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Conflito no Oriente Médio

Hezbollah ameaça conflito interno no Líbano e rejeita acordo de paz firmado com Israel

Publicado 28/06/2026 • 09:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Hezbollah afirma que acordo entre Líbano e Israel não será implementado e promete manter sua capacidade militar.
  • Deputado do grupo acusa governo libanês de provocar divisão interna ao aceitar termos negociados com Israel.
  • Ataques israelenses no sul do Líbano continuaram após assinatura do acordo em Washington.

O Hezbollah elevou o tom contra o acordo firmado entre Líbano e Israel, afirmando que o entendimento não será implementado e alertando para o risco de um conflito interno no país. A declaração foi feita neste domingo (28) pelo deputado Hassan Fadlallah, um dos principais representantes políticos do grupo apoiado pelo Irã.

O acordo, assinado na última sexta-feira (26), em Washington, após cinco rodadas de negociações, busca abrir caminho para a paz entre os dois países e prevê, entre outros pontos, o desarmamento do Hezbollah.

As declarações ocorreram um dia depois de o presidente libanês, Joseph Aoun, informar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante conversa telefônica, que o Estado libanês assumirá a responsabilidade pela implementação do acordo.

Leia também: Hezbollah rejeita acordo com Israel, que promete manter tropas no sul do Líbano

Rejeição ao acordo

Durante uma cerimônia em homenagem a integrantes do grupo, Fadlallah afirmou que o pacto “jamais verá a luz do dia” e não será colocado em prática.

Segundo ele, o Hezbollah manterá sua estratégia de resistência e continuará exercendo o que considera seu direito de defender a população libanesa.

O parlamentar também acusou as autoridades do país de promover uma divisão interna ao aceitar os termos negociados com Israel, alegando que a medida transfere o foco do confronto com o inimigo externo para um conflito entre os próprios libaneses.

Leia também: Hezbollah rejeita negociações do governo libanês com os EUA e nega zona de segurança israelense

No sábado (27), o líder do grupo, Naim Qassem, já havia declarado que o acordo era “nulo e sem efeito”, classificando-o como uma rendição da soberania do Líbano.

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Ataques continuam

Apesar da assinatura do acordo, os confrontos prosseguiram neste fim de semana.

A agência estatal libanesa informou que um caça israelense bombardeou áreas próximas às cidades de Deir Seryan e Taybeh, no sul do país. No sábado, outro ataque na cidade de Nabatieh al-Fawqa deixou uma pessoa morta, segundo o Ministério da Saúde libanês.

As Forças de Defesa de Israel afirmaram que atingiram integrantes do Hezbollah após identificarem sua presença na região de Nabatieh. Os militares também disseram ter destruído um lançador de foguetes do grupo que representava ameaça às tropas israelenses.

Leia também: Conflitos entre Israel e Hezbollah ameaçam avanço das negociações entre EUA e Irã

Implementação do pacto

Segundo o texto do acordo divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, Líbano e Israel, oficialmente em guerra há décadas, manifestaram a intenção de encerrar definitivamente o conflito e formalizar o fim do estado de guerra entre os dois países.

O entendimento estabelece um processo para que as Forças Armadas Libanesas restabeleçam a autoridade do Estado sobre todo o território nacional, condicionado ao desarmamento verificado dos grupos armados não estatais.

Mesmo assim, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as tropas israelenses poderão permanecer em território libanês enquanto o Hezbollah continuar armado.

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