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Eleições de meio de mandato entram na reta final e colocam agenda de Trump em jogo

Publicado 26/07/2026 • 10:45 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • Republicanos chegam aos últimos 100 dias antes da votação sob pressão nas pesquisas.
  • Democratas aparecem favoritos para retomar o controle da Câmara dos Representantes.
  • Disputa pelo Senado segue equilibrada e pode definir o alcance político do governo Trump.

Faltando 100 dias para as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o Partido Republicano enfrentam um cenário desafiador. As pesquisas mais recentes indicam vantagem dos democratas na disputa pela Câmara dos Representantes, enquanto a corrida pelo Senado permanece acirrada e pode definir o espaço político do governo na segunda metade do mandato.

Embora Trump não esteja entre os candidatos na votação marcada para 3 de novembro, o resultado será decisivo para sua administração. Caso os democratas retomem a maioria na Câmara, passarão a comandar comissões estratégicas, terão poder para convocar investigações e poderão ampliar a fiscalização sobre as ações do governo, incluindo a possibilidade de novas iniciativas relacionadas a um eventual processo de impeachment.

Os republicanos chegam à reta final da campanha com uma maioria estreita na Câmara, índices de aprovação presidencial enfraquecidos e um ambiente econômico que preocupa parte do eleitorado, marcado pela inflação elevada, juros altos, aumento do custo de vida e pelos efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre os preços da energia.

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Pesquisas favorecem democratas

Projeção do site especializado Decision Desk HQ atribui 59% de probabilidade de os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes. A estimativa aponta para uma composição de 224 deputados democratas e 211 republicanos.

Historicamente, o partido do presidente costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato, e a atual vantagem republicana é suficientemente estreita para que poucas mudanças alterem o comando da Casa.

O aumento do preço da gasolina para mais de US$ 4 por galão, a inflação persistente e os juros elevados passaram a influenciar o humor do eleitorado. Pesquisas citadas pelos democratas mostram que os eleitores passaram a confiar mais no partido em temas como inflação, saúde e até imigração – pauta tradicionalmente associada aos republicanos.

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Ao lançar uma nova campanha voltada ao custo de vida, o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que Trump e os republicanos “fracassaram com o povo americano”. A estratégia da legenda concentra críticas no preço dos alimentos, combustíveis, moradia e serviços de saúde.

Republicanos apostam em imigração e redesenho eleitoral

Os republicanos sustentam que a eleição colocará frente a frente o que classificam como uma agenda de “bom senso” e um Partido Democrata cada vez mais alinhado à ala progressista.

A campanha republicana pretende concentrar o discurso no fortalecimento do controle das fronteiras e na manutenção dos cortes de impostos promovidos por Trump.

O presidente também intensificou a defesa do projeto SAVE America Act, que, segundo ele, é necessário para evitar fraudes eleitorais. Os democratas, por outro lado, afirmam que a proposta poderá restringir o acesso de eleitores ao voto.

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Outra frente considerada estratégica é o redesenho dos distritos eleitorais para a Câmara. Embora os dois partidos tenham promovido alterações em seus respectivos estados, analistas avaliam que os republicanos podem conquistar uma vantagem líquida entre cinco e 12 cadeiras com o novo mapa eleitoral.

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Para a professora de Ciência Política da George Washington University, Sarah Binder, o impacto da redefinição dos distritos reduziu significativamente o número de disputas realmente competitivas nesta eleição.

Além disso, os republicanos chegam aos meses finais da campanha com vantagem financeira, contando com dezenas de milhões de dólares a mais em recursos de campanha do que os comitês democratas.

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Senado promete disputa apertada

No Senado, o cenário permanece equilibrado. Atualmente, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras, enquanto os democratas controlam 47.

Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um ganho líquido de quatro vagas. Ainda assim, o Decision Desk HQ aponta leve favoritismo republicano para manter o controle da Casa, projetando um empate em 50 a 50, situação em que o vice-presidente JD Vance teria o voto de desempate.

Mesmo que apenas a Câmara passe para o controle democrata, Trump enfrentaria uma mudança significativa no restante do mandato. Grande parte de sua agenda legislativa dependeria da aprovação da oposição, enquanto integrantes do governo passariam a ser alvo de audiências públicas e investigações conduzidas pelos democratas.

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Entre os temas que poderão receber maior escrutínio estão a condução da guerra contra o Irã, questões éticas envolvendo a administração e as iniciativas do governo relacionadas às regras eleitorais.

Em um podcast sobre os cem dias restantes até a eleição, o analista político Chuck Todd afirmou que os republicanos deixaram de ser amplos favoritos ao Senado e hoje possuem apenas uma vantagem mínima.

Segundo ele, a disputa pela Câmara pode resultar em um ganho entre 10 e 25 cadeiras para os democratas, reflexo dos baixos índices de popularidade de Trump.

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Pesquisa Economist/YouGov mostra que 36% dos americanos aprovam o desempenho do presidente. Para Todd, esse indicador historicamente costuma antecipar perdas do partido que ocupa a Casa Branca nas eleições de meio de mandato.

“Não existe indicador melhor para prever uma eleição de meio de mandato do que a aprovação do presidente. Quando ela fica abaixo de 45%, o partido do governo perde cadeiras. Abaixo de 40%, aumenta muito a chance de perder o controle de uma das Casas do Congresso”, afirmou.

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