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Por trás do tarifaço americano, principais produtos brasileiros foram isentos e debate é mais político do que econômico
Publicado 05/06/2026 • 13:06 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 05/06/2026 • 13:06 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O barulho político em torno das medidas americanas contra o Brasil esta semana foi maior do que o impacto econômico concreto, pelo menos no curto prazo. É o que avalia Tsai Chi-Yu, financista e CEO da ST Invest, em entrevista ao programa Real Time desta sexta-feira (5).
Segundo Tsai, carne, soja, terras-raras e a maior parte das principais commodities exportadas pelo Brasil aos Estados Unidos entraram numa lista de exceções e ficaram de fora das sobretaxas anunciadas pelo governo Trump.
“Apesar dos anúncios e de toda essa discussão política, a atenção se volta muito mais para a questão política da interferência ou não dos Estados Unidos numa eleição que se aproxima no Brasil do que num aspecto mais econômico”, afirmou o financista. “A parte mais econômica, os principais produtos brasileiros, foram isentos.”
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O mercado brasileiro se viu diante de um aluvião de decisões simultâneas ao longo da semana. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, as sobretaxas do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com menção direta ao Pix, e as tarifas adicionais relacionadas a trabalho forçado, aplicadas a quase 60 países, chegaram em sequência, sem tempo para que investidores e empresas processassem cada medida antes da próxima.
“O mercado não teve tempo de reagir a uma dessas coisas e já vieram outras”, disse Tsai. Para ele, tanto o mercado brasileiro quanto o global estão se adaptando a um ambiente de imprevisibilidade crescente vindo de Washington, algo que o financista classifica como uma característica estrutural do atual governo americano.
🔍 USTR Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, responsável por conduzir negociações comerciais internacionais e aplicar medidas como tarifas e investigações anticompetitivas contra outros países.
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Siga o Times | CNBCEntre as preocupações de médio e longo prazo, Tsai destaca a menção explícita ao Pix no documento do USTR. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central brasileiro é visto por Washington como concorrente de tecnologias de pagamento americanas, o que pode gerar atritos futuros. A Febraban já divulgou nota defendendo a tecnologia.
No curto prazo, porém, o financista considera o impacto limitado. A discussão em torno do Pix é mais sobre posicionamento geopolítico do que sobre consequências imediatas para o sistema financeiro brasileiro.
O ponto que Tsai considera mais grave e concreto está nos departamentos de compliance das instituições financeiras brasileiras. Com a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA, bancos e gestoras passam a operar sob a lupa potencial da CIA, sem conseguir rastrear com precisão se recursos sob sua gestão passaram por entidades ligadas ao crime organizado.
“O dinheiro que vem do PCC ou do Comando Vermelho não vem estampado na testa. Esse dinheiro é lavado, processado num posto de gasolina, passa por uma outra instituição, por uma terceira, para chegar numa outra”, disse o financista. “Como você consegue rastrear isso de forma efetiva?”
Para Tsai, a resposta prática já está sendo adotada pelo mercado: conservadorismo. Nos próximos meses e possivelmente anos, os times de compliance das instituições financeiras brasileiras tendem a ser mais restritivos em suas decisões, o que pode reduzir a eficiência operacional do setor enquanto as regras do jogo não ficarem claras.
“Se ele é o Chief Compliance Officer e está assinando pela empresa, ele vai ser mais conservador. Não tem como”, concluiu o executivo.
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