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Acordo entre EUA e Irã reduz pressão sobre petróleo, mas iranianos saem fortalecidos
Publicado 15/06/2026 • 12:20 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 15/06/2026 • 12:20 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O possível acordo entre Estados Unidos e Irã poderá representar mais do que o fim de um conflito militar no Oriente Médio. Para o professor de Relações Internacionais da ESPM, Roberto Uebel, a eventual assinatura do cessar-fogo tem potencial para redesenhar parte das relações econômicas globais, reduzir pressões sobre o mercado de petróleo e fortalecer a posição estratégica iraniana no sistema internacional.
Em entrevista nesta segunda-feira (15) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Uebel afirmou que o presidente americano Donald Trump tentará transformar o acordo em um ativo político. “Trump pode não sair como o grande vitorioso para o restante do mundo, mas tentará vender essa narrativa de vitória na guerra contra o Irã. Principalmente se conseguir interromper qualquer tipo de enriquecimento de urânio por parte do Irã nos próximos 60 dias”, avaliou.
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Segundo o especialista, o momento também favorece a estratégia política do republicano. “Acontece nesta semana a reunião do G7 e estamos na antevéspera do início da campanha eleitoral para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Trump vai tentar a todo custo vender essa vitória”, ressaltou.
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Apesar da reação positiva dos mercados à perspectiva de paz, Uebel avalia que os efeitos econômicos dependerão dos termos finais do entendimento entre Washington e Teerã.
Na visão do professor, um dos pontos centrais será a posição de Israel diante das exigências iranianas. “A questão é quais serão os termos deste cessar-fogo. Certamente um deles é que Israel pare as hostilidades contra o Líbano e também os ataques à Faixa de Gaza. Não sei se Israel vai concordar”, afirmou.
Ele acrescentou que a relação entre Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pode influenciar diretamente o resultado das negociações. “Pela narrativa que Trump tem construído, inclusive muito hostil a Netanyahu, talvez esse seja um caminho que se desenhe”, disse.
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Para Uebel, o principal vencedor econômico do acordo pode ser o próprio Irã, especialmente se as sanções internacionais forem suspensas.
“Se as sanções são retiradas do Irã, você tem um reingresso do país no mercado internacional. Companhias europeias e norte-americanas poderão operar lá novamente, trazendo o Irã de volta ao sistema de pagamentos e ao comércio internacional”, explicou.
Segundo ele, a medida interessa tanto aos países ocidentais quanto ao próprio governo iraniano. “É um mercado competitivo, interessante para o Ocidente. Você integra o Irã ao sistema internacional e reduz o peso da China nessa relação”, afirmou.
O professor observou que a estratégia também pode ajudar Europa e Estados Unidos a reduzirem dependências energéticas. “Os europeus comprariam mais do Irã do que dos intermediários da Rússia. Isso seria benéfico e estratégico para o Ocidente”, destacou.
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A guerra também reforçou os riscos da dependência de uma única rota de escoamento de petróleo, segundo o especialista.
“Ficou muito claro que a dependência de uma única frente traz prejuízos imensuráveis para a economia global. Nunca a geografia política esteve tão presente e tão importante para as relações econômicas internacionais”, afirmou.
Na avaliação de Uebel, países do Oriente Médio já estudam alternativas para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. “Há movimentos de Arábia Saudita, Turquia, Qatar, Kuwait e Bahrein para construir rotas alternativas para o escoamento não apenas de petróleo e gás, mas também de informação”, explicou.
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O especialista acredita que o Irã continuará utilizando o estreito como instrumento de pressão geopolítica. “Fica muito claro que o Irã pode usar o Estreito de Ormuz futuramente como um mecanismo de barganha, negociação e controle da economia internacional”, afirmou.
Embora considere a transição energética um processo irreversível, Uebel avalia que o petróleo continuará desempenhando papel central na economia mundial por muitas décadas.
“A transição energética é um fato incontestado, mas vários estudos apontam que pelos próximos 100 anos o petróleo ainda será uma commodity energética hegemônica”, disse.
Segundo ele, países e empresas já se preparam para novas matrizes energéticas, mas a dependência dos combustíveis fósseis permanece elevada. “O petróleo continua ainda no horizonte estratégico pelos próximos 100 anos, até que haja uma transição definitiva para fontes menos poluentes”, ressaltou.
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Ao comentar o papel do Brasil nesse processo, Uebel lembrou que o país reúne vantagens tanto na produção de petróleo quanto na agenda de transição energética. “O Brasil tem trazido à tona a questão da transição energética, mas continua olhando para temas como a prospecção na Foz do Amazonas e na Bacia de Pelotas. Ou seja, o petróleo continua sendo estratégico”, concluiu.
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