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Mercados seguem reféns da imprevisibilidade entre EUA e Irã
Publicado 11/06/2026 • 11:24 | Atualizado há 2 dias
ALERTA DE MERCADO:
Ibovespa sobe 1,4% e encosta nos 173 mil pontos; Braskem despenca 13% após divulgação dos dados de reestruturação
Publicado 11/06/2026 • 11:24 | Atualizado há 2 dias
KEY POINTS
A principal ameaça para os mercados globais não está necessariamente na escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, mas na incapacidade de investidores e agentes econômicos de prever os próximos passos dos envolvidos, afirma Otto Nogami, sócio da Nogami Economia & Estratégias e professor de economia do Insper. Segundo ele, o anúncio do presidente Donald Trump de suspender novos ataques trouxe alívio momentâneo, mas está longe de eliminar os riscos.
“O mercado está reagindo não apenas em função dos fatos, mas principalmente em função da imprevisibilidade”, afirmou Nogami durante entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (11). Para ele, as oscilações recentes refletem a alternância de sinais emitidos pelos dois lados do conflito. “Ora há sinalização de negociação, ora endurecimento da retórica. Isso faz com que o prêmio de risco exigido pelos investidores aumente”, explicou.
O economista observa que a reação dos mercados foi imediata após a suspensão dos ataques. “O preço do petróleo despencou e chegou a cair 6% em um único dia, enquanto as bolsas passaram a reagir positivamente”, destacou. Ainda assim, ele avalia que o cenário continua marcado por forte volatilidade e incerteza.
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Na avaliação de Nogami, os investidores devem acompanhar os acontecimentos a partir de três possibilidades principais. A primeira seria uma retomada das negociações, com redução gradual das tensões e do prêmio de risco global.
“Existe um cenário de distensão, com retomada das negociações e redução gradual do prêmio de risco”, afirmou.
O segundo cenário envolveria um conflito limitado, com ataques pontuais e impactos mais restritos sobre a economia global. “Nesse caso, teríamos volatilidade elevada e inevitavelmente um petróleo mais caro”, disse.
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Já a terceira hipótese seria uma escalada regional mais ampla, envolvendo outros países do Oriente Médio e ampliando os impactos sobre energia, logística e inflação. “Esse é o cenário que mais preocupa porque afeta diretamente energia, logística e inflação global”, afirmou.
Para o professor, a região convive historicamente com tensões geopolíticas que dificultam previsões de longo prazo. Ele lembrou episódios como a crise do petróleo de 1973, a guerra entre Irã e Iraque em 1979 e os conflitos mais recentes envolvendo Israel e países vizinhos.
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Siga o Times | CNBC“Imaginar que toda essa tensão vai desaparecer definitivamente é muito difícil. Ela pode diminuir no curto prazo, mas tende a permanecer ao longo do tempo”, avaliou.
Nogami acredita que os efeitos econômicos do conflito vão além do petróleo e já começam a influenciar as decisões de política monetária em diversas economias. “À medida que o conflito altera rotas comerciais, logística e suprimentos, ele acaba impactando preços e aumentando as expectativas de inflação”, afirmou.
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Segundo ele, esse movimento cria pressão adicional sobre os Bancos Centrais, que podem ser levados a manter ou até elevar juros para conter o avanço dos preços. “Tecnicamente existe uma necessidade de aumento das taxas de juros justamente para controlar o processo inflacionário”, disse.
O economista citou sinais de pressão inflacionária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. “Indicadores como o IGP-M já apontam alta de preços no setor produtivo, e vemos fenômeno semelhante na economia americana”, observou.
Para ele, as próximas decisões de política monetária estarão entre os principais fatores observados pelos investidores. “A próxima semana estará totalmente no radar porque teremos decisões importantes de vários Bancos Centrais sobre os rumos dos juros”, afirmou.
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Nogami ressalta, porém, que as autoridades monetárias terão de equilibrar critérios técnicos e pressões políticas. “Há uma necessidade técnica de elevação dos juros, mas existe também uma componente política que não pode ser ignorada. O desafio será administrar essas duas dimensões ao mesmo tempo”, concluiu.
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