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Dólar abaixo de R$ 5 e entrada de capital estrangeiro: o impacto do produtor rural ao varejo
Publicado 19/04/2026 • 19:55 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 19/04/2026 • 19:55 | Atualizado há 3 semanas
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Pixabay
A entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira pode parecer notícia só para quem acompanha o mercado financeiro. Mas seus efeitos podem chegar às gôndolas dos supermercados – e os economistas já estão de olho nesse caminho.
O dólar encerrou o dia 13 de abril abaixo de R$ 5 – a menor cotação desde março de 2024. Na semana seguinte, o Real se valorizou a R$ 5,10 por dólar, atingindo seu nível mais forte desde maio de 2024 , beneficiado pelo acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã e pelo forte fluxo de capital estrangeiro no país.
Para Higor Rabelo, economista e sócio da Valor Investimentos, o efeito vai além da tela do home broker. “Se o dólar está mais barato, você tira a pressão inflacionária do país. Esse dólar desvalorizado é positivo para o Brasil”, afirma. O mecanismo é direto: insumos agrícolas como fertilizantes são cotados em dólar. Máquinas, combustível, componentes industriais. Tudo fica mais barato quando o real se fortalece.
A economista e sócia da Oz Capital, Raissa Florence, reforça o raciocínio pelo lado psicológico e real. “O câmbio alto traz um viés psicológico de que tudo está caro e que nosso dinheiro está perdendo valor. Um real mais forte tende a atrair fluxo e reduzir a percepção de risco.”
Os dados recentes corroboram a tese. A inflação oficial fechou 2025 em 4,26%, menor índice desde 2018, com o grupo alimentos e bebidas registrando variação de apenas 2,95%, após 7,69% em 2024. A queda do dólar ao longo daquele ano foi apontada como um dos principais fatores do alívio. Dados do Ipea indicam que o câmbio mais barato beneficia toda a cadeia produtiva: barateia fertilizantes, facilita a compra de máquinas e até desestimula exportações, deixando mais produto disponível no mercado interno.
Agora, com o dólar operando próximo de R$ 5 e a entrada de capital estrangeiro em ritmo recorde — R$ 53,83 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultoria Elos Ayta —, as condições para um alívio nos preços de alimentos voltam a aparecer no horizonte.
O sinal, porém, demora para chegar até as etiquetas de preço. O câmbio impacta primeiro o produtor rural e o importador, depois o atacado, e só então o varejo. A demora pode ser de semanas a meses. Mas a tendência, quando o real se valoriza de forma consistente, costuma chegar.
Florence avisa que o movimento ainda não é estrutural. “Qualquer mudança de percepção de risco pode inverter rápido.” Para Rabelo, o risco de reversão está mais no cenário externo do que no interno. “O risco de curto prazo está meio mitigado, até pela questão do conflito, que dificulta você baixar juros no mundo inteiro.”
Por ora, quem faz compras no mercado e ainda sente o peso de uma cesta básica inflada pode ter, finalmente, razões para algum otimismo.
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