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Conflito no Oriente Médio

Quando o Estreito de Ormuz voltará a ser ‘seguro’ para a navegação comercial?

Publicado 30/04/2026 • 14:40 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Estreito de Ormuz passou a impactar de forma mais direta o comércio global.
  • Cerca de 2 mil embarcações seguem retidas no Golfo Pérsico aguardando autorização para atravessar o estreito.
  • Para que o Estreito de Ormuz volte a operar com segurança, o cenário exige estabilidade política, um cessar-fogo duradouro e garantias de liberdade de navegação.
Ormuz

Foto: Freepik

Após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Estreito de Ormuz passou a impactar de forma mais direta o comércio global.

Em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito em períodos de normalidade, a instabilidade elevou a pressão sobre cadeias de suprimento, preços de energia e o risco de desaceleração econômica.

A principal dúvida do mercado é quando o Estreito de Ormuz voltará a ser visto novamente como seguro para a navegação comercial, especialmente pelas seguradoras, que funcionam como um dos principais indicadores da retomada do tráfego marítimo.

Leia também: Rubio diz que EUA não permitirão que Irã controle tráfego no Estreito de Ormuz

O impacto em uma das principais rotas do comércio global

Segundo o portal Aljazeera, mesmo com operações militares anunciando avanços na remoção de minas e tentativas de estabilização, o cenário ainda está distante da normalização. Cerca de 2 mil embarcações seguem retidas no Golfo Pérsico, aguardando autorização para atravessar o estreito.

Ao mesmo tempo, o risco elevado mantém o seguro de guerra em níveis recordes, encarecendo e, em alguns casos, inviabilizando o transporte marítimo.

Desde o início da guerra, o estreito deixou de ser apenas um corredor logístico e passou a operar como um ponto de tensão geopolítica. O Irã fechou a passagem após ataques em seu território e passou a usá-la como instrumento de pressão em negociações internacionais.

Em resposta, os Estados Unidos intensificaram ações navais e ampliaram restrições a embarcações ligadas ao Irã, elevando a insegurança no tráfego marítimo.

Minas, rotas alternativas e aumento do risco no Estreito de Ormuz

A situação se agravou com relatos de áreas supostamente minadas no estreito. O Irã divulgou mapas com rotas alternativas, aproximando embarcações de sua costa, o que aumentou a percepção de risco entre armadores e seguradoras. Mesmo com autorização para passagem, a incerteza permanece elevada.

Autoridades dos Estados Unidos afirmam que a limpeza completa da região pode levar até seis meses. A operação envolve destróieres, drones subaquáticos e equipes especializadas em desminagem.

Ainda assim, eliminar totalmente o risco pode não ser possível no curto prazo, já que a confirmação de ausência de minas exige alto grau de certeza.

O impacto no mercado de seguros

Essa incerteza atingiu diretamente o mercado de seguros marítimos. As seguradoras suspenderam a cobertura de “riscos de guerra” para embarcações no estreito.

Antes do conflito, os valores dos seguros giravam em torno de 0,25% do valor do casco. Agora, em alguns casos, chegam a 5%, elevando fortemente o custo operacional.

Na prática, um navio avaliado em US$ 100 milhões pode pagar até US$ 5 milhões apenas para cobertura de passagem, contra cerca de US$ 250 mil antes da guerra.

O que falta para o Estreito Ormuz ser considerado seguro?

Apesar de avanços pontuais, o mercado segurador não se baseia apenas em desminagem. Para que o Estreito de Ormuz volte a operar com segurança, o cenário exige estabilidade política, um cessar-fogo duradouro e garantias de liberdade de navegação.

Além disso, as seguradoras dependem de previsibilidade. O setor não exige risco zero, mas um ambiente em que ele possa ser calculado e precificado. Hoje, esse cenário ainda não existe devido à possibilidade de novos ataques, apreensões ou erros de interpretação militar.

“Deve haver um compromisso explícito de todas as partes para garantir a liberdade de navegação por meio de canais marítimos estabelecidos e reconhecidos internacionalmente”, disse Munro Anderson, diretor de estratégia e operações marítimas da Vessel Protect, uma seguradora especializada em riscos de guerra marítima, com sede em Londres, Reino Unido.

Leia também: Crise no Estreito de Ormuz faz ONU cobrar livre navegação e eleva alerta para a economia global

Retomada depende de estabilidade prolongada

Mesmo com eventual reabertura, a normalização só deve ocorrer quando o tráfego marítimo se mantiver contínuo e sem incidentes por um período prolongado. Trânsitos isolados não são suficientes para recuperar a confiança do mercado.

Enquanto isso, o Estreito de Ormuz segue como um dos principais pontos de atenção da economia global, com impacto direto sobre o preço do petróleo e sobre o comércio internacional. Ainda não há prazo definido para que volte a operar sob padrões considerados seguros.

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