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Conflito no Oriente Médio

Guerra no Oriente Médio pode drenar bilhões da IA e mercado subestima risco, diz investidor

Publicado 30/04/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Região responde por cerca de 25% dos investimentos globais em IA nos próximos anos.
  • Conflito pode redirecionar capital para reconstrução local e afetar data centers e big techs.
  • Especialista alerta para possível bolha e perdas superiores às da era ponto com.

Uma eventual retração dos investimentos do Oriente Médio pode comprometer significativamente o avanço da inteligência artificial (IA) global, com impacto direto em projetos de infraestrutura e empresas de tecnologia. A avaliação é de Jack Selby, diretor da Thiel Capital, escritório familiar do investidor Peter Thiel, em entrevista à CNBC.

Segundo ele, fundos soberanos e entidades governamentais da região respondem por cerca de 25% dos investimentos globais previstos em IA para os próximos cinco anos, o que torna qualquer mudança de estratégia um fator de risco relevante para o setor.

Os mercados não estão dimensionando corretamente a importância do Oriente Médio para os investimentos em infraestrutura de IA”, afirmou. “Se esses projetos forem cancelados ou adiados, o impacto pode ser muito maior do que se imagina”, acrescentou.

Risco de retirada de capital e impacto global

De acordo com Selby, o prolongamento da guerra no Irã pode levar países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita a redirecionar recursos para reconstrução interna, reduzindo aportes no exterior.

Esse movimento teria efeito direto sobre data centers e empresas de tecnologia, tanto públicas quanto privadas, que passaram a depender fortemente desse fluxo de capital. Ele ressalta que parte desses investimentos já começa a ser afetada, com cancelamentos de contratos comerciais e logísticos sob alegação de força maior.

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O risco mais relevante, segundo o investidor, é a paralisação de grandes projetos de infraestrutura. “Os mercados não parecem entender que essa é uma situação muito real e extremamente volátil”, destacou.

Dependência crescente de grandes projetos

A presença do capital do Oriente Médio é significativa em iniciativas globais. Empresas como Oracle, Nvidia e Cisco participam de projetos ligados à OpenAI nos Emirados Árabes Unidos, incluindo a construção de um campus com capacidade de 5 gigawatts.

Além disso, a Microsoft planeja investir US$ 15 bilhões (R$ 74,6 bilhões) na região até 2029. Fundos soberanos também têm papel central no financiamento de empresas privadas de IA, com a própria OpenAI buscando cerca de US$ 50 bilhões (R$ 248,5 bilhões) junto a investidores da região.

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Selby estima que aproximadamente metade dos recursos do Oriente Médio destinados à IA esteja concentrada em data centers locais, enquanto o restante financia projetos globais.

Alerta para bolha e excesso de investimentos

Além do risco geopolítico, Selby aponta um problema estrutural: o excesso de capital no setor. Segundo ele, a IA apresenta sinais de uma possível bolha, semelhante à da era das empresas ponto com.

A IA é uma tecnologia revolucionária, mas também pode se tornar uma bolha extraordinária”, afirmou. Ele alerta que as perdas potenciais podem superar em muito episódios anteriores. “Quando essa bolha estourar, os prejuízos podem chegar a dezenas ou até centenas de bilhões de dólares”, disse.

O investidor destaca que grandes empresas de tecnologia devem investir mais de US$ 700 bilhões (R$ 3,5 trilhões) neste ano, ampliando a exposição a riscos de retorno.

Estratégia fora dos grandes polos tecnológicos

Diante desse cenário, Selby afirma que busca oportunidades fora dos principais centros tradicionais de tecnologia. Por meio do fundo Copper Sky, sediado no Arizona, ele pretende investir em empresas localizadas fora de Califórnia, Nova York e Massachusetts.

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Segundo ele, mais de 90% do capital de venture capital está concentrado nesses três estados, o que encarece os ativos e reduz o potencial de retorno.

Fora desses polos, as oportunidades são muito mais baratas e atrativas”, destacou.

Críticas a family offices e investimentos diretos

Selby também criticou a crescente tendência de family offices realizarem investimentos diretos em empresas privadas, sem intermediação de fundos. Segundo ele, muitos desses investidores não têm preparo técnico para avaliar riscos e acabam sendo influenciados por fatores sociais.

Muitos investidores querem ter algo interessante para comentar em círculos sociais, mais do que buscar retorno consistente”, afirmou.

Ainda assim, ele reconhece que a frustração com o desempenho de fundos tradicionais tem levado a esse movimento, destacando que uma parcela significativa das gestoras de venture capital hoje enfrenta dificuldades para gerar retorno.

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