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Dólar fecha perto da estabilidade com foco na inflação dos EUA e tensão no Oriente Médio

Publicado 10/06/2026 • 17:31 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Mercado segue atento ao cenário externo e doméstico, com investidores monitorando a escalada do conflito entre EUA e Irã e as perspectivas para o ciclo eleitoral brasileiro.
  • Inflação americana foi impulsionada principalmente pela alta dos preços da energia, especialmente da gasolina, refletindo um choque de oferta ligado às tensões no Oriente Médio, e não um aumento da demanda.
  • Agravamento do conflito entre EUA e Irã elevou a aversão ao risco global, pressionando ativos de países emergentes, como o real, ao aumentar a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros.
Notas de dólar

Notas de dólar

Pixabay

A cotação do dólar ante o real encerrou a sessão desta quarta-feira (10) próximo à estabilidade, em baixa de 0,13% aos R$ 5,17, em linha com pares internacionais após a divulgação de dados de inflação nos EUA.

Segundo Diego Hernandez, sócio da Ativo Investimentos, a sessão manteve a tendência de alta observada nos últimos dias, “após a abrupta elevação que tivemos no início do mês e após dados do mercado de trabalho mais aquecido dos EUA na semana passada”.

Para ele, mercado ainda vive em compasso de espera diante do impasse no conflito entre EUA e Irã e do desenrolar do ciclo eleitoral no Brasil.  “Entendemos que a trajetória ainda é de apreciação da moeda americana frente ao real, dado que o fluxo do investidor estrangeiro ainda é de saída para outras oportunidades”, ele diz.

Segundo João Tonello, analista da Nomos, a alta do CPI americano foi quase toda devido a energia, com a gasolina disparando mais de 40% no ano por causa do choque do conflito com o Irã. Sozinho, o item responde por mais de 60% do ganho mensal. 

“Ou seja: o americano não está gastando mais, está pagando mais caro pela mesma gasolina. É um choque de oferta, não de demanda — e contra guerra, juro não tem remédio. Isso dá ao Fed a cobertura que precisa para segurar a mão na Super Quarta”, ele diz. 

Já Leonel Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que o principal fator observado pelos investidores internacionais é a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ontem, o Irã derrubou um helicóptero militar norte-americano na região do Estreito de Ormuz, o que levou os EUA a bombardearem instalações militares no país persa. Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia.

Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã demorou demais para negociar um acordo e que, por isso, “pagaria o preço”, em uma clara ameaça de escalada do conflito. “A declaração também sugere que um eventual acordo de paz pode estar mais distante neste momento”, ele diz.

“Essa deterioração do cenário geopolítico aumenta a percepção de risco dos investidores, que passam a exigir prêmios maiores para manter posições em ativos mais arriscados. Isso tende a prejudicar o desempenho de ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real, gerando pressão altista sobre a taxa de câmbio”, conclui. 

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