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Conflitos entre Israel e Hezbollah ameaçam avanço das negociações entre EUA e Irã
Publicado 20/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 20/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã continua cercado de incertezas, com novos confrontos entre Israel e o Hezbollah colocando em dúvida a viabilidade de um entendimento mais amplo na região. A avaliação é da consultora de risco político e relações internacionais Vera Galante, que vê o cenário atual como altamente volátil e repleto de interesses conflitantes.
Segundo ela, o documento anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve ser interpretado como um acordo definitivo de paz. “Trump tratou como um acordo, mas o Irã tratou como uma estrutura para uma futura conversa. As negociações que deveriam começar agora já foram adiadas”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Para Vera, a situação se tornou ainda mais complexa após Israel realizar novos ataques contra posições do Hezbollah no Líbano. Como o governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu não participa diretamente do entendimento entre Washington e Teerã, os confrontos criam obstáculos adicionais para qualquer tentativa de avanço diplomático.
“O problema é que são muitas peças no tabuleiro e há pouca confiança entre os envolvidos. Qualquer incidente pode colocar tudo a perder”, disse.
A consultora avalia que a exigência iraniana de redução das hostilidades na região fortalece a posição de Teerã nas negociações. Segundo ela, um dos pontos mais sensíveis envolve o futuro do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
“O Irã sairia ganhando nessas negociações porque passaria a ter um papel muito maior na gestão do estreito”, afirmou. Para Vera, esse cenário preocupa tanto os Estados Unidos quanto países produtores de petróleo da região, que veem com cautela uma ampliação da influência iraniana.
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Siga o Times | CNBCOutro fator de tensão é a atuação do Hezbollah, grupo apoiado financeiramente por Teerã. Na avaliação da especialista, o movimento pode ser utilizado pelo Irã como instrumento indireto de pressão sobre Israel e os Estados Unidos.
“O Hezbollah sempre foi usado pelo Irã em benefício próprio. Esse atrito pode fazer parte de uma lógica de pressão dentro das negociações”, afirmou.
Além dos desafios geopolíticos, Vera destaca que o contexto político interno dos Estados Unidos também influencia as decisões da Casa Branca. Segundo ela, Trump busca reduzir os efeitos econômicos e eleitorais do conflito, especialmente diante da proximidade das eleições legislativas de meio de mandato.
A expectativa do governo americano é que uma redução das tensões contribua para a queda dos preços do petróleo e alivie as pressões inflacionárias sobre combustíveis. No entanto, a consultora avalia que a estratégia enfrenta resistência dentro do próprio Partido Republicano.
“Os republicanos estão muito insatisfeitos com as concessões que os Estados Unidos estão fazendo”, afirmou. Para ela, a percepção de que Washington estaria cedendo demais nas negociações dificulta a tentativa de apresentar o entendimento como uma vitória política.
Apesar dos esforços diplomáticos, Vera Galante acredita que os próximos 60 dias serão decisivos para testar a viabilidade do memorando firmado entre as partes. Segundo a especialista, o risco de novos confrontos, retrocessos e tentativas de sabotagem continua elevado, mantendo a instabilidade como principal característica do cenário no Oriente Médio.
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