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China reforça controle sobre empresas no exterior em meio à nova disputa tecnológica global

Publicado 03/06/2026 • 13:21 | Atualizado há 22 minutos

KEY POINTS

  • As novas regras anunciadas por Pequim ampliam o poder do governo chinês sobre empresas, tecnologias e investidores que atuam fora da China continental, em um movimento visto como resposta ao avanço das restrições impostas por outros países.
  • Segundo o especialista Beny Fard, as medidas não representam necessariamente um freio à expansão global de empresas chinesas, mas criam mecanismos de supervisão e retaliação para proteger interesses estratégicos do país.
  • O Brasil aparece como um dos países mais relevantes nesse novo cenário geopolítico, tanto pela dependência comercial em relação à China quanto pelo potencial de atrair investimentos em infraestrutura, energia, agronegócio e terras raras.

As novas regras divulgadas pela China para reforçar o controle sobre negócios internacionais envolvendo empresas, investidores e tecnologias chinesas refletem uma disputa global cada vez mais intensa entre Pequim e Washington pela liderança tecnológica, afirmou Beny Fard, especialista em investimentos e negócios internacionais e CEO da B8 Partners. Segundo ele, o movimento faz parte de uma “nova Guerra Fria”, cujo principal campo de disputa deixou de ser militar e passou a ser a tecnologia.

O que nós estamos vivendo de fato é uma nova Guerra Fria. A Guerra Fria do século passado tinha como pano de fundo a questão nuclear. Essa nova Guerra Fria tem como pano de fundo a tecnologia, especialmente a inteligência artificial”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (3).

Para o especialista, a iniciativa chinesa busca fortalecer instrumentos de proteção dos interesses nacionais em um ambiente marcado pelo aumento das restrições a investimentos e tecnologias vindas da China.

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Mais governança

Segundo Beny Fard, o decreto amplia a capacidade de supervisão do governo chinês sobre empresas e cidadãos que atuam fora do território continental, incluindo operações envolvendo regiões consideradas estratégicas por Pequim.

O que o governo chinês faz é trazer mais governança sobre empresas, tecnologia e pessoas chinesas fora da China continental”, explicou. Na avaliação dele, a medida cria uma espécie de estrutura legal que permite ao Estado atuar como um participante estratégico das companhias sem necessariamente assumir participação societária.

É como se houvesse uma arquitetura legal para que o Estado chinês agisse como um acionista estratégico das empresas sem sê-lo”, afirmou.

Inteligência artificial

Para o CEO da B8 Partners, a inteligência artificial ocupa posição central na disputa geopolítica entre China e Estados Unidos, ao lado de questões ligadas à energia, terras raras e infraestrutura tecnológica.

Quem está numa corrida frenética pela inteligência artificial no mundo são os Estados Unidos e os chineses”, afirmou. Segundo ele, o desenvolvimento da tecnologia tem potencial para alterar profundamente o funcionamento da economia global.

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Beny argumentou que as novas regras criam condições para que a China responda de forma semelhante a restrições impostas por outros países. “Os Estados Unidos já dispõem desses instrumentos. O que a China está fazendo agora é trazer simetria e equiparação legal para permitir retaliações quando empresas ou cidadãos chineses forem discriminados no exterior”, disse.

Papel do Brasil

Na avaliação do especialista, o Brasil se tornou um ator estratégico dentro desse novo cenário internacional por sua relevância comercial e pelo volume de investimentos chineses recebidos nas últimas décadas.

Nós somos amplamente dependentes da China do ponto de vista da balança comercial e também dos investimentos chineses em infraestrutura, energia e agronegócio”, afirmou. Segundo ele, a presença chinesa cresceu em áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento econômico brasileiro.

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Ao mesmo tempo, Beny avalia que os Estados Unidos também buscam ampliar sua influência econômica na região. “Há um movimento de rearranjo das esferas de dominância e os Estados Unidos buscam estabelecer uma presença mais forte sobre o Brasil”, disse.

Setores estratégicos

O especialista destacou que o Brasil continua oferecendo oportunidades relevantes para investidores chineses, principalmente em áreas ligadas à infraestrutura e à transição energética.

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O Brasil tem tudo por fazer em termos de infraestrutura”, afirmou. Segundo ele, projetos de portos, aeroportos, rodovias e parcerias público-privadas permanecem entre os principais atrativos para o capital estrangeiro.

Além disso, o executivo apontou oportunidades em energia renovável, agronegócio e exploração de minerais estratégicos. “O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e isso desperta interesse tanto da China quanto dos Estados Unidos”, observou.

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Equilíbrio nas relações

Apesar do potencial para atrair novos investimentos chineses, Beny Fard defendeu que o Brasil mantenha uma estratégia equilibrada em sua política internacional para evitar tensões desnecessárias entre as duas maiores potências econômicas do planeta.

O Brasil pode ser afetado se não for capaz de negociar diplomaticamente com todos e trazer o melhor para o país”, afirmou. Segundo ele, a manutenção de boas relações simultaneamente com China e Estados Unidos pode representar uma oportunidade histórica para ampliar investimentos e fortalecer setores estratégicos da economia brasileira.

O equilíbrio faria muito sentido”, concluiu.

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