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Depois de 20 anos, Bulgária adota o euro; veja quantos países usam a moeda
Publicado 01/01/2026 • 12:06 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 01/01/2026 • 12:06 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
NIKOLAY DOYCHINOV / AFP
Pessoas se reúnem em frente ao Banco Nacional da Bulgária (E) e ao prédio do Parlamento búlgaro (D) para celebrar o Ano Novo, em Sófia, no dia 1º de janeiro de 2026, com a adoção oficial do euro pela Bulgária.
Na quinta-feira (1º), a Bulgária tornou-se o 21º país a adotar o euro, um marco recebido com aplausos e receios, quase 20 anos depois de a nação ter aderido à União Europeia.
À meia-noite (19h de quarta-feira, 31, no horário de Brasília), a Bulgária abandonou o lev, moeda em uso desde o final do século XIX. Como comemoração, moedas de euro búlgaras foram projetadas no prédio do banco central.
“Dou as boas-vindas à Bulgária à família do euro”, disse Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, classificando o euro como um “símbolo poderoso” de “valores compartilhados e força coletiva”.
“Ótimo! Funcionou!” exclamou Dimitar, um homem de 43 anos, após sacar 100 euros em um caixa eletrônico pouco depois da meia-noite.
Os sucessivos governos deste país de 6,4 milhões de habitantes têm defendido a adesão ao euro, na esperança de que isso impulsione a economia do membro mais pobre da União Europeia, reforce os laços com o Ocidente e proteja contra a influência da Rússia.
Mas os búlgaros estão divididos há muito tempo sobre a mudança, muitos deles preocupados que a introdução possa acarretar preços mais altos e agravar a instabilidade política que abala o país.
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Em um discurso transmitido pouco antes da meia-noite, o presidente Rumen Radev saudou a medida como o “passo final” na integração da Bulgária à União Europeia, enquanto milhares de pessoas enfrentavam temperaturas abaixo de zero na capital, Sofia, para celebrar o Ano Novo.
Radev, no entanto, lamentou que os búlgaros não tivessem sido consultados por meio de referendo sobre a adoção.
“Essa recusa foi um dos sintomas dramáticos da profunda divisão entre a classe política e o povo, confirmada por manifestações em massa em todo o país.”
Protestos anticorrupção derrubaram um governo liderado por conservadores em meados de dezembro, deixando o país apreensivo com a inflação às vésperas de sua oitava eleição em cinco anos.
“As pessoas temem que os preços subam, enquanto os salários permaneçam os mesmos”, disse à AFP em Sofia uma mulher de 40 anos que preferiu não se identificar.
Num dos maiores mercados da cidade, as bancas exibiam os preços de tudo, desde mantimentos até itens essenciais para a véspera de Ano Novo, como fogos de artifício, tanto em levs quanto em euros.
“Toda a Europa conseguiu se virar com o euro, nós também conseguiremos”, disse o aposentado Vlad à AFP.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na quarta-feira (31) que a entrada da Bulgária na zona do euro representa “um marco importante” para os búlgaros.
“Isso tornará as viagens e a vida no exterior mais fáceis, aumentará a transparência e a competitividade dos mercados e facilitará o comércio”, disse ela.
O governador do banco central, Dimitar Radev, disse que o euro simboliza muito mais do que “apenas uma moeda – é um sinal de pertencimento”.
Mas, de acordo com a última pesquisa do Eurobarômetro, 49% dos búlgaros são contra a mudança.
O primeiro-ministro cessante, Rossen Jeliazkov, procurou tranquilizar o público antes da mudança, dizendo que “contava com a tolerância e a compreensão dos cidadãos e das empresas”.
Ele acrescentou que a inflação no país, que aderiu à UE em 2007, não estava relacionada à adoção do euro.
Mas as preocupações dos búlgaros com a inflação não são infundadas.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, os preços dos alimentos subiram 5% em novembro em comparação com o mesmo período do ano anterior, mais que o dobro da média da zona do euro.
“Infelizmente, os preços já não correspondem aos valores em levs”, disse à AFP Turgut Ismail, de 33 anos, dono de uma pastelaria, acrescentando que os preços já começaram a subir.
Uma campanha de protesto contra o euro no início deste ano, que explorou a visão geralmente negativa da moeda única entre grande parte da população, também alimentou os temores de aumentos de preços.
Considerando a instabilidade política contínua na Bulgária, quaisquer problemas com a adoção do euro seriam aproveitados por políticos anti-UE, alertou Boryana Dimitrova, do instituto de pesquisas Alpha Research.
Algumas pessoas, incluindo empresários, reclamaram da dificuldade em obter euros, com lojistas afirmando que não receberam os pacotes iniciais em euros que encomendaram.
“Não é a hora certa!”, lamentou Stephane, um economista de 64 anos. “Ontem vi os números da Itália, Espanha e Alemanha: a dívida deles é enorme. E, no fim, nós é que vamos carregá-la nas costas.”
O euro foi introduzido pela primeira vez em 12 países em 1º de janeiro de 2002. A Croácia foi o último país a aderir, em 2023.
A adesão da Bulgária elevará para mais de 350 milhões o número de europeus que utilizam o euro.
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