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Em discurso, Warsh evita sinalizar próximos passos do Fed; combate à inflação continua como prioridade

Publicado 28/08/2026 • 12:45 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Kevin Warsh defendeu uma condução da política monetária menos dependente de sinalizações antecipadas sobre decisões de juros.
  • Warsh continua tendo como objetivo levar a alta de preços para 2%, medida pelo índice de gastos de consumo pessoal (PCE).
  • A inflação permanece acima da meta há um período prolongado, o que coloca o controle dos preços no centro das decisões do banco central americano.

Divulgação/Federal Reserve

O presidente do Fed, Kevin Warsh

Em discurso no Simpósio Econômico de Jackson Hole, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, defendeu uma condução da política monetária menos dependente de sinalizações antecipadas sobre decisões de juros. Segundo ele, o excesso de “forward guidance” pode levar investidores a se posicionarem antes da divulgação dos dados econômicos e, com isso, reduzir a capacidade do banco central de reagir a mudanças no cenário.

A postura mantém o mercado sem uma indicação direta sobre o próximo movimento da taxa de juros americana. Warsh afirmou que as decisões devem continuar sendo tomadas a partir de um conjunto amplo de informações sobre inflação, emprego, crédito, atividade econômica e fluxo de capitais.

Para Warsh, comunicar previamente uma trajetória provável para os juros pode fazer com que participantes do mercado antecipem decisões do Fed. Essas movimentações, por sua vez, podem produzir efeitos sobre a economia antes mesmo de a autoridade monetária efetivamente alterar sua política.

O presidente do Fed afirmou que pretende limitar esse tipo de orientação e deixar que investidores construam suas próprias avaliações a partir dos indicadores econômicos. Na avaliação dele, uma política excessivamente baseada em guidance também pode restringir a liberdade do banco central americano para mudar de direção quando surgirem novas informações.

A estratégia representa uma mudança em relação ao uso mais frequente desse instrumento por administrações anteriores do Fed. Warsh argumentou que o mecanismo pode funcionar melhor em modelos teóricos do que diante da complexidade da economia real.

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Inflação segue acima da meta

Apesar de evitar uma indicação explícita sobre os juros, Warsh foi direto ao tratar da inflação. A autoridade monetária continua tendo como objetivo levar a alta de preços para 2%, medida pelo índice de gastos de consumo pessoal (PCE).

Segundo ele, a inflação permanece acima da meta há um período prolongado, o que coloca o controle dos preços no centro das decisões do banco central. Warsh citou diferentes indicadores para mostrar que ainda há pressão sobre os preços, embora as métricas de inflação tenham melhorado em relação aos níveis observados nos últimos anos.

As expectativas de inflação de médio prazo, por outro lado, permanecem relativamente estáveis. Para Warsh, esse comportamento indica que o mercado ainda considera possível a convergência dos preços para um ambiente de maior estabilidade.

Mercado de trabalho é descrito como resiliente

O segundo componente do mandato do Fed, o emprego, apresentou um quadro considerado mais equilibrado por Warsh. O mercado de trabalho americano permanece estável, com desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento salarial mais moderado.

Esse cenário dá maior margem para que a autoridade monetária mantenha o foco sobre a inflação. Ao mesmo tempo, Warsh ressaltou que as decisões precisam considerar eventuais mudanças nas condições de emprego e na atividade econômica.

A avaliação do mercado de trabalho também está ligada à preocupação do Fed com a qualidade dos dados. O presidente defendeu uma análise ampla da economia, evitando decisões baseadas em um único indicador ou em números que posteriormente possam ser revisados.

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IA muda perspectiva sobre produtividade

Warsh também destacou a expansão dos investimentos em inteligência artificial como uma das principais mudanças estruturais da economia americana. O avanço tecnológico, segundo ele, ocorreu em ritmo superior ao que muitos economistas projetavam alguns anos atrás.

O aumento dos investimentos em infraestrutura e sistemas de IA pode elevar a produtividade das empresas, mas ainda existem dúvidas sobre o retorno desses aportes e sobre como os ganhos serão distribuídos entre empresas, consumidores e trabalhadores.

Outro ponto de atenção é o impacto sobre o emprego. A automação e o uso de novos modelos tecnológicos podem alterar a demanda por mão de obra, tornando necessário acompanhar de perto a relação entre produtividade, salários e vagas disponíveis.

Investimentos empresariais sustentam atividade

Na avaliação de Warsh, a economia americana demonstra sinais de força, especialmente nos investimentos corporativos. Os gastos de capital (Capex) avançaram rapidamente, com parcela relevante direcionada à construção de estruturas relacionadas à inteligência artificial.

Ele também chamou atenção para a manutenção das margens e dos lucros empresariais, além de expectativas ainda elevadas para receitas e investimentos. Esses fatores contribuem para sustentar o consumo e as decisões financeiras das companhias.

O presidente do Fed citou ainda a resiliência de setores como agricultura e o comportamento do crédito bancário. Ao mesmo tempo, reconheceu que o nível elevado dos juros continua aumentando o custo dos empréstimos.

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Sinais sobre juros ficam implícitos

Embora tenha evitado antecipar decisões, o discurso de Warsh oferece elementos para a leitura do mercado. A combinação entre atividade econômica resistente, consumo elevado e inflação ainda acima da meta reduz a pressão imediata para uma flexibilização agressiva da política monetária.

Isso não significa, porém, que o presidente do Fed tenha indicado uma decisão específica para a próxima reunião. Sua principal mensagem foi que o banco central pretende preservar margem de manobra e avaliar os dados disponíveis antes de definir os próximos passos.

Com o mercado à espera de uma definição mais clara sobre a trajetória dos juros americanos, a estratégia de Warsh mantém a política monetária dependente da evolução dos indicadores, e evita transformar declarações do presidente do Fed em compromissos prévios para as próximas reuniões.

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