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Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões e custo dos juros preocupa mercado

Publicado 20/08/2026 • 23:00 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • O mercado de títulos dos EUA enfrenta um cenário de maior pressão enquanto o governo americano acumula uma dívida que já ultrapassa US$ 40 trilhões (cerca de R$ 207 trilhões).
  • principal sinal de preocupação aparece nos papéis de longo prazo: o rendimento dos títulos do Tesouro com vencimento em 30 anos chegou a 5,3%, maior nível desde 2007.
  • A alta dos rendimentos significa que o governo precisa pagar mais para captar recursos. Consequentemente, o custo para administrar o endividamento também aumenta.
Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões e custo dos juros preocupa mercado

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Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões e custo dos juros preocupa mercado

O mercado de títulos dos EUA enfrenta um cenário de maior pressão enquanto o governo americano acumula uma dívida que já ultrapassa US$ 40 trilhões (cerca de R$ 207 trilhões). O principal sinal de preocupação aparece nos papéis de longo prazo: o rendimento dos títulos do Tesouro com vencimento em 30 anos chegou a 5,3%, maior nível desde 2007.

A alta dos rendimentos significa que o governo precisa pagar mais para captar recursos. Consequentemente, o custo para administrar o endividamento também aumenta. A estimativa é que os juros da dívida pública consumam cerca de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,26 trilhões) neste ano.

De acordo, com o El País, esse cenário ajuda a explicar por que a marca alcançada pela dívida americana ganhou relevância. O Tesouro registrou US$ 40.047.425.768.420 (R$ 207 trilhões) em obrigações do governo federal. Em relação ao tamanho da economia, o montante equivale a 124% do Produto Interno Bruto (PIB), a maior proporção desde, pelo menos, o período posterior à Segunda Guerra Mundial.

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Mercado cobra mais para financiar os EUA

A preocupação dos investidores não está apenas no valor acumulado. O que pesa agora é a combinação entre dívida elevada, déficits crescentes e uma remuneração maior exigida pelos compradores dos títulos americanos.

Quando os rendimentos sobem, o financiamento do governo fica mais caro. Além disso, o movimento pode chegar ao crédito contratado pelas famílias, afetando as condições de hipotecas, financiamentos de veículos e empréstimos estudantis.

Para tentar conter essa pressão, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o aumento das recompras de títulos públicos no mercado secundário. A intenção é ampliar a liquidez e ajudar a reduzir os custos de financiamento. O problema, porém, não se resume às medidas de curto prazo. A conta fiscal continua crescendo e deve exigir cada vez mais recursos do orçamento federal.

Déficit aumenta durante governo Trump

A expansão do endividamento ganhou força durante o segundo mandato de Donald Trump. O governo elevou despesas, incluindo gastos relacionados à guerra com o Irã, enquanto medidas de redução de impostos e mudanças na arrecadação contribuíram para pressionar o resultado fiscal.

A previsão é que o déficit orçamentário americano ultrapasse US$ 2 trilhões (R$ 10,38 trilhões) neste ano, valor próximo de 6% do PIB. Ainda assim, a escalada da dívida não começou com Trump. Durante a administração de Joe Biden, os Estados Unidos também aumentaram significativamente os gastos públicos para enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19 e da inflação.

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Portanto, o atual recorde reúne decisões fiscais de diferentes períodos. A diferença agora está no custo para manter esse passivo, justamente quando os juros dos títulos de longo prazo voltaram a níveis elevados.

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Dívida líquida também está próxima do PIB dos EUA

Os US$ 40 trilhões (R$ 207 trilhões) correspondem à dívida bruta e incluem obrigações entre diferentes órgãos do governo. Por isso, outro indicador utilizado para avaliar a situação fiscal é a dívida líquida em poder dos investidores. Esse valor chega a US$ 37,64 trilhões (R$ 195,46 trilhões), equivalente a 99% do PIB americano. Assim, mesmo excluindo parte das obrigações internas, o nível de endividamento continua próximo do tamanho anual da economia.

O alerta também aparece nas projeções do Congressional Budget Office (CBO). O órgão estima que a dívida federal mantida pelo público avance de 101% do PIB em 2026 para 120% em 2036.

Trump pressiona por juros menores

Com o aumento do custo de financiamento, Trump voltou a defender cortes nas taxas de juros do Federal Reserve. O presidente argumenta que uma economia forte deveria operar com crédito mais barato.

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O desafio para o banco central, entretanto, envolve também o controle da inflação. Uma redução dos juros pode aliviar o custo da dívida, mas uma política monetária mais frouxa também pode aumentar as pressões sobre os preços.

Dessa forma, o recorde de US$ 40 trilhões (R$ 207 trilhões) coloca os EUA diante de uma questão que vai além do tamanho da dívida. O principal desafio passa a ser administrar o custo desse endividamento enquanto os investidores exigem retornos maiores e as projeções fiscais apontam para novos aumentos nos próximos anos.

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