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Conflito no Oriente Médio

Por que o confronto no Oriente Médio está afetando voos no mundo todo?

Publicado 09/03/2026 • 11:50 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • Enquanto Estados Unidos, Irã e Israel brigam no Oriente Médio, companhias aéreas do mundo inteiro repensam suas dinâmicas de voo. Até a segunda-feira (2), ao menos 9 países restringiram, total ou parcialmente, seus espaços aéreos.
  • O Oriente Médio funciona como centro de diversas conexões de voos. Por meio dessa região, é possível realizar rotas para Europa, Ásia, África e até Américas. Sendo assim, passageiros de diferentes países lidam com as consequências das restrições, quando elas ocorrem. 
  • A malha aérea do Oriente Médio é responsável por atender mais de 100 rotas de voos. O Aeroporto Internacional de Istambul, na Turquia, por exemplo, oferece 327 conexões, sendo recordista em destinos atendidos no mundo. 

Foto: Freepik.

Enquanto Estados Unidos, Irã e Israel brigam no Oriente Médio, companhias aéreas do mundo inteiro repensam suas dinâmicas de voo. Até a última segunda-feira (2), ao menos nove países restringiram, total ou parcialmente, seus espaços aéreos.

A título de exemplo, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo (SP), dois aviões A380 — que mais comportam passageiros no mundo — ficaram parados desde o início do confronto armado, no sábado (28). 

Na verdade, um deles era um voo da Emirates rumo a Dubai e precisou retornar. Já o outro chegou ao Brasil e não pôde retornar devido às restrições no espaço aéreo do Oriente Médio.

A seguir, veja quais países do Oriente Médio estão com voos restritos devido ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos:

  1. Irã – fechado;
  2. Israel – reabrirá o espaço aéreo para voos internacionais entre 4 e 5 de março, para permitir o retorno seguro de israelenses ao país. No entanto, a decisão está sujeita a mudanças e a recomendação do site Safe Airspace é de não voar. 
  3. Iraque – fechado;
  4. Jordânia – aberto, mas com restrição de corredores;
  5. Qatar – fechado;
  6. Bahrein – fechado;
  7. Kuwait – fechado;
  8. Emirados Árabes Unidos – parcialmente aberto;
  9. Síria – de acordo com o jornal Enab Baladi, o Aeroporto Internacional de Aleppo retomou as operações à 00h desta quarta-feira (4). Já o Aeroporto Internacional de Damasco deve permanecer fechado, bem como outros corredores aéreos. 

Leia também: Ataques ao Irã podem provocar crise radiológica, diz Rússia; entenda o que isso significa

Por que a guerra entre Irã, Israel e EUA afeta o setor de aviação?

O Oriente Médio funciona como centro de diversas conexões de voos. Por meio dessa região, é possível realizar rotas para Europa, Ásia, África e até Américas. Sendo assim, passageiros de diferentes países lidam com as consequências das restrições, quando elas ocorrem. 

Na verdade, a partir de aeroportos do Golfo e do entorno do Mediterrâneo, é possível realizar rotas com desvios mínimos. Essa prática ajuda a reduzir custos e desviar de outras limitações técnicas. 

Nesse sentido, as conexões aéreas permitem elevar a ocupação das aeronaves e ampliar a frequência dos voos naquela rota. Ou seja, na ausência de pontos intermediários, muitas rotas teriam baixa demanda e seriam economicamente inviáveis.

A título de exemplo, em 2025, o aeroporto de Dubai foi o segundo mais movimentado do mundo, segundo dados da OAG, uma consultoria britânica especializada em inteligência do setor aéreo. Isso porque, no ano passado, foram ofertados 62,43 milhões de assentos, perdendo apenas para o aeroporto de Atlanta, nos EUA, que ofertou 63,09 milhões. 

Agora, as restrições aéreas – motivadas pela guerra entre Irã, Israel e EUA – podem aumentar o tempo de viagem e tarifas, principalmente em voos internacionais. 

O setor aéreo no Oriente Médio

Além disso, a malha aérea do Oriente Médio é responsável por atender mais de 100 rotas de voos. O Aeroporto Internacional de Istambul, na Turquia, por exemplo, oferece 327 conexões, sendo recordista em destinos atendidos no mundo, segundo ranking da OAG de 2025.

Em meio ao caos, as empresas que mais sentem o impacto do conflito armado são, principalmente: Emirates, Qatar Airways, Etihad Airways, Turkish Airlines, Saudia e Flydubai. Em geral, elas oferecem uma ampla gama de voos internacionais, motivo pelo qual são as maiores compradoras de aviões Boeing e Airbus. 

Leia também: EUA x Irã: quais são as armas utilizadas pelos países em guerra no Oriente Médio

Nesse contexto, faz sentido que a aviação seja relevante para a economia da região. Em 2023, segundo a Emirates, o setor foi responsável por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) de Dubai, movimentando cerca de R$ 195,2 bilhões. Além disso, são responsáveis por cerca de 630 mil empregos. 

Anteriormente, os corredores aéreos do Oriente Médio já haviam sido impactados pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Logo, as novas restrições devem afetar ainda mais o setor na região.

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