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Hezbollah rejeita acordo com Israel, que promete manter tropas no sul do Líbano
Publicado 27/06/2026 • 16:05 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 27/06/2026 • 16:05 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O acordo firmado entre Líbano e Israel para avançar rumo ao fim do conflito enfrenta resistência do Hezbollah e já provoca novos atritos na região. Neste sábado (27), o líder do grupo, Naim Qassem, declarou que o entendimento é inválido, enquanto o governo israelense anunciou que suas tropas permanecerão no sul do território libanês por tempo indeterminado, caso o movimento continue armado.
O acordo foi assinado na sexta-feira, em Washington, após cinco rodadas de negociações, e estabelece um processo voltado ao desarmamento do Hezbollah.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou ter determinado que as tropas israelenses se preparem para uma “permanência prolongada” no sul do Líbano.
Segundo ele, não haverá retirada nem redistribuição das forças israelenses enquanto o Hezbollah não for completamente desarmado em todo o território libanês.
O Líbano entrou na guerra regional em 2 de março, quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano em ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.
Leia também: Hezbollah rejeita negociações do governo libanês com os EUA e nega zona de segurança israelense
Em resposta, Israel realizou intensos bombardeios e invadiu o sul do Líbano, onde mantém tropas em áreas ocupadas e promove demolições de casas e outras construções.
O Irã defende que qualquer acordo para encerrar o conflito regional inclua também a situação no Líbano, enquanto o governo libanês tem buscado conduzir as negociações em separado.
Katz também afirmou que Israel responderá com “grande força” caso o Irã tente atacar o país para impedir a implementação do acordo firmado com o Líbano.
Leia também: Conflitos entre Israel e Hezbollah ameaçam avanço das negociações entre EUA e Irã
Também neste sábado, Naim Qassem classificou o entendimento como “humilhante, vergonhoso e uma rendição da soberania“.
Segundo o líder do Hezbollah, o acordo é nulo e deve prevalecer o memorando de entendimento firmado entre Irã e Estados Unidos para encerrar a guerra mais ampla no Oriente Médio, que também prevê um cessar-fogo no Líbano.
Qassem acusou ainda as autoridades libanesas de cometerem um “grave erro” ao legitimar a continuidade da ocupação israelense por vários anos, o que, segundo ele, pode até resultar na anexação desses territórios.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Estados Unidos ampliam sanções contra redes ligadas ao Hezbollah em meio a tensões no Líbano
Na noite de sexta-feira, apoiadores do Hezbollah foram às ruas de Beirute para protestar contra o acordo.
Na região de Hamra, o morador Ahmad Shamas, de 48 anos, afirmou à AFP que o entendimento alcançado é “humilhante e vergonhoso“.
Já outro morador, Husam Beiruiti, de 43 anos, adotou uma posição mais cautelosa e disse não enxergar alternativa ao acordo.
Segundo ele, o entendimento pode não ser suficiente para interromper as ações militares israelenses, mas defendeu esperar pelos resultados antes de tirar conclusões.
O Hezbollah se opõe às negociações diretas entre Líbano e Israel, iniciadas em abril.
Embora o cessar-fogo firmado em 17 de abril não tenha conseguido interromper completamente os confrontos, a violência diminuiu desde que Estados Unidos e Irã anunciaram o memorando de entendimento na semana passada.
Leia também: Hezbollah diz que acordo entre EUA e Irã deve incluir retirada de Israel do Líbano
Neste sábado, o Exército israelense informou ter atacado “suspeitos de terrorismo” que representavam ameaça aos seus soldados no sul do Líbano, enquanto a imprensa estatal libanesa também relatou novos bombardeios na região.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou o entendimento assinado em Washington como um “primeiro passo” para restaurar a soberania do país.
Segundo o texto divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, Líbano e Israel, oficialmente em guerra há décadas, manifestaram a intenção de “encerrar definitivamente o conflito, enfrentar suas causas e concluir formalmente qualquer estado de guerra entre os dois países“.
O acordo estabelece um processo pelo qual as Forças Armadas libanesas deverão restabelecer a autoridade efetiva do Estado sobre todo o território nacional, condicionado à verificação do desarmamento de grupos armados não estatais.
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