimento caso a disputa se prolongue.
Leia também: Trump diz não precisar de produtos do Canadá e defende tarifas para atrair fábricas aos EUA
Diante do impacto esperado das medidas americanas, o governo canadense anunciou 7,5 bilhões de dólares canadenses em apoio aos setores atingidos, montante equivalente a aproximadamente US$ 5,4 bilhões ou R$ 27 bilhões.
Os recursos deverão servir de suporte às empresas expostas às novas barreiras comerciais enquanto o impasse permanecer. A estratégia de Ottawa combina, assim, a imposição de tarifas equivalentes às adotadas pelos Estados Unidos com medidas internas para reduzir os efeitos da disputa sobre a atividade econômica.
Sem perspectiva imediata de retomada das negociações, a entrada em vigor das tarifas canadenses abre uma nova etapa do conflito. A duração da crise e a possibilidade de novas medidas de ambos os governos deverão determinar a dimensão dos efeitos sobre setores industriais e sobre o comércio entre duas economias historicamente integradas.
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