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EXCLUSIVO: Alívio, decepção e esperança; o sentimento das vítimas da Naskar após a prisão dos sócios que deram golpe de R$ 900 milhões

Publicado 25/07/2026 • 18:00 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Vítimas da Naskar comemoram prisão de sócios mas cobram recuperação de R$ 900 milhões desviados
  • Investidores relatam temor de fuga dos sócios e denunciam luxo ostentado por Douglas Azara
  • Seis vítimas da Naskar descrevem impacto financeiro e emocional após colapso da fintech
naskar azara

Foto: Montagem

Seis vítimas da Naskar avaliaram à reportagem do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC a prisão de três sócios da gestora, ocorrida na quarta-feira (22) em São Paulo pela Polícia Civil do Distrito Federal. Os relatos reúnem sentimentos de alívio, desconfiança e cobrança por respostas sobre o destino de R$ 900 milhões apontados pela investigação como desviados de cerca de 3 mil investidores em todo o país.

As pessoas ouvidas pediram para não terem seus nomes divulgados. Serão identificadas apenas por iniciais ou pela condição de investidor lesado.

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Sócios da Naskar presos geram alívio parcial

Segundo a vítima identificada como A.B.B., a prisão dos sócios representa um avanço depois de meses de espera. Ela lembra que a notícia do golpe veio a público no início de maio e que o receio de fuga dos envolvidos aumentava a cada semana.

“A prisão deles foi importante pois achávamos que nada estava sendo feito pela Justiça, já que a notícia do golpe foi dada em maio, e temíamos que fugissem do país”, afirmou.

Ainda conforme A.B.B., o alívio é parcial porque o comprador da empresa que teria assumido a dívida com os investidores, Douglas Azara, segue solto e sem restrições de movimentação. “O novo dono da Naskar segue em viagens, comprando carros de luxo, apostando em cassinos e fazendo postagens de deboche com as vítimas nas redes sociais”, disse.

Para ela, a expectativa agora recai sobre a recuperação dos valores. “Esperamos que a justiça consiga agir para que consigamos recuperar o nosso dinheiro investido”, completou.

Também destacou o papel da cobertura jornalística no andamento do caso. “Até que enfim (foram presos), e a imprensa ajudou muito nessa luta, fiquei muito feliz quando recebi a notícia”, disse a vítima à reportagem em uma mensagem por WhatsApp logo após a confirmação da prisão.

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Vítimas da Naskar cobram rastreamento do dinheiro

Outra investidora ouvida pela reportagem descreveu as prisões como o início de uma etapa mais relevante da apuração. Segundo ela, a movimentação de R$ 900 milhões deixou rastros que agora precisam ser reconstituídos pelas autoridades.

“R$ 900 milhões não desaparecem no ar. Esse dinheiro percorreu contas, instituições, empresas e pessoas. Agora que houve prisões, buscas e apreensões, esperamos que as autoridades reconstruam esse caminho até o último destino possível”, relatou.

A investidora listou uma série de perguntas que considera fundamentais para o desfecho do caso. Entre elas, quanto já foi bloqueado ou apreendido, se existem outros bens sob investigação, qual será o destino dos valores recuperados e como os investidores poderão habilitar seus créditos.

“Receber a notícia das prisões depois de meses de angústia traz a sensação de que, finalmente, alguma coisa começou a acontecer”, disse. Na sequência, ponderou que a detenção dos sócios não encerra a expectativa das vítimas.

“A prisão não pode ser o ponto final. Ela precisa ser o começo do caminho até o dinheiro. São milhares de pessoas que perderam economias de uma vida inteira, aposentadorias, patrimônio de famílias e tudo o que construíram durante anos.”

Segundo a investidora, o grupo de vítimas quer respostas concretas sobre o paradeiro dos recursos. “Queremos que todo o fluxo financeiro seja rastreado, que o patrimônio relacionado aos fatos seja localizado e preservado e que todos os que eventualmente tenham participado ou se beneficiado sejam investigados e responsabilizados na medida de sua participação. Não queremos apenas ver pessoas presas. Queremos justiça, respostas e, principalmente, a recuperação do que é nosso.”

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Douglas Azara segue ostentando luxo, segundo vítimas

Enquanto os três sócios permanecem presos, vítimas ouvidas pela reportagem afirmam que Douglas Azara, apontado como novo titular da Naskar após a suposta venda para a gestora Azara Capital, está em Dubai. Segundo relatos, ele mantém rotina de gastos, apostas e publicações em tom de deboche direcionadas aos investidores lesados.

As informações sobre a rotina de Azara no exterior se baseiam em relatos de vítimas e monitoramento de redes sociais. O empresário costuma compartilhar sua vida na conta do instagram, no entanto, após as prisões, ele deletou as postagens.

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Pedidos de apreensão de passaporte sem efeito

Documentos citados pelas vítimas mostram que já havia pedido de retenção de passaportes ligado ao processo 0725608-76.2026.8.07.0001, da 4ª Vara Cível de Brasília. O item de número seis do rol de pedidos menciona a retenção dos passaportes de Rogério Vieira, Marcelo Liranço Arantes, José Maurício Volpato, Lucas de Oliveira França Teles, Ítalo Fonseca Teles e Rose Cleide Fonseca Teles.

Até a divulgação das prisões, a medida não havia sido efetivada, segundo as vítimas.

Impacto financeiro e emocional entre vítimas da Naskar

Além das falas sobre a prisão, relatos recolhidos ao longo da apuração mostram a dimensão do prejuízo entre os investidores.

Um deles, desempregado após demissão, afirmou ter aplicado inicialmente R$ 200 mil e depois mais R$ 500 mil, valores dos quais tirava um rendimento mensal de R$ 14 mil para sustento próprio.

Outra vítima relatou perda de R$ 1,1 milhão acumulado ao longo de quase um ano de investimento, dinheiro que classificou como resultado de anos de trabalho e sacrifício. Segundo o relato, o episódio trouxe ansiedade, uso contínuo de medicação e, em determinado momento, pensamento suicida.

Uma investidora divorciada afirmou ter aplicado na Naskar o valor recebido pela venda de um imóvel, descrito como o único patrimônio que possuía. Após o colapso, precisou devolver o apartamento onde morava e passou a residir na casa da mãe, além de interromper uma especialização profissional por falta de recursos.

Um casal relatou ter vendido a própria casa em janeiro de 2026 para investir R$ 410 mil na Naskar, decisão tomada após pesquisar a trajetória da empresa e ouvir recomendações de outros investidores com anos de aplicação na gestora. Após a suspensão dos pagamentos em maio, o casal descreveu quadro de depressão e afastamento do trabalho, além do impacto sobre o filho de 12 anos, que passou a acompanhar de perto as dificuldades financeiras da família.

Outro investidor, que entrou na Naskar por meio de um agente comercial em Goiânia, relatou ter aplicado cerca de R$ 2 milhões obtidos com a venda de uma casa. Segundo ele, o valor ajudava a cobrir despesas médicas dos pais e hoje falta recurso até para gastos do dia a dia, além de tensão no casamento desde a suspensão dos pagamentos.

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