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China pode ajudar Brasil a enfrentar tarifa dos EUA, mas país deve ampliar parcerias

Publicado 08/06/2026 • 20:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Relação comercial sólida com a China pode dar mais conforto ao Brasil nas negociações com os Estados Unidos, segundo especialista.
  • Professor destaca que o país não depende apenas do mercado chinês e vem ampliando acordos com outras economias da Ásia e do Brics.
  • Na avaliação do economista, competitividade do agronegócio e da indústria verde reduz risco de dependência excessiva de um único parceiro.

A disposição da China em ampliar a cooperação econômica com o Brasil pode fortalecer a posição brasileira diante da ameaça de uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados aos Estados Unidos, avalia Hsia Hua Sheng, professor de Finanças Internacionais da FGV-EAESP. Em entrevista nesta segunda-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que a relação entre Brasil e China pode oferecer maior segurança ao país durante as negociações com os norte-americanos.

Segundo o professor, a aproximação com a China não deve ser vista como a única alternativa para o Brasil. O país mantém relações comerciais relevantes com diversas economias da América do Sul e da Ásia. “A China, com certeza, tem uma relação comercial muito estável e crescente com o Brasil, não só na área comercial, mas também na área de investimento”, afirmou.

Na avaliação de Hsia, esse relacionamento pode ajudar o Brasil no processo de negociação com Washington. “Com esse relacionamento entre Brasil e China, com certeza vai poder ajudar e dar um conforto maior para o Brasil nesse processo de negociação entre Brasil e Estados Unidos.”

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Apoio além do comércio

O professor observou que a contribuição chinesa não se limita à compra de produtos brasileiros. Empresas chinesas já instaladas no país podem ampliar a integração da economia brasileira às cadeias globais de produção, especialmente nos setores de tecnologia e serviços.

Nem todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos seriam atingidos pelas tarifas propostas. “Muitos daqueles produtos que ajudam a baixar a inflação americana não são taxados, como carne e café”, explicou.

Por outro lado, Hsia ressaltou que setores ligados à tecnologia e serviços podem enfrentar impactos maiores. Nesse contexto, empresas chinesas que já atuam no Brasil poderiam ampliar sua participação. “Muitas empresas multinacionais chinesas que já investem no Brasil poderiam contribuir nessa parte de serviço de tecnologia”, afirmou.

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O economista citou ainda a presença crescente de plataformas digitais chinesas e montadoras como BYD e GWM, que utilizam tecnologias desenvolvidas no Brasil e ajudam a integrar a indústria nacional à cadeia global. “Tudo isso ajuda o Brasil a integrar sua produção interna à cadeia global e também ajuda a exportação de serviços brasileiros”, observou.

Estratégia de diversificação

Ao analisar os possíveis efeitos das medidas americanas, Hsia destacou que o Brasil vem buscando ampliar sua presença em diferentes mercados internacionais.

O professor lembrou que as missões internacionais do governo brasileiro costumam incluir diversos países asiáticos além da China. “Quando os ministros viajam para a Ásia, muitas vezes vão para a Coreia, para o Japão e também para a Indonésia”, afirmou.

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Segundo ele, os Estados Unidos sabem que o Brasil não depende de apenas um parceiro comercial. “A China ocupa hoje um espaço bastante grande, mas o Brasil também está desenvolvendo negócios com outros mercados, principalmente com base no Brics e no Brics+”, ressaltou.

O economista citou ainda países como Índia e Rússia como parte da estratégia brasileira de ampliar mercados para exportações e investimentos. “O Brasil busca uma multipolaridade para suas exportações e relações comerciais, para não ficar dependente de nenhum país”, afirmou.

Dependência da China

Questionado sobre o risco de uma eventual dependência maior da economia chinesa, Hsia avaliou que esse cenário não deve se concretizar.

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Times Brasil - CNBC

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Segundo ele, a competitividade brasileira em setores como agronegócio, transição energética e economia verde amplia as oportunidades comerciais em diferentes regiões do mundo. “Hoje a China é o maior comprador, mas o Brasil não depende apenas da China”, destacou.

O professor também ressaltou os esforços do governo para abrir novos mercados para produtos brasileiros. “O presidente Lula e os ministros têm aberto outros mercados para o agronegócio e para a indústria brasileira”, observou.

Capacidade de negociação

Na avaliação de Hsia, o Brasil possui condições de negociar com os Estados Unidos caso a proposta de sobretaxa avance.

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O professor destacou o histórico brasileiro em negociações internacionais e a existência de mercados alternativos para absorver parte da produção nacional. “O Brasil é muito bom em negociação e tem mostrado isso nas rodadas anteriores.”

Segundo ele, os Estados Unidos buscam proteger seus próprios interesses econômicos, mas o Brasil também conta com instrumentos para defender suas exportações. “Se os Estados Unidos não comprarem, existem outros mercados que podem ajudar a absorver os produtos do comércio internacional brasileiro”, concluiu.

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