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Defesa do Canadá entra em nova fase, com foco no Ártico, diz principal autoridade militar

Publicado 01/04/2026 • 18:38 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • Canadá avalia que mudanças climáticas e tensões geopolíticas tornam o Ártico mais acessível e estratégico.
  • Forças armadas passam por transformação para lidar com novos riscos e conflitos de maior escala.
  • País amplia investimentos e busca reduzir dependência dos EUA na área de defesa.

Daphne Lemelin / AFP

A general Jennie Carignan, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Canadenses, fala durante uma entrevista em seu gabinete no quartel-general da Defesa Nacional, em Ottawa

A defesa do território do Canadá e do Ártico está entrando em uma nova fase, afirmou à AFP a principal autoridade militar do país, Jennie Carignan, ao dizer que a “geografia” já não oferece proteção “como oferecia no passado”.

Com apenas os Estados Unidos historicamente considerado um aliado em suas fronteiras terrestres, além de dois oceanos e a vasta região do Ártico, o Canadá nunca precisou se preocupar significativamente com sua segurança territorial.

No entanto, as mudanças climáticas e o derretimento das calotas polares tornaram o extremo norte do país mais acessível e, consequentemente, mais cobiçado. Esse cenário, somado ao aumento das tensões entre Ottawa e Washington, alterou o status quo.

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As Forças Armadas do Canadá foram obrigadas a se “transformar”, afirmou Carignan em entrevista em Ottawa, classificando o momento como um “ponto de inflexão” para o país.

Ao citar a mudança estrutural provocada pelo clima, ela destacou a necessidade de o país “se posicionar de forma diferente” para “garantir que estamos no controle e assumindo a responsabilidade pela nossa defesa”.

“Houve modernização da infraestrutura, pré-posicionamento de materiais e equipamentos… e aumento no número de exercícios”, além de outras operações militares no norte do Canadá.

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O Ártico, onde as temperaturas sobem três a quatro vezes mais rápido do que no restante do planeta, tornou-se uma área disputada por diversos países. O derretimento do gelo facilita o acesso a recursos naturais estratégicos, como minerais e pescado, além de abrir novas rotas marítimas.

Investimentos em defesa

De forma mais ampla, o Canadá teve que se adaptar a uma nova realidade global, deixando para trás operações mais específicas das últimas décadas, como as realizadas no Afeganistão.

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Segundo Carignan, as forças canadenses precisam se preparar para conflitos de maior escala, ao mesmo tempo em que buscam reduzir a dependência dos Estados Unidos nas cadeias de suprimentos militares.

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O país criou uma agência voltada a investimentos em defesa, com o objetivo de fortalecer sua base industrial doméstica, o que exigiu mudanças orçamentárias.

Ela afirmou estar satisfeita com o fato de os gastos militares terem atingido 2% do PIB, alinhando-se à meta da Otan.

Ainda assim, ressaltou que são necessários “investimentos sustentados e estáveis nos próximos 10 a 15 anos” para viabilizar os esforços de transformação e modernização.

Carignan, que assumiu o cargo de chefe do Estado-Maior da Defesa em julho de 2024, é a primeira mulher a ocupar essa posição em um país do G7.

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 Ela afirmou esperar que seu exemplo sirva como “modelo” para outras mulheres, destacando que o aumento recente no número de candidatas indica avanços nos esforços de recrutamento.

O Canadá pretende investir 500 bilhões de dólares canadenses (US$ 360,1 bilhões – R$ 1.854,5 bilhões) em defesa ao longo dos próximos 10 anos.

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